meditacao faz sentidoA meditação é um estado de atenção. A prática formal da meditação é o treino da mente para ficar atenta e desperta, livre de condicionamentos do pensamento automático. Deste modo podemos ver a realidade tal como ela é. O processo e o fruto da meditação pode ser designado por “estado de presença”, “atenção plena”, “presença aberta” ou “mindfulness”. São muitas palavras para algo tão simples. Estar presente é estar claramente consciente do que está a acontecer aqui e agora, abertos a toda a experiência do momento.
 
Existem muitas ferramentas e técnicas que nos permitem aprofundar este estado de presença, mas antes delas é preciso desenvolver uma certa atitude curiosa e benevolente. Então, os primeiros passos para a meditação são cultivar a bondade no nosso coração e permanecer alerta para todos os fenómenos do momento, muitas vezes muito subtis. Fica estabelecida uma ponte para a imensa sabedoria natural que nos conduz à consciência de que somos feitos de amor. Puro e genuíno. Somos metta.
Atitude é essencial. Existem muitas técnicas, estratégias e práticas meditativas, mas o que faz realmente a diferença em termos de despertar espiritual é a seriedade e a sinceridade. Mais do que acrescentar mais um item à lista de tarefas diárias, o praticante deve escolher a prática meditativa a partir de um desejo de se ligar à sua capacidade inata para o amor, para a clareza e para a paz interior. 
 
Um dos aspectos práticos desta atitude, como já referimos, é a bondade que se orienta inicialmente ao próprio praticante. Deste modo, o diálogo interior deve ser auto-compassivo e auto-gentil. Esta postura interior constitui uma das bases do processo e sobre ela vão ser construidos pilares importantes para a prática. O meditante deve comprometer-se a ser gentil, compassivo e paciente consigo próprio. 

O termo metta tem origem na língua pali, a lingua mais próxima da falada por Buda e significa amor-bondade ou amor compassivo.

 

Este termo é utilizado para descrever a primeira das quatro qualidades imensuráveis propostas pelo budismo e constitui uma prática específica instituida desde os seus primórdios, pelo discurso de Buda entitulado “Metta Bhavana Sutta” e que tem por objetivo desenvolver nos praticantes sentimentos de amor, bondade e compaixão. Apesar de nascida no budismo, a metta é hoje amplamente praticada em todo o mundo por pessoas de todas as orientações religiosas, incluindo aqueles que não estão vinculados a nenhuma fé.

A prática de metta é um antidoto para a impulsividade, para a ira, para a raiva, para a cólera e para o egoismo. Desenvolvendo desejos bondosos em relação a todas as pessoas que encontramos no nosso dia-a-dia, podemos obter resultados positivos em muitos aspectos, tais como a redução da ansiedade, a melhoria das relações, a evolução da carreira profissional e vários problemas de saúde.

 

Estes benefícios explicam-se de forma fácil; os pensamentos e sentimentos ocorridos na nossa mente e no nosso coração criam vibrações; vibrações positivas atraem energias positivas potenciando bons comportamentos e gerando melhores resultados.

 

Nas próprias palavras de Buda, ao praticar metta “você dorme bem, acorda feliz, não tem pesadelos, aumentará a proximidade com outros seres humanos, ganhará a associação com seres superiores e celestiais e a proteção das divindades, não ferirá com fogo, poção ou armas, a sua mente concentrar-se-á rapidamente, as suas feições faciais são calmas, e morrerá tranquilamente e em paz”.

 

O ódio não pode ser vencido pelo ódio; o ódio apenas e somente poderá ser vencido pelo amor. Lamentavelmente, o homem moderno, ávido em buscar fontes de energia, ignora e despreza a potência do amor, de que humanidade tanto precisa e que faria renascer a vontade de partilhar e o sentimento de compaixão, que por sua vez nasce quando queremos que os outros seres estejam livres do sofrimento. Assim, quando a metta estiver enraizada nos nossos corações, estaremos mais disponíveis para ajudar os outros e encontraremos meios e sabedoria para o fazer.