Vamos encontrar, neste artigo, uma forma de percebermos o que é que é suficientemente bom para nós. 

A ideia é criar, na tua mente, uma certa zona de conforto, uma certa zona de estabilidade, para que não te sintas mal contigo porque ainda não conseguiste alcançar os teus objetivos.  

Vamos começar por quebrar esta crença da insuficiência, fazendo um exercício que é o “Suficientemente Bom”.  

Eu gostava que começasses por utilizar o exercício que fizeste no e-book “A vida em equilíbrio”, em que eu te pedi que, em cada uma das áreas da tua vida, decidisses ou definisses aquilo que era ideal para ti, o teu sonho, o teu grande objetivo. Mas, antes desse grande objetivo ser alcançado, temos de passar por uma zona em que é “Suficientemente Bom”. 

Então, eu gostava que tu reescrevesses esse exercício e pensasses: “O que é que é suficientemente bom para mim?”

Em termos de relacionamentos - quer seja relacionamentos afetivos conjugais; com amigos; com familiares; com colegas de trabalho.  Em termos de carreira - como gostarias que fosse a tua carreira ou, pelo menos, o que é que seria suficientemente bom nela, para não te sentires mal com isso.  

Em termos de finanças, também - como é que as coisas poderiam estar suficientemente boas para ti. 

Na saúde e lazer; responsabilidade e rotinas; contribuição social e o bem-estar mental, emocional e espiritual. 

Então, para cada uma destas 7 áreas, pensa: “O que é que seria suficientemente bom para mim?”  

Vais ver que, assim, vais conseguir encontrar objetivos muito mais práticos, muito mais alcançáveis e realistas, e igualmente relevantes para ti. Então, pensa nisto. 

Não estou a pedir-te que desistas dos teus grandes sonhos.  Estou-te a pedir para que cries uma zona em que não te sintas mal, em que sintas que és suficientemente bom, suficientemente capaz, suficientemente merecedor de alguma coisa. 

 

Então, escreve isso. O que é que seria bom para ti? O que é que seria suficientemente bom para ti?  

Depois, vamos utilizar estes conceitos como rampa de lançamento, para aquilo que é o extraordinário, para os teus sonhos e os teus grandes projetos. 

Este exercício é muito importante porque, em termos inconscientes, podes pensar que o teu sonho é muito difícil de realizar, que o teu sonho é até impossível, inalcançável, está muito distante de ti, e o teu inconsciente vai-te boicotar. É aí que começam a nascer os mecanismos de autossabotagem, de auto-boicote, que levam à procrastinação, à falta de foco, de clareza, sobre aquilo que realmente queres.  

A intenção é que possamos criar um conjunto de objetivos que sejam mais alcançáveis, que sejam mais realistas. Porque, quando o objetivo é demasiado ambicioso - pelo menos para o momento em que o estás a colocar -, se não dividires em pequenos passos, em vez de te provocar uma motivação vai funcionar como agente de desmotivação e de maior insatisfação contigo próprio. Vais cultivar a crença de que assim não és capaz, então, fecha-se o ciclo da crença e da manutenção da crença. 

Vamos cortar, cortar e interromper este ciclo de manutenção da crença, pensando naquilo que seria suficientemente bom para ti. Com isto, vais conseguir criar um conjunto de objetivos, que podem ser mais alcançáveis e, se calhar, estão a um pequeno passo de onde estás agora. 

Por outro lado, não te esqueças nunca daquela expressão que costumo repetir muitas vezes: “aproveita a insuficiência”. Aproveita essa insatisfação; tu não estás pronto para te ir gastando, tu estás não-pronto para te ires construindo.  

Portanto, se ainda não és aquilo que gostarias de ser, se ainda não és capaz de fazer aquilo que gostarias de fazer, se ainda não tens aquilo que gostarias de ter, é porque ainda não chegaste lá. Mas, se te puseres a caminho, vai ser mais fácil conseguires alcançar isso.  

Então, a dor e desconforto da insatisfação, podem ajudar-te muito. Como diz aquela frase que eu lembro muitas vezes e que repito ao longo das minhas aulas: “ao contrário do que a gente imagina, a gente não nasce pronto e vai-se gastando, a gente nasce não-pronto e vai-se fazendo”. É uma frase do Mário Sérgio Cortella. 

Utiliza essa tua dor, essa tua insatisfação para encontrares mais força dentro de ti, que te possa pôr no caminho, em direção àquilo que tu gostarias de ter. 


Nas partilhas que fazemos nos grupos, muitas vezes eu assumo as minhas vulnerabilidades, falo sobre os meus problemas, sobre a dor que sinto em relação àqueles problemas e, também, muitas vezes, sobre as minhas crenças, em relação às situações que atravesso na minha vida. Muito frequentemente, demasiado frequentemente, aparecem sempre pessoas que tentam diminuir esse meu mau sentimento, diminuir essa minha dor e me dizem: “Emanuel, não é bem assim; tu estás a fazer bem”.  

Não! Há alguma coisa que eu não estou a fazer bem. Diminuir esta dor é diminuir a energia de impulso que eu tenho. A dor serve-nos de motivação. Utiliza a tua dor, a tua insatisfação, como forças de motivação para dar o próximo passo, como forças de impulso para te pôr no caminho, no sentido de alcançares o que realmente queres, desejas e és. Porque tu, muitas vezes, és muito mais do que aquilo que tentas fingir que és. 

Então vá, esta é uma ideia para pôr em prática.  

Escreve o que é que é suficientemente bom para ti, em cada uma daquelas 7 áreas, e programa o teu cérebro para alguma coisa que seja mais alcançável, a mais curto prazo. E põe-te a caminho! Utiliza o desconforto de ainda não estares lá, para te pores a caminho, para te venceres e superares a ti próprio. Quando lá chegares, quando esses resultados começarem a surgir, vais sentir-te mais motivado e vais querer mais. Nunca nada vai ser suficientemente bom para ti, porque nada vai ser suficiente para a pessoa maravilhosa que tu és.