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A carência afetiva é um problema comum e ao contrário do que a maioria das pessoas pensa não é um problema exclusivamente psicológico, mas também é uma ausência física e um desequilíbrio hormonal. E também não é um problema exclusivo das mulheres. Pelo contrário!

É muito típica das pessoas mais emocionais, quer estejam ou não num relacionamento amoroso. Elas não conseguem ficar sozinhas e se a necessidade de intimidade não for resolvida conscientemente, pode tornar-se um problema sério.

As pessoas mais emocionais sentem necessidade, física ou intelectual, de afeto, de relacionamento, de intimidade com outras pessoas. E não há nada de errado nisso, pelo contrário: é até bastante saudável. Começa a ser problemático, porque muitas vezes se descontrola.

Estas pessoas – mais emocionais - gostam mesmo de se relacionar com outras a um nível mais profundo. Mais do que um simples desejo, é uma necessidade psíquica. Simplesmente não conseguem ficar sozinhas e vão fazer tudo por tudo para conseguirem o afeto e a atenção de que precisam.

Se te sentes em situação de carência toma cuidado, porque o teu subconsciente vai encontrar um modo de suprir essa necessidade a qualquer custo o que te pode levar a relacionamentos menos conscientes e menos saudáveis.

A estratégia que eu proponho começa pela tomada de consciência. Não adianta tentar ignorar ou esconder essa necessidade.

Outro passo é estreitares relações com amigos e familiares. Não basta só passar tempo com as pessoas, é preciso que pelo menos com algumas delas atinjas um nível de intimidade profunda, pelo menos intelectual.

Depois disso mantem-te ocupado. Faz listas de coisas que tens para fazer e mantém uma rotina saudável preenchida com atividades e garante que fica tempo para atividades que te dão prazer.

A meditação também pode ser útil para estabeleceres contigo mesmo um nível de intimidade mais estreito, resultando em autoconhecimento. Quanto mais souberes sobre ti, melhor vais poder compreender os outros. Além disso aumenta consideravelmente o relaxamento, o que pode ser extremamente prazeroso.

Na verdade essa vontade quase incontrolável que às vezes sentimos de estar com alguém é uma carência hormonal. Há uma hormona que se chama oxitocina (conhecida como a hormona do amor) que se liberta quando estamos numa situação de intimidade com alguém e que provoca sensações de bem-estar. O teu corpo pode estar a precisar dessas sensações. Os mecanismos não são muito diferentes de um vício e o teu subconsciente (ou o teu ego se quiseres) vai fazer tudo por tudo para suprir essa necessidade.
A boa notícia é que o corpo também segrega essa hormona quando está noutras situações prazerosas ou quando praticas a gratidão, isto é, quando te sentes agradecido por aquilo que és, por algo que fazes ou que tens.

Outras hormonas podem estar associadas a estes estados, tal como o cortisol e a neurotrofina que são indispensáveis para o bom funcionamento dos neurotransmissores do cérebro. Praticar desporto ou pelo menos movimentares-te, fazendo caminhadas, por exemplo, e dedicares mais tempo a ti próprio e ao que te dá prazer, pode ajudar-te a equilibrar os níveis hormonais antes que te metas em problemas.

O mais importante é que saibas que a carência afetiva demonstra que és uma pessoa emocional que precisa - física e psiquicamente - de intimidade. Talvez seja boa ideia começares por estabelecer ou aprofundar intimidade contigo mesmo.

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Lidar com os outros nunca é tarefa fácil, muito menos se eles são diferentes de nós e se comportam de forma diferente daquela que mais gostamos.
Na verdade, o que nos custa mesmo não é lidar com o outro tal como ele é, mas com as nossas reações e com a nossa aversão à diferença de comportamento que ele exibe em relação a nós.

Quando somos confrontados com uma situação desta natureza, só temos 3 tipos de reações possíveis: ou congelamos e não fazemos nada, ou lutamos ou tentamos fugir.

Deixa-me fazer aqui um parêntesis para dizer que a gestão documenta que este tipo de chefia está normalmente associado a baixa produtividade, a pouca comunicação interna (que origina desorganização dos serviços) e a taxas de absentismo elevadas. Quando os colaboradores estão expostos a estas chefias não comunicam (congelam), bloqueiam processos internos em forma de luta e faltam sempre que podem. Escusado será dizer que estas equipas são infelizes e pouco produtivas.

Naturalmente que este tipo de chefia não é inteligente, não é saudável e não é sequer sustentável, mas ela resulta de um transtorno na personalidade da pessoa que lidera.

Eu percebo que nem sempre é fácil compreender e aceitar o ponto de vista do outro, sobretudo se estás sob a influência de uma destas pessoas, com tendência a tornar-se opressiva, o que inevitavelmente vai mexer com os teus sentimentos e emoções. Mas se conseguisses ter uma abordagem mais distante, ias poder compreender que por traz de um ser humano que trata deste modo os seus colaboradores, está um ser humano oprimido, eventualmente com uma personalidade doente e que não tem a mínima consciência do que faz. Se conseguires ter esta compaixão e muita paciência, talvez te consigas aproximar dessa pessoa para poder ajudar. Sim, sim. Essa pessoa precisa de ajuda. Precisa de ser ouvida, compreendida e orientada.

