Crenças. Já vimos muitas coisas sobre as crenças e sobre as capacidades, muito interessantes, que as crenças têm. Agora, vamos ver como é que elas se criaram e como se mantêm. 

Eu chamo-lhe Ciclo das Crenças.  

Antes de mais, deixa-me dizer-te que, inicialmente, quando eu aprendi, quando comecei a trabalhar no Coaching, eu pensava que as crenças limitantes nos levavam a uma atitude de medo, ou seja, pelo medo, levavam-nos a ter comportamentos cautelosos e, com isto, a ter maus resultados. Por sua vez, estes maus resultados vão levar à confirmação da crença e à sua manutenção. Para mim, era e é muito claro que é assim que as coisas funcionam, mas, entretanto, fazia-me sentido que houvesse outros passos, mais do domínio emocional. 

Então, pela minha observação, comecei a perceber que as crenças levam aos maus resultados e estes levam à experiência de uma nova ferida emocional. Portanto, novamente o abandono, novamente a rejeição, novamente a traição, novamente a injustiça. Às vezes, até uma mesma experiência pode conduzir-nos a várias destas feridas emocionais que, por sua vez, nos levam às crenças. Há, no entanto, um mecanismo intermédio, que eu gostava de te mostrar: o mecanismo da culpa. Portanto, para transferirmos uma ferida emocional, e para ela se transformar numa crença verdadeiramente limitante, ela tem de ter um sentimento associado, que é o sentimento da culpa. Repara como se cria aqui um ciclo perfeito. Resumindo, as feridas emocionais do abandono, da rejeição, da humilhação, da traição e da injustiça, vão-te levar à crença limitante, porque tu vais sentir culpa, vais sentir que, de facto, és culpado. 

 

Com base nisto, vais começar a acreditar que não és suficientemente bom, que não és suficientemente capaz, que é muito difícil... E, quando tiveres oportunidade de agir, vais ter uma atitude muito limitada pelo medo que, por sua vez, te vai levar a um comportamento mais cauteloso.  Esta cautela, no entanto, vai originar maus resultados.  

E o que é que tu vais sentir quando identificares esses maus resultados? Novamente, as velhas feridas emocionais. O abandono, a rejeição, a humilhação, a traição ou a injustiça. Basicamente, a crença confirmou-se e sentes-te novamente culpado. Por consequência, a crença fica mais forte ainda, tu ficas ainda com mais medo, vais ter um comportamento ainda mais cauteloso e vais originar maus resultados. Esses maus resultados são novas feridas emocionais e o ciclo está montado.  

Algo também muito interessante é que esta crença, como vem do mecanismo da culpa, é uma crença de insuficiência. Vais sentir que não és suficientemente bom; que és o culpado desta insuficiência; que tens um defeito qualquer. Não tens, mas é isso que vais sentir e assumir. 

Só que esta crença da insuficiência tende a generalizar-se e, por isso, é que as pessoas dizem que não são suficientemente boas para ter um relacionamento, para viver sozinhas e ser independentes, que não são suficientemente boas para o que quer que seja 

Esse é um dos motivos pelos quais as pessoas não têm a capacidade de ter ou fazer “coisas” financeiras...  

Seguem-se os três domínios do ser. 

Primeiro, o ser, depois, o fazer e, por fim, o ter. 

Repara, a crença da insuficiência vai-se manifestar através de pensamentos como: “eu não sou suficientemente bom” e “eu não sou suficientemente bom para ser amado”. E este é o maior desejo de todos os seres humanos: serem aceites e amados tal como são.  

Então, como eu não sou suficientemente bom para ser amado, eu também não sou suficientemente bom para fazer. Logo, “não sou suficientemente capaz de fazer alguma coisa diferente”; “não sou suficientemente capaz, não tenho competências suficientes”; “não sou suficientemente ágil”. É esta a crença.  

Depois, isto leva-nos a outro domínio, que é mais externo, que é o domínio do ter.“Eu não tenho tempo suficiente”, eu não tenho dinheiro suficiente”, “eu não tenho condições suficientes”, e isto acaba por se verificar, também, ao contrário. Como não tenho tempo suficiente, não sou suficientemente capaz e, se não sou suficientemente capaz, não sou suficientemente bom. Portanto, fecha-se assim também, de alguma forma, um outro ciclo. 

A crença da insuficiência, que é a mais grave de todas as crenças limitantes, também tem a capacidade de se generalizar e quase que se espalhar, por efeito quase que de osmose, a todas as áreas da nossa vida. Ela afeta, então, estes três domínios: do ser, do fazer e do ter. “Eu não sou suficientemente bom”, “não sou suficientemente capaz”, “não sou suficientemente merecedor”.

Presta muita atenção a isto, percebe o ciclo de manutenção das crenças e percebe que, por terem este mecanismo, que é quase sempre, muito, muito, muito inconsciente, é preciso muita agilidade, muito trabalho e muito empenho, para conseguirmos libertar-nos deste processo.  

Não penses que não és capaz, porque isso não é verdade. Vamos ser capazes de nos libertar desta crença. Mas também não penses num resultado imediato e instantâneo, num milagre, quase que uma aspirina que te vai curar de imediato este problema. É um processo e é nisto que estamos.  Para que sejas capaz de te amar e de te aceitar a ti próprio, tal como és.  

Talvez já saibas que, enquanto não te amares suficientemente, nunca serás suficientemente amado.