O termo coach é uma alusão às carruagens que desde o séc. XVI eram utilizadas para transportar as pessoas de um lado para o outro, mas nos meados do séc. XVII o termo começa a ser utilizado para ser referir a tutores ou treinadores das mais diversas áreas. Com o advento da prática desportiva do pós-revolução industrial, o termo começa a ser generalizado na língua inglesa para definir o treinador. Hoje, ambas as origens do termo “coach” fazem todo o sentido para se referirem ao profissional que conduz o processo de coaching, uma vez que este é simultâneamente o treinador e aquele que leva o seu cliente de um ponto atual até a um ponto desejado.

O coaching enquanto prática de melhoria de desempenho nasceu na realidade no mundo do desporto.

O livro de Timothy Gallwey “Inner Game of Tennis” (1974) tem sido amplamente citado como uma influência significativa no desenvolvimento do coaching (Brock 2008, O'Connor e Lages 2007).

Gallwey fala sobre como no jogo de tênis, o adversário do outro lado da rede não é o único a trabalhar contra o jogador. Este tem também um adversário interno, ou crítico interno, que assume a forma do seu ego. Esta voz interna, sempre presente e ativa, que comenta sistematicamente todos os movimentos e ações é a maior critica do ser humano e na maioria das vezes enfraquece-o, em vez de o ajudar a melhorar.

Em vez de ouvir o nosso ego, o crítico interior, precisamos aprender a observar quem realmente somos e o que queremos de um ponto de vista individual, de forma objetiva e sem julgamento. Além disso torna-se imprescindível incorporar novas formas de aprendizagem, a partir de imagens e de exemplos. Uma vez que assumimos o papel de observador, sem julgamentos, torna-se mais fácil deixar de acontecer e reagir em função dos acontecimentos, libertando assim crenças sabotadoras como o medo de não conseguir este ou aquele objetivo - com o qual muitas vezes nem sequer nos idenficamos, mas que é o que acreditamos que seria socialmente mais aceite e valorizado.

Em relação à evolução do coaching, o livro de Gallwey foi fundamental para a criação do modelo de crescimento pessoal que o coaching proporciona.

“Coaching é uma relação de parceria que revela e liberta o potencial das pessoas de forma a maximizar o desempenho delas. É ajudá-las a aprender, ao invés de lhes ensinar alguma coisa.”

Timothy Gallwey

O trabalho de Brock, que foi o primeiro estudo abrangente sobre a história e as origens do coaching, revelou 82 pessoas com forte influência no desenvolvimento do coaching, mas quase todos os entrevistados citaram o trabalho de Gallwey como sendo decisivo.

Na realidade, antes de Timothy Gallwey  ter publicado o seu livro “Inner game of tennis” (O jogo interior do ténis), já Werner Erhard tinha criado um programa de desenvolvimento de potencial humano, com o objetivo de estimular as pessoas a participarem ativamente na construção da sua própria vida. Este programa, designado EST (Erhard Standart Training), era realizado em dois fins-de-semana e basicamente convidava os participantes a sentirem-se responsáveis pela construção da sua própria vida. Em 1980 este programa veio a ser absorvido pelo Programa Landmark, em que a proposta, mais abrangente, trata de desafiar as possibilidades de criação de novas realidades, quer seja nas vivências pessoais, nos relacionamentos, no trabalho, etc.

Thomas Leonard, administrador financeiro da Landmark descobriu que a maioria das pessoas que o procuravam em busca de orientação financeira tinham na realidade outros desejos e problemas, bem mais profundos, e a questão do dinheiro é normalmente uma pequena parte da realidade.

Foi deste modo que Thomas Leonard passou a ser um consultor de vida, autodesignando-se como treinador. Ao trabalhar com outras pessoas, ele reuniu conhecimento sobre diferentes campos, que utilizava em complemento às práticas de desenvolvimento em prática da Landmark. A metodologia de coaching começou a tomar forma. Em 1991 Leonard, deu mais um passo significativo na evolução do coaching, com o lançamento da ICF (International Coaching Federation) que se implementa como a primeira organização internacional do setor.

No início dos anos 90 do século passado, o coaching começa a ser aceite pelo mundo dos negócios e desde surgiram várias variações do coaching, mediante o quadro em que é aplicado. (Life Coaching, Business Coaching, etc.).

Enquanto Thomas Leonard disseminava o coaching nos EUA, John Whitmore e Graham Alexander foram influentes na divulgação desta metodologia na Europa.

Significativamente, o que Whitmore e Alexander transmitem são as ideias do livro de Timothy Gallwey. De acordo com Brock, “Coached por Gallwey, Whitmore e Alexander trouxeram a abordagem do jogo interno para o Reino Unido em 1981 e chamaram-lhe Coaching”.

Graham Alexander baseou-se nas metodologias EST de Erhard e no “Jogo Interno”  de Gallwey para desenvolver um novo modelo em 1985, que viria a ser muito influente: o modelo GROW, ao qual dedicaremos um capítulo próprio.

John Whitmore incorporou as idéias de Gallwey num contexto de coaching de negócios com “Coaching para o Desempenho” (1992), um livro que foi o pioneiro a considerar o coaching como uma profissão autónoma. Whitmore também difundiu e popularizou o modelo GROW neste livro.

 

Coaching como uma profissão distinta

(depois da década de 1990)

Para O'Connor e Lages, o ponto de inflexão real na disseminação do coaching foi provavelmente nos meados dos anos 90 quando o coaching de negócios realmente começou a ser adoptado. A IBM foi a primeira grande empresa que fez uso desta metodologia utilizando-a para o desenvolvimento das pessoas no mundo dos negócios.

Os anos 90 viram grandes mudanças na natureza do trabalho como a redução da dimensão das empresas, a utilização de sub-contratação e de outsourcing, o fim do emprego para toda a vida, e tudo isto significou uma mudança na relação das pessoas com o seu trabalho. Em vez de ficar num emprego para toda a vida, as pessoas veem-se obrigadas a mudar de carreira, em média, três vezes.

A perda de bons funcionários para uma organização pode ser caro, e a formação contínua ajuda a manter boas pessoas. Mas verifica-se que a formação não é suficiente, porque muitas vezes as pessoas esquecem o que aprenderam quando voltam às suas rotinas. O coaching ajuda a consolidar e solidificar as aprendizagens, mantendo os seus efeitos.

O coaching também ajuda as pessoas a lidar com o stress e as pressões de tempo nestes tempos turbulentos.

A horizontalização das hierarquias nas empresas eliminou um sem-número de quadros intermédios mas originou também um vácuo de liderança. O Business Coaching  e o Coaching Executivo preenchem esse vazio, fornecendo ferramentas para uma relação mais participativa dos funcionários que assim se assumem cada vez mais responsáveis e autónomos no seu trabalho.

Desta forma, foi nos anos 90 do século passado que o coaching emergiu como uma profissão distinta e especializada, sustentando o crescimento e a visibilidade desta metodologia com a disseminação das suas práticas.

O advento do ano 2000 trouxe por todo o mundo uma proliferação de de propostas de formação em Coaching orientadas para os mais diversos níveis, que começa a ser aceite pelas Universidades, que já disponibilizam vários níveis de formação especializada.

 

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