Neste artigo vou falar-te sobre uma questão que várias pessoas me colocam, que é sobre a aceitação.  

Há uma espécie de uma resistência à aceitação e para a resolver é preciso entender que aceitar não é resignar, não é deixar que as coisas estejam tal como estão e fiquem tal como estão. 

Paradoxalmente, só quando aceitamos uma coisa verdadeiramente, é que nós ganhamos condições para produzir uma mudança efetiva. Enquanto não aceitamos determinada circunstância, quer seja em relação à auto-aceitação ou aceitação de alguma circunstância, vamos desenvolver uma espécie de rejeição àquela situação, uma aversão aquela situação. 

Portanto sempre que pensamos nisso a aversão vais fazer-nos desse pensamento, e não vamos gostar das emoções que estão associadas. A partir daí todo o processo passa a ser conduzido pela emoção e não pela razão. 

É muito útil, ou até vital, olhar para coisas tal como elas são, de tu perceberes como é que as coisas são. Desconstruí-las de alguma forma. Perceber como é que estas circunstâncias se criaram. Só percebendo como um processo se criou é que temos condições para nos libertarmos dele. 

Repara. Às vezes cairmos num determinado buraco. E é importante perceber como é que se caiu nele. É importante saber porque é que caímos nele, porque assim podemos evitar que isto nos volte a acontecer. Eventualmente vamos precisar de aprender mais, mais sobre buracos, sobre as situações menos agradáveis em que nos envolvemos e sobre como podemos sair verdadeiramente delas- 

Então a aceitação é isto. É ser capaz de olhar sem aversão para uma determinada circunstância - seja uma coisa em relação a ti mesmo, ou seja, em relação a algo que te aconteceu, alguma circunstância da tua vida. Isto permite-te elaborar um plano com muito mais clareza.  

Quando percebes exatamente qual é a tua situação, - e nota que só é possível tu perceberes exatamente qual é a tua situação, quando tu observares mais de perto e para isso tu tens então de retirar esse mecanismo da aversão - só quando tu podes olhar mais de perto e compreender e desconstruir como é que tu te meteste nessa situação, ou como é que essa situação te ocorreu, como é que ela surge e de que maneira é que ela te afeta, é que tu podes então compreender exatamente o que é que tu queres para colocar no lugar disso.  

E só é possível nós criarmos esta nova situação, quando de facto fechamos a janela dessa situação que nos causa algumas dores emocionais. 

Enquanto não entendermos as emoções elas não se desfazem. Ficam reprimidas. E vão-se manifestar da pior forma possível, no pior momento possível. 

Freud dizia que as emoções nunca morrem, têm de ser exprimidas de alguma forma. Portanto, se não for da melhor maneira há de ser da maneira menos boa, mas as emoções vão acabar por se exprimir.  

Se tu não fores capaz de entender estas emoções que estão associadas a um determinado estado - e aceitá-las também - não vais conseguir gerar novos sentimentos, mais positivos, mais construtivos, mais orientados àquilo que tu queres construir.  

Portanto, aceitar não é resignar, pelo contrário: é tu ganhar a capacidade de enfrentar a situação menos agradável, tal como ela é, e ter clareza para criar um plano realista e objetivo de como sair dele e como ultrapassares determinada fase da vida. Por outro lado, também é a possibilidade de encerrar um artigo e de abrires uma página nova.