O termo metta tem origem na língua pali, a lingua mais próxima da falada por Buda e significa amor-bondade ou amor compassivo.

 

Este termo é utilizado para descrever a primeira das quatro qualidades imensuráveis propostas pelo budismo e constitui uma prática específica instituida desde os seus primórdios, pelo discurso de Buda entitulado “Metta Bhavana Sutta” e que tem por objetivo desenvolver nos praticantes sentimentos de amor, bondade e compaixão. Apesar de nascida no budismo, a metta é hoje amplamente praticada em todo o mundo por pessoas de todas as orientações religiosas, incluindo aqueles que não estão vinculados a nenhuma fé.

 

Naturalmente que a palavra amor está um pouco diluida, podendo referir-se a diversos tipos; mas em geral o amor é a vontade de que alguém esteja bem e que seja feliz. Neste caso, o referencial fornecido pelo sutta é o amor que uma mão tem pelo seu único filho, que deseja cuidar e proteger, ou seja provavelmente o sentimento mais forte, puro e genuíno que o ser humano pode conceber. Num outro sentido, o termo amor pode ser também utilizado para definir a amizade genuína ou simplesmente a amabilidade.

 

A mente pensa e o coração sente

A prática de meditação metta é na realidade uma forma de treinar a mente a desenvolver pensamentos gentís, amorosos e positivos, em relação a nós próprios e em relação aos que nos rodeiam.

Importante referir que falamos de sentimento e não de pensamentos. Para alcançar os sentimentos é necessario trazer a mente para próximo do coração mergulhando-a em calma e quietude. A mente pensa e o coração sente; nem sempre mente e coração estão ligados.

 

"Olá, como está?"

Esta é uma fórmula de cumprimentar, que muitas vezes utilizamos no nosso dia a dia tentando ser agradáveis, mas na realidade ficariamos provavelmente incomodados se ouvissemos uma resposta negativa. Não estavamos verdadeiramente preocupados ou interessados em saber como o outro está, apenas utilizamos um chavão de interação social.

 

A importância de treinar a mente

O objetivo da metta é treinar a mente para gerar a sincera e genuína boa vontade em relação aos outros, o desejo de que estejam bem e felizes.

 

Porquê que isto é importante?

 

Todos os seres desejam estar bem, livres e ser felizes. Não há nenhum ser vivo que dão deseje a felicidade para si mesmo, mas muito poucos a desejam para os outros.

 

A experiência da vida demonstra que quando mais desejamos a felicidade apenas para nós próprios, mais sofrimento temos. Paradoxalmente, quando maior é o egoísmo, menor é a felicidade. Quanto mais desejarmos bem estar e felicidade para os outros, mais comungaremos destes sentimentos.

 

Os benefícios da metta explicados

A prática metta é um antidoto para a impulsividade, para a ira, para a raiva, para a cólera e para o egoismo. Desenvolvendo desejos bondosos em relação a todas as pessoas que encontramos no nosso dia-a-dia, podemos obter resultados positivos em muitos aspectos, tais como a redução da ansiedade, a melhoria das relações, a evolução da carreira profissional e em vários problemas de saúde.

 

Estes benefícios explicam-se de forma fácil; os pensamentos e sentimentos ocorridos na nossa mente e no nosso coração criam vibrações; vibrações positivas atraem energias positivas potenciando bons comportamentos e gerando melhores resultados.

 

Nas próprias palavras de Buda, ao praticar metta “você dorme bem, acorda feliz, não tem pesadelos, aumentará a proximidade com outros seres humanos, ganhará a associação com seres superiores e celestiais e a proteção das divindades, não ferirá com fogo, poção ou armas, a sua mente concentrar-se-á rapidamente, as suas feições faciais são calmas, e morrerá tranquilamente e em paz”.

 

Acedendo ao amor genuíno

O ódio não pode ser vencido pelo ódio; o ódio apenas e somente poderá ser vencido pelo amor. Lamentavelmente, o homem moderno, ávido em buscar fontes de energia, ignora e despreza a potência do amor, de que humanidade tanto precisa e que faria renascer a vontade de partilhar e o sentimento de compaixão, que por sua vez nasce quando queremos que os outros seres estejam livres do sofrimento. Assim, quando a metta estiver enraizada nos nossos corações, estaremos mais disponíveis para ajudar os outros e encontraremos meios e sabedoria para o fazer.

 

Em cada coração existe uma fonte inesgotável de amor verdadeiro. As mais recentes investigações da psicologia e da programação neurolinguística comprovam que existe bondade em todos nós e que a nossa intenção tem sempre um instinto primariamente positivo.

 

A razão pela qual não conseguimos muitas vezes aceder a essa fonte de amor é que ele se encontra bloqueado por várias camadas de ressentimentos, feridas passadas, vergonhas, culpas e medos. Por outro lado, tentamos muitas vezes encontrar o amor fora de nós, o que é de todo impossível; o amor só pode ser encontrado olhando primariamente para dentro.

 

A prática de metta, que implica uns 15 minutos diários, ajudará a desenvolver um hábito de pensamentos positivos e camada a camada vão-se removendo os bloqueios que nos impedem de aceder a esta fonte inesgotável de amor genuíno, puro e incondicional. A repetição criará novos hábitos que anularão os processos antigos. É preciso estar atento aos padrões da mente para os poder compreender e então recriar e reinventar. Aqui entra a prática de mindfulness, atenção e consciência plena dos processos internos. Um desejo forte é normalmente uma causa de sofrimento; onde existe desejo, existe apego que se transforma em ira, ódio e ressentimento. O apego, a aversão e a ignorância são as verdadeiras e principais causas do sofrimento e ter consciência destes processos, tantas vezes inconscientes é manter a porta aberta para a felicidade, que implica liberdade; esta só acontece verdadeiramente quando a mente se livra do desejo, da ilusão e do ódio.