Infelizmente ela não vai reconhecer facilmente que precisa de ajuda e ninguém vai ter paciência para a ajudar.

Se não conseguires ter esta atitude de ajuda, talvez consigas pelo menos compreender que o teu sofrimento, provavelmente, é menor que o daquela pessoa. Isso poderá ajudar a aliviar a tua sensação de aversão, ou seja, diminuir a tua reação negativa – que é o que verdadeiramente te esgota.

E assim evitas alimentar um ciclo vicioso, porque provavelmente a tua chefe também não fica confortável com a tua aversão e por isso também tem um dos comportamentos típicos: luta, foge ou congela. Claro, como tem o poder… luta como pode: usa da autoridade que se transforma em autoritarismo que te provoca ainda mais aversão. E transforma-se numa espiral sem fim.

Por outro lado, tenta perceber que a tua chefe é só a tua chefe. Ela não é a tua dona. Ela até pode ter a ilusão de que tem poder sobre ti durante algumas horas por dia, mas nunca terá poder real sobre a tua vida e muito menos pode condicionar o teu pensamento, os teus sentimentos e as tuas emoções.

Lidar com uma chefe autoritária não é muito diferente do que lidar com qualquer outra circunstância negativa da tua vida. Só te causa verdadeiro transtorno, se não equilibrares a balança com circunstâncias positivas.
Por isso, enterra o machado de guerra e poupa as tuas energias. Usa-as depois do trabalho a criar e alimentar emoções positivas.

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O que realmente nos move é a satisfação das nossas necessidades individuais que resultam da biologia e da nossa personalidade (que também tem influências biológicas) e a preservação dos nossos valores.

Desde logo, move-nos a satisfação das necessidades fisiológicas, tais como a alimentação, a proteção, a homeostase e a reprodução.

Do posto de vista da psique, há mecanismos profundos, que têm a ver com as funções do nosso sistema psíquico e com o desenvolvimento diferenciado dos sistemas neuronais do nosso cérebro.

Todos vimos equipados com 4 funções básicas: a mental, a intuitiva, a sensitiva e a emocional. A forma como estas funções evoluem e o modo como se conjugam é muito pessoal e particular em cada indivíduo, e determina a nossa personalidade. Cada tipo psicológico tem associadas necessidades específicas e a sua satisfação é bastante valorizada por nós. Por exemplo, as pessoas mais intuitivas valorizam o reconhecimento pessoal e a compreensão do mundo físico ou extrafísico, as que são mentais apreciam a segurança, estabilidade e a solução de grandes dilemas, as mais sensitivas estimam a aventura e a variedade e as pessoas emocionais valorizam mais as ligações aos outros e o afeto.
Quando sentimos as necessidades psicológicas suprimidas, ganha alento uma nova dimensão de motivação que é a necessidade de vivermos alinhados com os nossos valores e de contribuirmos para a sua preservação e disseminação.

Os valores são conjuntos de atitudes individuais ou sociais que adquirimos com a cultura, com a socialização primária (na família) e com a socialização secundária (com o resto da sociedade) e que se acreditamos serem importantes para nós, que regulamentam as nossas atividades e tentamos muitas vezes impor aos outros, ainda que inconscientemente.

A palavra valor pode significar merecimento, talento, reputação, coragem e valentia. Podemos afirmar que os valores humanos são valores morais que afetam a conduta das pessoas. Esses valores morais podem também ser considerados valores sociais e éticos, e constituem um conjunto de regras estabelecidas para uma convivência social.

Numa outra dimensão, pode mover-nos uma visão de um futuro em que as nossas necessidades sejam idealmente suprimidas e totalmente satisfeitas e os nossos desejos sejam amplamente alcançados. A essa visão futurista chamamos de sonhos.

Neste sentido, o que nos move realmente é a supressão das necessidades fisiológicas, biológicas, psicológicas, sociais e espirituais.

No fundo, movemo-nos por dor ou por prazer, de modo a evitar a dor e encontrar o prazer.

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Há muitos anos que o Homem tenta encontrar resposta a esta questão: Quem sou eu?

Procuramos respostas sobretudo em 4 grandes vias: na religião, na ciência, na arte e na filosofia, mas talvez nunca se tenha encontrado uma resposta definitiva. Pessoalmente tenho dúvidas até que seja desejável encontrar uma resposta definitiva.

O ser humano não nasce pronto, ele é uma construção contínua. Daí que a identidade seja dinâmica e evolua ao longo da vida. Assim sendo, uma resposta definitiva sobre a identidade nunca pode ser alcançada.

