Neste vídeo, extraído da gravação da palestra proferida por Emanuel Almeida durante a aula livre "Meditação no Parque" da Lavandeira, em Gaia, podemos encontrar informações importantes para descobrir como mudar o nosso mundo e a nossa vida, através da meditação. 

mudar o mundo

 

Como a meditação pode mudar o (teu) mundo?

E a meditação é uma via para mudarmos o nosso mundo. Porque através da meditação podemos alcançar uma nova perceção da realidade. Porque a nossa perceção do mundo não é o mundo real. A nossa perceção do mundo é só a nossa perceção. Então se eu mudar a perceção do meu mundo, todo o meu mundo muda. E aquilo em que eu acredito é que a experiência de vida é muito também uma experiência mental. A nossa mente tem a capacidade de produzir a nossa realidade. E através da meditação podemos ver a realidade de uma forma mais nítida, mais clara, mais transparente, compreendendo a diferença entre aquilo que é o mundo real e aquilo que é a nossa perceção da realidade. O conhecimento que vou tratar aqui hoje tem origens pré-budistas. Na realidade, há documentos que comprovam a prática deste tipo de meditação há um pouco mais de 3200 anos. É um conhecimento que tem passado de geração em geração e que tem sido mantido vivo sobretudo na Ásia. Foi o primeiro tipo de meditação que o próprio Buda aprendeu. E depois também ensinou. Eu gostava também de fazer uns parênteses para esclarecer que eu não sou budista. Eu gosto da filosofia budista porque me ajuda a ver as coisas como elas são, sem ter que me rebuscar em energias que eu não posso compreender para buscar explicações da realidade.

Está tudo aqui!

Há um ditado do zen que diz que “não sabendo quão perto a verdade está, procurámo-la no longínquo. E é uma pena porque somos como o filho do homem rico que mendiga com fome, somos como aquele que imerso em água chora com sede". Porque está tudo aqui. Este é o momento, aqui e agora, não precisamos de rebuscar explicações em mais nada. Tudo o que precisamos para a nossa vida está em nós. Todos nós temos a capacidade de produzir a nossa própria realidade.
 
A vida é uma experiência mental. Porque a nossa realidade hoje depende das nossas ações. Depende daquilo que fazemos. Aquilo que fazemos depende das decisões que tomamos. As decisões que tomamos são pensamentos, que dependem da perceção que temos da realidade. Não da realidade em si. Dependem da perceção que temos da realidade. A perceção que temos da realidade é muito condicionada por aquilo em que acreditamos. E a maioria das coisas em que acreditamos está ao nível do inconsciente e quase sempre nos limita mais do que nos potencia. São coisas que aprendemos com a cultura, com a socialização. Aprendemos de forma inconsciente.
 

Piloto automático

Pássaro criado numa gaiola acredita que voar é pecado. E não é. E aquilo em que acreditamos também é influenciado por aquilo que valorizamos. E então faz sentido mergulhar dentro de nós próprios e compreender de que forma é que tomamos as decisões, de que forma é que compreendemos a realidade e criamos a perceção da realidade. Faz sentido perceber e compreender aquilo em que acreditamos e a forma como isso nos condiciona no dia-a-dia. E faz sentido compreender aquilo que valorizamos, para podermos viver em função daquilo em que nós valorizamos, libertando-nos das expectativas dos outros, porque tantas vezes orientamos a nossa vida e as nossas decisões em relação às expectativas dos outros. Queremos agradar os outros.  O problema é que os outros não se agradam a eles próprios. Tal como nós! Então isto cria uma espiral em que toda a gente fica meio descontrolada, ficamos todos como zombies, em piloto automático.
 

O despertar

Para mim o verdadeiro despertar é ter consciência de como é que a nossa mente funciona e de que forma é que ela influencia a nossa criação da realidade. Este é o verdadeiro despertar. Não preciso de me conectar com entidades superiores, não preciso de compreender vidas passadas nem vidas futuras. Preciso de tentar compreender todas as vidas que eu já tive nesta vida. Porque na minha jovem idade eu já tive muitas vidas, já fui várias personagens. Há aqui algumas pessoas que me conhecem em fases diferentes da minha vida e que puderam acompanhar alguma coisa do que foi a minha evolução e que podem confirmar que eu já fui várias coisas. E na realidade eu nunca fui nada. Como todos vocês eu andava à procura de mim próprio. E continuo à procura de mim próprio. Agora eu não me procuro nos outros, deixei de me procurar nos outros. Comecei a procurar-me em mim. E a minha vida mudou. Radicalmente. O meu mundo não é o mesmo em que eu vivia. O meu mundo não é o mesmo.

 

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