Vamos falar especificamente sobre o tema da crença da insuficiência, sobre esse mecanismo da insuficiência.  

Anteriormente, no ciclo das crenças, vimos que as feridas emocionais nos levam à culpa. Por via dessa culpa, de um sentimento de culpa, criamos uma crença limitante, agimos com medo, o que faz com que tenhamos um comportamento cauteloso, que nos vai levar a maus resultados e, novamente, às feridas emocionais. 

A crença limitante é, sobretudo, a crença da insuficiência. Eu começo a acreditar que não sou suficientemente bom. Estou exposto a uma ferida emocional e sinto-me culpado, por causa dessa ferida. Como as minhas referências são as pessoas que me estão a causar a ferida, e elas não podem estar erradas, então, naturalmente quem estará errado sou eu. Sinto-me culpado, logo, desenvolvo uma crença limitante.  

O que a crença limitante me vai dizer é que eu não sou suficientemente bom, a chamada crença da insuficiência. 

Depois, instala-se o ciclo de autoconfirmação. Se eu não sou suficientemente bom, não sou suficientemente capaz e não sou suficientemente merecedor. 

Vimos também que este mecanismo começa, sobretudo, nas feridas emocionais: a ferida do abandono; da rejeição; da traição; da humilhação e da injustiça.  

Exploremos um pouco mais esta nossa crença, a crença da insuficiência. Ela vai afetar 3 grandes níveis da construção da nossa identidade: o nível do ser; o nível do fazer e o nível do ter.  

Ao nível do ser, a informação é de que eu não sou suficientemente bom. E, se eu não sou suficientemente bom, não posso ser amado, não sou suficientemente bom para ser amado. Eu sinto que tenho um defeito, que tenho algum problema, que sou inferior aos outros, e assim se desenvolve um complexo de inferioridade. 

A crença de não ser suficientemente bom tende a generalizar-se. Eu não sou suficientemente capaz, portanto, eu não sou suficientemente capaz de fazer ou não tenho competências suficientes. Eu não tenho força suficiente, eu não tenho motivação suficiente, e, portanto, eu nunca terei nada de suficiente.  

Também não sou suficientemente merecedor. Eu não sou merecedor de coisas boas, eu não sou merecedor de afetos, eu não sou merecedor daquilo de que preciso. Isto gera desconforto, não é? 

Eu criei, então, uma forma ainda melhor de te explicar este mecanismo. 

Iniciemos pela crença de que eu não sou suficientemente bom, nada é suficientemente bom. Recordo que, como referi anteriormente, a crença da insuficiência - aliás, como todas as outras crenças - tem a tendência de se generalizar. Portanto, se eu não sou suficientemente bom, nada me é suficientemente bom, nada me é suficiente. Isto vai causar uma insatisfação permanente e uma insatisfação que eu não consigo explicar, o que é muito desagradável. Porque eu nem sequer sei dizer o que é que eu quero, o que é que preciso, porque me sinto insatisfeito, mas não sei realmente porquê. 

Aqui há dois caminhos. 

No primeiro caminho, a pessoa não vê uma solução, fica cega, sem saber o que fazer, o que a leva a um sentimento de tristeza que, por sua vez, provoca alguma angústia, ansiedade e medo. É o caminho natural para que uma pessoa desenvolva uma depressão.  

Depois, há outro caminho, o da insatisfação. A pessoa não está satisfeita consigo própria e, então, tenta criar mecanismo de compensação generalizada, ou seja, tenta compensar tudo aquilo que está errado na vida dela, que, no fundo, é tudo. Tenta esforçar-se para todos os lados, fazer tudo e mais alguma coisa, envolvendo-se em tudo e mais alguma coisa. Vai ter, também, tendência para o perfeccionismo, ou seja, tudo tem de ser perfeito, porque se não for perfeito, eu vou ser criticado e se eu for criticado é sinal de que não sou amado. Então é tudo ou nada, é tudo muito radical e também muito impaciente: queremos tudo já, muito rápido e queremos tudo de tudo, não basta ser uma pequena parte. Começamos a focar-nos em todos os aspetos da nossa vida, em simultâneo: “Ah, eu vou decidir, eu tomei uma decisão: vou deixar de fumar; vou perder peso; vou começar a correr; vou começar a caminhar; vou começar a ler quatro livros por semana; vou começar a fazer não sei o quê e vou começar não sei o que mais…” Assim se criam muitas expectativas, o que vai levar naturalmente à frustração.  

