Como vimos anteriormente, a nossa realidade é sempre fruto das nossas ações, e as nossas ações são fruto das nossas decisões, as nossas decisões são fruto das nossas percepções e as nossas percepções são então muito motivadas pelas crenças que nós temos. E neste capítulo é sobre estas crenças que nós vamos falar 

Antes de mais, gostaria que percebesses que as crenças são pensamentos que tu tens sobre ti próprio ou sobre o teu mundo, que aprendes ainda durante a infância e durante os primeiros processos de socialização, quer a socialização primária junto da tua família com as pessoas que te são mais próximas e depois com a socialização secundária, que são as primeiras experiências que vais tendo com os teus pares, com os teus colegas na escola, com os teus amigos, etc.  

E é pouco a pouco, com estas experiências que vamos adquirindo, que determinadas crenças se consolidam num nível já bastante inconsciente da nossa mente. Ainda que inconscientes, elas influenciam permanentemente a nossa perceção, a nossa decisão e por consequência o nosso comportamento e os resultados. 

O grande problema das crenças é que elas são pensamentos que nós temos sobre nós próprios ou sobre o mundo, sobre a forma como o mundo funciona ou como deveria funcionar, e que raramente nós colocamos em causa, raramente questionamos, mas que nos influenciam em todas as áreas da nossa vida, sobretudo influenciando a percepção que temos e consequentemente as nossas decisões.

Dividimos as crenças em dois grandes grupos: 
-  As crenças potenciadoras – que são aquelas que nos podem dar mais poder, mais força, mais capacidades -  

- As crenças sabotadoras ou crenças limitadoras - que, estando inconscientes, nos bloqueiam e nos condicionam em muitas coisas da nossa vida.  

Ora, o nosso pensamento é por si próprio um processo de perceção e de decisão, está então na origem das nossas ações e depois é isto que vai originar um determinado resultado. 

O que acontece é que se tivermos uma crença que está instalada a criar um condicionamento sobre a nossa perceção - portanto sobre o nosso pensamento - ele vai-nos levar a uma ação mais cautelosa e o resultado vai ser menos positivo, menos favorável, interessante observar que isto vai acabar por consolidar a nossa crença reforçando os processos de condicionamento, que são muito inconscientes.  

Quando desenvolvemos uma crença limitadora a partir de uma experiência negativa ela consolida-se e é percebida como verdade absoluta. Numa próxima experiência semelhante já partes com este conhecimento, essa crença de que não és capaz ou que se fizeres as coisas daquela forma vai sempre originar aquele resultado quando. 

Pelo contrário, se tiveres experimentado um resultado positivo, vais ter instalada uma crença de que és capaz, de que podes e de que é possível, de que é fácil, e de que as coisas correm bem. E isto vai-te ajudar a potenciar este teu comportamento, ou seja, esse teu comportamento vai ser mais livre, confiante, mais ousado e por consequência vai ter um melhor resultado. E quando tem um melhor resultado, ele vai contribuir para reforçar esta crença positiva, ou esta crença potenciadora. 

Nunca é demais sublinhar que estes mecanismos são imperceptíveis e inconscientes. Para os alterar é necessário trazê-los para a luz da consciência. 

Um perigo das nossas crenças, é que elas têm tendência para a generalização, ou seja, se achas que não consegues fazer uma coisa, então, achas que não és capaz de fazer uma série de coisas e, se achas que uma determinada coisa é verdade num determinado contexto, tu achas que em todos os contextos essa verdade vai se verificar.

E muitas vezes não é assim, ou seja, é preciso também ter cuidado porque subliminarmente as nossas crenças afetam a nossa perceção e condicionam a nossa percepção, afectando toda a nossa capacidade de acreditarmos em nós próprios e de acreditarmos no mundo que nos rodeia. 

Muitas vezes ouço dizer: “- ah, no mundo só há pessoas más” e não, não é verdade. A verdade é que há pessoas más e também há pessoas boas, felizmente há muitas pessoas boas. Depois, há pessoas que dizem por exemplo: “- Ah, o dinheiro é uma coisa má, porque corrompe as pessoas”. Sim, a verdade é que o dinheiro corrompe algumas pessoas, mas não podemos generalizar, o dinheiro não corrompe todas as pessoas. Atenção com estas generalizações que são quase sempre automáticas e que nós acabamos por condicionar e que limitam a forma como compreendemos o mundo à nossa volta e compreendemos as circunstâncias em que nós próprios vivemos. 

Falaremos mais aprofundadamente das crenças limitadoras porque são estas, de facto, que mais nos preocupam. Essas que são grandes barreiras, que são grandes condicionamentos, pela negativa, àquilo que é a libertação do nosso potencial, porque, de facto, estas crenças limitadoras acabam por nos levar a atitudes mais cautelosas e mais inseguras e que, obviamente, originam maus resultados que, por sua vez, vão reforçar ainda mais estas crenças limitadoras. 

