Neste artigo vamos estabelecer a diferença, entre emoção e sentimento. Há muitas pessoas que confundem um significado com outro, e as coisas, de facto, estão na continuidade uma da outra, mas são coisas diferentes.  

Estabelecer essa diferença e compreender a diferença e o papel de cada uma destas duas energias, a emoção e o sentimento, podem ser muito útil para compreendermos melhor o que é que se passa na nossa mente. E a nossa vida, é muito o reflexo daquilo que são os nossos pensamentos, daquilo que se passa na nossa mente.  

A emoção é um programa de ações que ocorre de forma automática. Perante um estímulo desencadeia-se uma série de processos automáticos que surge como uma resposta imediata, a uma determinada situação, ou a determinado problema, e que de alguma forma, envolve mobiliza todo o corpo. Este processo é comandado pelo cérebro. Portanto, a base da emoção, está no cérebro e não no coração, como algumas pessoas parecem pensar (embora esteja documentado também, que o coração tem neurónios e as vísceras têm neurónios, o que é uma descoberta interessante. Parece então, que a emoção é controlada pelo cérebro e sobretudo, por uma zona central e nuclear do cérebro, que se chama amígdala, ou sistema límbico. Também conhecido como o cérebro reptiliano, o cérebro mais primário. 

O estímulo que provoca a emoção pode ser mais interno, ou pode ser externo. Por exemplo, uma sensação de perigo, ou a percepção imaginária de perigo - para o cérebro, não há muita diferença entre aquilo que é real e aquilo que é imaginário - vai desencadear uma série de processos que são automáticos. De uma forma genérica, transversalmente a todas as emoções, estes processos automáticos acabam por se manifestar em reações e eventualmente em comportamentos, nos quais literalmente perdemos o controlo cognitivo, por fazer coisas ou dizer coisas que não queremos, condicionar a nossa visão e a nossa perceção.  

As emoções podem ser classificadas de uma forma positiva ou negativa. As emoções negativas, têm normalmente como uma resposta, um impulso de afastamento, e as emoções positivas, por outro lado, têm ou geram, um impulso de aproximação.  

Por outro lado, os sentimentos são a experiência mental daquilo que se está a passar no nosso corpo enquanto nos emocionamos; normalmente duram mais tempo. As emoções têm uma duração mais pequena, mas depois, o pensamento ou o sentimento - no fundo, está muito associado àquilo que é o nosso pensamento, consciente ou inconsciente, sobre determinadas emoções - acaba por preservar-se durante mais tempo e até, às vezes, por um período bastante continuado (meses, anos ou mesmo décadas). 

Os nossos sentimentos são muito condicionados, pelas nossas crenças, pelos nossos valores, pelos nossos desejos e até mesmo por características da nossa própria personalidade e da nossa identidade.  

Nós podemos ter sentimentos sobre as nossas emoções - ou sobre as consequências das emoções - ou até ter sentimentos sobre os pensamentos ou memórias de sentimentos e emoções passadas.  

O que acontece também, é que isto cria aqui um certo círculo vicioso, porque os sentimentos podem gerar novas emoções. Assim, cria-se uma espiral, porque os sentimentos afectam a percepção e fazem gerar novas emoções. Um sentimento de inferioridade, por exemplo, faz aumentar a emoção do medo de não seres capaz. E este medo de não ser capaz, por sua vez, vai-te originar um certo impulso para o afastamento daquela situação. Como estes processos são automáticos, são muitas vezes inconscientes. 

E isto tudo é muito importante porque as emoções e os sentimentos constituem aquilo que chamamos, o nosso sistema afetivo. Hoje em dia já se percebe que estas duas coisas funcionam de uma forma generalizada e que de facto, a nossa parte afetiva, o nosso sistema afetivo, é muito importante para a nossa sensação de bem-estar.

Compreender as nossas emoções, os nossos sentimentos e saber como é que eles se processam e como é que eles funcionam, é muito importante porque podemos assim gerir melhor a nossa relação, a nossa interpretação, a nossa perceção de nós próprios, a nossa própria autoestima, a nossa própria autocompaixão. E a partir disto, a partir destes novos sentimentos que vão ser gerados com este processo, nós vamos melhorar as nossas emoções mais positivas que promoverão a melhoria dos nossos relacionamentos, quer ao nível pessoal, quer ao nível familiar, quer mesmo até, ao nível profissional. Isto é sobretudo importante, porque a qualidade das nossas relações determina decisivamente, a qualidade das nossas vidas e a perceção da qualidade das nossas vidas.  

Assim estabelecemos uma diferenciação entre emoção e sentimento. Elas desempenham papéis diferentes, acontecem em momentos diferentes e são processos diferentes, mas são interdependentes. Conseguir separar uma da outra, perceber como é que cada uma funciona, é uma via para nós nos libertarmos dos comportamentos impulsivos e que estão tantas vezes associados, quer às emoções, quer aos sentimentos.