Na ausência de uma resposta definitiva, temos muita dificuldade em aceitar a simplicidade da nossa existência. E então procuramos respostas rebuscadas, muitas vezes fantasiadas que nos estabelecem uma ligação a um fluxo contínuo de energia, ou que nos conduz através de um ciclo de vidas sucessivas até alcançarmos um estado de “perfeição” (que é um conceito por si só amplamente discutível).

Até pode ser que sim. Até admito que possamos ter um ciclo de renascimentos. Mas infelizmente acho que nunca o conseguiremos compreender. Considero uma batalha perdida à partida. E batalha que não se pode ganhar, não se deve travar.

No entanto, considero que muitas das respostas (senão mesmo todas) que procuramos sobre a nossa identidade podem ser encontradas nesta vida, na forma como crescemos, como aprendemos a relacionar-nos com o mundo, como tomamos determinadas atitudes, como percebemos o que nos rodeia, como desenvolvemos crenças que nos parecem indiscutíveis e como defendemos valores que nos parecem inabaláveis.

Por outro lado, há mecanismos bioquímicos que começamos a compreender graças às neurociências. O cérebro é um grande conjunto de sistemas musculares, que sustentam funções da psique diferenciadas, que cria determinadas substâncias e que reage a elas. Fantástico. Consegue-se provar que os nossos sentimentos e as nossas emoções estão diretamente ligados a determinadas hormonas, que nos provocam certas sensações.

Para mim estes avanços da ciência provam que de facto somos seres vivos complexos, mas que há muito para explicar e para compreender dentro de cada um de nós. Daí que eu acho urgente que cada um de nós observe os seus pensamentos e a forma como eles criam reações físicas no nosso corpo, através das sensações. E depois observe a nossa reação a cada uma dessas sensações.

Além disso, importa também que cada um compreenda as suas decisões, perceções, crenças, valores e a sua própria personalidade. Nunca poderemos compreender a relação com o mundo exterior sem compreender primeiro a nossa relação com o nosso mundo interior. A nossa verdadeira identidade, a nossa verdadeira essência, vai emergir depois de despontarmos este gigantesco castelo de cartas que é a nossa psique. Se calhar um trabalho para uma vida inteira. Mas eu acredito que vale a pena.

Por isso, buscar respostas para a “pergunta quem sou eu?” é uma atitude muito útil. Mas essas respostas, se existirem, estarão dentro de nós e nunca fora. No limite, porque o que define a minha identidade é a minha reação ao mundo exterior e não o contrário.

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O que tem mais valor na vida é a própria vida! O nosso inconsciente está preparado para defender a vida a todo o custo, rapidamente, sem sequer se questionar e muitas vezes não damos conta disso.
 
Por exemplo, quem conduz e já passou por um susto ao volante, sabe que há um mecanismo interno capaz de tomar decisões muito repentinamente para evitar um acidente e não se consegue explicar. Há um raio de clarividência, uma mobilização espontânea de recursos internos que nos orienta para a sobrevivência.
 
Além disso, há comportamentos sociais que valorizamos e que adquirimos com a cultura, com a socialização primária (na família) e com a socialização secundária (com o resto da sociedade), que se tornam valores para nós.
 
Mas há mecanismos mais profundos que estão relacionados com as funções do nosso sistema psíquico. Todos vimos equipados com 4 funções básicas: a mental, a intuitiva, a sensitiva e a emocional. A forma como estas funções evoluem e o modo como se conjugam é muito pessoal e particular em cada indivíduo, e determina a nossa personalidade. Cada tipo psicológico tem associadas necessidades específicas e a sua satisfação é bastante valorizada por nós. Por exemplo, as pessoas mais intuitivas valorizam o reconhecimento pessoal, as que são mentais apreciam a segurança e a estabilidade, as mais sensitivas estimam a aventura e a variedade e as pessoas emocionais valorizam mais as ligações aos outros e o afeto. A fonte principal dos nossos desejos está diretamente relacionada com essas necessidades.
 
Por vezes, temos dificuldade em entender os outros porque, como têm combinações das funções da psique diferentes das nossas, têm personalidades diferente da nossa e como tal valorizam outras coisas. E temos dificuldade em aceitar a diferença.
 
Além disso, existem ainda as questões dos interesses pessoais, que são fruto da combinação das nossas crenças, valores, necessidades e simplesmente preferências.
 
Porque é que eu não perco um minuto com futebol? Não é a minha preferência. Só isso.
 
Sob o ponto de vista mais profundo, há valores que são transversais a toda a civilização ocidental: a justiça, a liberdade e a verdade são exemplo disso.
 
Depois há um sem número de coisas que valorizamos, quer sejam comportamentos pessoais ou sociais.
 
Mas também importa dizer que os valores são algo muito profundo da nossa psique e que quase sempre inconscientemente determinam o nosso comportamento, a nossa atitude e até mesmo a nossa identidade.
 
Em resumo, para a pergunta “o que tem mais valor na vida?” a resposta nunca pode ser absoluta e depende sempre de pessoa para pessoa.
 
Mas desde logo tem valor a própria vida, a nossa cultura social e a satisfação das nossas necessidades biológicas e psicológicas.
 

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