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Lidar com os outros nunca é tarefa fácil, muito menos se eles são diferentes de nós e se comportam de forma diferente daquela que mais gostamos.
Na verdade, o que nos custa mesmo não é lidar com o outro tal como ele é, mas com as nossas reações e com a nossa aversão à diferença de comportamento que ele exibe em relação a nós.

Quando somos confrontados com uma situação desta natureza, só temos 3 tipos de reações possíveis: ou congelamos e não fazemos nada, ou lutamos ou tentamos fugir.

Deixa-me fazer aqui um parêntesis para dizer que a gestão documenta que este tipo de chefia está normalmente associado a baixa produtividade, a pouca comunicação interna (que origina desorganização dos serviços) e a taxas de absentismo elevadas. Quando os colaboradores estão expostos a estas chefias não comunicam (congelam), bloqueiam processos internos em forma de luta e faltam sempre que podem. Escusado será dizer que estas equipas são infelizes e pouco produtivas.

Naturalmente que este tipo de chefia não é inteligente, não é saudável e não é sequer sustentável, mas ela resulta de um transtorno na personalidade da pessoa que lidera.

Eu percebo que nem sempre é fácil compreender e aceitar o ponto de vista do outro, sobretudo se estás sob a influência de uma destas pessoas, com tendência a tornar-se opressiva, o que inevitavelmente vai mexer com os teus sentimentos e emoções. Mas se conseguisses ter uma abordagem mais distante, ias poder compreender que por traz de um ser humano que trata deste modo os seus colaboradores, está um ser humano oprimido, eventualmente com uma personalidade doente e que não tem a mínima consciência do que faz. Se conseguires ter esta compaixão e muita paciência, talvez te consigas aproximar dessa pessoa para poder ajudar. Sim, sim. Essa pessoa precisa de ajuda. Precisa de ser ouvida, compreendida e orientada.

Infelizmente ela não vai reconhecer facilmente que precisa de ajuda e ninguém vai ter paciência para a ajudar.

Se não conseguires ter esta atitude de ajuda, talvez consigas pelo menos compreender que o teu sofrimento, provavelmente, é menor que o daquela pessoa. Isso poderá ajudar a aliviar a tua sensação de aversão, ou seja, diminuir a tua reação negativa – que é o que verdadeiramente te esgota.

E assim evitas alimentar um ciclo vicioso, porque provavelmente a tua chefe também não fica confortável com a tua aversão e por isso também tem um dos comportamentos típicos: luta, foge ou congela. Claro, como tem o poder… luta como pode: usa da autoridade que se transforma em autoritarismo que te provoca ainda mais aversão. E transforma-se numa espiral sem fim.

Por outro lado, tenta perceber que a tua chefe é só a tua chefe. Ela não é a tua dona. Ela até pode ter a ilusão de que tem poder sobre ti durante algumas horas por dia, mas nunca terá poder real sobre a tua vida e muito menos pode condicionar o teu pensamento, os teus sentimentos e as tuas emoções.

Lidar com uma chefe autoritária não é muito diferente do que lidar com qualquer outra circunstância negativa da tua vida. Só te causa verdadeiro transtorno, se não equilibrares a balança com circunstâncias positivas.
Por isso, enterra o machado de guerra e poupa as tuas energias. Usa-as depois do trabalho a criar e alimentar emoções positivas.