Então, estes 2 caminhos levam a comprovar que a velha crença da insuficiência lá voltou a estar. Que não somos suficientes para entrar em múltiplas tarefas em simultâneo e, ainda por cima, num ambiente e exigência de perfeccionismo.  

É verdade que há pessoas que seguem um caminho, é verdade que há pessoas que seguem outro caminho, mas também é possível que as pessoas os alternem. Isto é, numa determinada situação, as pessoas seguem um caminho sem solução e depois ficam tristes durante algum tempo. Surge angústia; depressão; insuficiência e reinicia-se o ciclo. Eu não sou suficientemente bom, nada me é suficientemente bom, então gera-se novamente a insatisfação.

Efetivamente, há muitas pessoas que estão envolvidas neste ciclo durante quase toda a sua vida, eu diria até que uma grande percentagem das pessoas vive neste ciclo permanentemente, uma vez atrás da outra. Constante e continuamente neste ciclo de não-suficiência e não o conseguem quebrar. 

Então, vamos questionar um pouco mais este ciclo.

Mas, antes de mais, gostava que fechasses os olhos por alguns momentos e tentasses relaxar um pouco mais, porque a informação que te vou dar a seguir é, de facto, muito importante e precisas de te focar, de prestar atenção.  

Faz algumas inspirações profundas; seguidas de expirações completas. Foca-te na tua respiração, no momento presente e permanece alguns instantes, antes de reabrir os olhos, para que possamos refletir um pouco mais. 

Convido-te a pensar comigo.  

Vamos parar um pouco, para pensar um pouco… 

Tu não és suficientemente bom, para quê?  

Afinal, o que é que tu queres?  

O que é que é realmente importante para ti? Pensa nisso. O que é que seria realmente importante para ti? Será que era ser amado? Será que era ser relevante? Será que era ter novas experiências? Será que era a segurança pessoal? Será que é o crescimento pessoal? O desenvolvimento pessoal? 

Será que é a contribuição social?  

Pensa nisto. O que é que é ser suficientemente bom, para ti?  

Aproveita este momento para fazer esta reflexão.  

O que é que é suficientemente bom para ti? O que é ser suficientemente bom   

para ti?  

E agora diz-me: qual é a única coisa realmente importante para ti?  

Se tivesses de escolher uma única coisa realmente importante para ti, o que é que era? É isso, não é? Retém esse pensamento, não te esqueças disso.  

E agora diz-me: até quando é que tu estás disponível para sentir que não és suficientemente bom? Até quando é que vais viver nessa angústia? Na ilusão de que alguma coisa, externa a ti, possa resolver essa situação de insuficiência?

Há muitas pessoas que pensam que essa insuficiência vai passar com mais um carro; mais uma casa; uma nova namorada; uma promoção no emprego; ler um livro; tirar um curso; outro curso. Há muitas pessoas que pensam que, tendo alguma coisa, ou fazendo alguma coisa mais do que aquilo que estão a ter ou a fazer, podem resolver a situação de insuficiência. Até quando é que vais viver nessa ilusão de que alguma coisa externa a ti pode resolver a insuficiência? Até quando é que vais admitir a ti próprio viver nesse complexo de inferioridade? Até quando? Sê honesto contigo! E responde-me: até quando? Até quando é que tu vais viver nessa culpa por não seres suficientemente bom? Por não seres suficientemente capaz? Até quando é que tu vais viver no medo de não ser amado? O medo secreto de não ser amado, de não ser aceite, de não estar seguro. 

Até quando é que vais viver na expectativa de que algum milagre te vá salvar? Até quando é que vais permitir a ti próprio viver na frustração, muitas vezes na raiva. Ou então, também muito engraçado, até quando é que tu vais fingir que está tudo bem? 

Há muitas pessoas que fingem que está tudo bem. Que vivem completamente isoladas e desviadas do que é o seu propósito; a sua missão; a sua paixão; os seus objetivos pessoais. Abdicam de si mesmas para muitas vezes, cuidar dos outros e fingem que está tudo bem. Até quando é que vai ser assim? 

Até quando é que tu vais continuar a sabotar-te? Até quando é que tu vais continuar a duvidar de ti? Até quando é que tu vais continuar a ter medo do teupróprio sucesso?  Há pessoas que têm medo do fracasso, mas há muitas mais pessoas que têm medo do sucesso. Será que é esse o teu caso?

Se tu tens esta crença da insuficiência é muito provável que a tua auto-sabotagem seja justificada por causa do medo do sucesso.  