É fácil perceber este círculo vicioso que se instala inconscientemente e que do é muito difícil sair. Ou seja, cada vez as crenças são maiores, cada vez elas são mais fortes. As crenças têm então mecanismos muito perigosos de autoalimentação, de autoconfirmação e de auto-reforço. Só com consciência e com um trabalho muito sério e concertado é que podemos quebrar este ciclo. 

A verdade é que as crenças limitadoras nascem sempre por pequenas percepções, pequenas experiências negativas ou fomos reprimidos em algum momento, alguma coisa não nos correu bem, alguma coisa não foi como nós gostaríamos que tivesse sido, e então isso gera-nos esta crença limitante. Há pessoas já com idade avançada que ainda continuam a ter crenças que criaram e que geraram durante a sua infância e que as limitaram durante toda a vida. 

Estas crenças criam-se então de uma forma muito subtil. Na infância ouves alguém a dizer-te que não és capaz de fazer alguma coisa, ou que alguma coisa é errada.

A partir deste acontecimento, tão frequentemente e aparentemente insignificante, instala-se a percepção: “não sou capaz”. E isto vai instalar ser assumido como uma verdade absoluta e vai reduzir os níveis de confiança que causará um comportamento mais cauteloso e naturalmente o resultado não vai ser o mais positivo- A crença confirmou-se e consolidou-se.  

As crenças têm este mecanismo obscuro, que elas têm capacidade de se autocomprovarem e de se autoconfirmarem. Porque depois mais tarde, se alguém disser que és capaz e que podes, vais sempre duvidar. As crenças autodefendem-se. 

Muitas vezes para provar ou para demonstrar esta autodefesa das crenças, costumo referir da questão das religiões. Quantos disparates os seres humanos não fazem em nome da religião, porque acham que determinada crença é mais válida do que outra crença. Mal sabendo então que, ao separarem-se de outras pessoas, ao separarem-se de outras religiões, no fundo, acabam por quebrar até aquilo que é o próprio sentido da palavra religião. Que é uma re-ligação. 

A verdade de todas as religiões é que a religião existe então para unir as pessoas e não para separar as pessoas. Mas por causa destas crenças que estão muitas vezes associadas às religiões, então as pessoas separam-se. A verdade é que também vamos ver à frente, se nos separamos por causa das crenças, também nos unimos por causa das crenças. Isso é uma deixa sobre a qual gostava que pensasses um pouco. A verdade é que nos separamos por causa daquilo em que acreditamos e também nos unimos por causa daquilo em que acreditamos. 

Com esse processo, completamente involuntário, completamente inconsciente, de geração e instalação das crenças e com estes mecanismos de autodefesa e de autorreforço que as crenças estão equipadas, subliminarmente e muito inconscientemente, vamos desenvolver mecanismos de autossabotagem. 

Autossabotagem

É muito curioso, que há pessoas que me dizem. – “Eh pah, eu meto-me sempre no mesmo tipo de problemas… meto-me sempre no mesmo tipo de alhadas. A mim, acontece sempre a mesma coisa.”, “- Porque é que as pessoas são todas iguais? Acabam sempre por provar que eu tenho razão, acabam sempre por demonstrar, que, de facto, eu não sou capaz. Acabamos sempre por demonstrar que as pessoas são todas más”.  

Há, de facto, um nexo de causalidade entre a crença e aquilo que te acontece. E muitas vezes não é aquilo que te acontece que te vai reforçar a crença, é a crença que te provoca aquilo que vai acontecer. Como a crença é sempre constante e está sempre a reforçar-se, basicamente as coisas estão sempre a acontecer-te em determinada forma, porque vemos as coisas sempre da mesma maneira, e, portanto, fazemos sempre as coisas da mesma maneira, e naturalmente não podemos esperar um resultado diferente.  

Criamos estes mecanismos de autossabotagem que são um padrão. Há muitas pessoas que eu vejo nos processos de coaching e nas sessões de coaching, que me falam de um determinado padrão de comportamento. “Parece que eu faço as coisas sempre da mesma maneira, acabo sempre por cair nos mesmos buracos. Atraio sempre o mesmo tipo de pessoas. E eu não percebo porque é que isto acontece”. Normalmente, na base destes ciclos e destes padrões estão crenças que são limitantes, ou crenças que são sabotadoras. E esta é a forma como se criam os mecanismos de autossabotagem. 

Nos próximos artigos, vamos ver formas de ultrapassar as crenças limitadoras. Uma delas fazendo utilização de uma técnica que se chama de “repetição”, que é uma técnica da Programação Neurolinguística e outra, que é um bocadinho mais dura, um bocadinho também mais eficaz e mais ativa. 

Vamos então trabalhar sobre estas possibilidade de descobrir quais são as tuas crenças para que, de uma forma consciente e deliberada, possamos aprender a libertar estas crenças e muitas vezes transformar, crenças que são sabotadoras e limitadoras em novas crenças que sejam potenciadoras.