A prática meditativa não é como uma droga que nos conduz imediatamente a um estado de bem estar. Por vezes, durante a prática, podemos não nos sentir propriamente calmos e pacíficos e temos que lidar com estados dolorosos profundos que surgem do nosso inconsciente e que nos demonstram sentimentos de dor, desconforto, raiva, preocupações, desejos reprimidos, etc.. Isso é normal e até podemos dizer que benéfico. 

Durante o processo meditativo vamos acedendo a camadas submersas do nosso inconsciente onde estes sentimentos estão guardados. Este acesso é benéfico porque permite que estas emoções reprimidas se libertem e se manifestem, oferecendo-nos a oportunidade para serem observadas, aceites e compreendidas. Elas trazem informações sobre quem somos, sobre o que tememos, sobre o que nos preocupa e sobre o que na realidade desejamos. Ao aceitar o que emerge, sem julgamentos, sem rejeição e sem apego, criamos condições para observar pacientemente e compreender estas manifestações e a sua razão de ser e de existir. 
 
Este acolhimento amigável das sensações desagradáveis é a via para que elas se libertem e desapareçam, para que finalmente deixem de nos condicionar e incomodar. Além disso, este processo é uma enorme oportunidade de aprendizagem sobre nós próprios, sobre a forma como funcionamos e sobre o que que condiciona os nossos pensamentos, ações e comportamentos.