Até quando estás disponível para viver sem te amares a ti mesmo? 

Tu tens razão! Tu não és suficientemente bom para ser amado, enquanto não fores capaz de te amar a ti mesmo. O amor tem de nascer por dentro. Não há amor fora, quando não há dentro.  

Tu não podes entrar nas relações à espera que o outro te traga aquilo que te falta. Isso não é amor, é apego! Tu não podes entrar nas relações à espera que o outro seja capaz de te amar, de te aceitar, de te compreender, quando tu não te amas, quando tu não te aceitas, quando tu não te compreendes. Se estás nessa situação, tens razão! Tu podes não ser suficientemente bom para ser amado.  

Então, parte de dentro de ti! E tu mereces, mereces muito melhor de ti mesmo! Não tem a ver com os outros.  

Não tem a ver com o mundo, com a sociedade, com a família. Não tem a ver com o ambiente onde tu nasceste, não! Tem a ver com esta capacidade de te amares e de te aceitares tal como és. Porque tu és mais do que suficiente para alcançar qualquer coisa! Desde que queiras e acredites. “Quer tu acredites que és capaz, quer tu acredites que não és capaz, tu tens razão!”. Porque é essa crença que vai fazer a diferença. 

Ainda te lembras deste ciclo? 

Até quando tu estás disponível para continuar a viver neste ciclo, uma e outra vez?  

Até quando?  

Já chega?  

Será que já chega?  

Já é suficiente?  

Já chega de ilusão?  

Já chega de autossabotagem?  

Já chega de medo?  

Já chega de culpa? 

Já chega de frustração?  

Já chega de raiva?  

Já chega de falta de amor?  

Já chega de não ser suficientemente bom?  

Será que já chega?  

Já chega de complexos de inferioridade?  

Já chega de achares que não és suficientemente capaz?  

Que não és suficientemente merecedor; não tens dinheiro suficiente; não tens tempo suficiente. Não tens condições suficientes. Não tens nada suficiente? Nada te é suficiente. Já chega isso para ti?  

Se já chega, tens a certeza que já chega?  

Já está na hora de dizer basta! E é uma decisão que tu tens de tomar.  

Tens de dar um murro na mesa e dizer que já chega! Dizer a ti próprio que já chega. Já chega de viver neste ciclo de insatisfação permanente.  

Porque tu achas que não és suficientemente bom para alcançar os teus sonhos. Para seres amado. Para seres reconhecido, relevante. Para seres independente. Para teres liberdade. O que quer que seja significativo para ti, o que quer que seja a tua única coisa.  

Eu garanto-te que tu és suficiente!  

O que tu tens agora, o que tu és agora, o que tu és capaz de fazer agora é mais do que suficiente para chegares onde quer que queiras chegar, desde que tu acredites.  

Tu és muito mais do que suficiente!  

Mas há esta condição: tens de te aceitar a ti mesmo, tal como és. Porque, a partir do momento em que te amares a ti mesmo, tal como tu és, sem dúvida nenhuma, 

vais ser extraordinariamente bom,  

extraordinariamente capaz,  

extraordinariamente merecedor do que tu quiseres.  

Sim, porque tu podes ser o que quiseres.  

Podes fazer o que tu quiseres, podes ter o que tu quiseres. É uma decisão.  

Só tens de parar de procurar essa satisfação fora de ti e encontrá-la dentro!  

E isto vai-te permitir ser quem realmente és, sem máscaras, sem tretas, sem dependências, sem te camuflares. É uma decisão! 

Tens de ser quem tu és! Tens de começar a ser quem tu és! Sem máscaras, sem dependências, sem medo, sem subterfúgios.  

Tens de fazer o que tens a fazer!  

Faz o que tens a fazer e vais ter tudo o que mereces!  

SIM!  

Vamos repetir isto: sê quem tu és, faz o que tens a fazer e terás tudo o que tu mereces! É uma decisão.  

Eu gostava de saber qual é a tua decisão. Se decidiste dar um murro na mesa e dizer, basta! Virar a página, quebrar essa crença da insuficiência. 

Lê o próximo artigo, porque vou-te dar uma série de dicas mais práticas sobre como é que podemos utilizar os recursos disponíveis, aqui na Essência, para dar a volta à tua vida. Para poderes, efetivamente, sentir-te mais do que suficiente para qualquer batalha, qualquer empreitada, qualquer transformação, qualquer objetivo que tu queiras alcançar. 

Para saberes mais sobre como resolveres esta crença carrega AQUI