As emoções também variam em relação ao tipo. Eu já falei um pouco sobre isto. Falei de emoções de fundo, emoções primárias e emoções sociais.  

As emoções de fundo são emoções inconscientes e prolongadas no tempo. Por exemplo: cansaço; falta de energia, também designada de lassidão; entusiasmo, muita alegria e ansiedade, quase que muito discreta, uma ansiedade permanente, que nos faz estar muitas vezes hipervigilantes. Acho que conhecemos bem isto! 

Como é que podemos detetar estas emoções de fundo? Pela força; precisão; frequência dos movimentos físicos; expressões faciais; volume e cadência da voz; velocidade e profundidade da respiração; e a nossa capacidade de concentração. A nossa ou a dos outros, porque, de facto, também podemos avaliar e observar estas emoções nas outras pessoas. É sempre um trabalho de dentro para fora, ou seja, temos sempre de aprender a identificar estas emoções em nós próprios, para depois podermos identificá-las nas outras pessoas. Isto dá-nos um poder muito grande na interação, mas também, sobretudo, na nossa empatia, na nossa capacidade de desenvolver compaixão. Se compreenderes as emoções das pessoas, vais compreender um domínio que ela não compreende, em relação a si mesma. Então, vais ajudá-la, ou seja, vais poder compreendê-la e a pessoa vai-se sentir mais compreendida do que ela própria, muitas vezes, é capaz de se sentir. Isto é muito útil para o desenvolvimento da verdadeira compaixão e da verdadeira empatia, pois vamos também perceber que é um dos pilares fundamentais, para que nós possamos criar conexões verdadeiras e profundas, com as pessoas. No Coaching temos essa responsabilidade.  

Depois, as emoções primárias são aquelas mais conhecidas, mais visíveis e mais instintivas também. O medo; a alegria; a tristeza; a raiva; a aversão e a surpresa. A aversão também é muito próxima de uma outra emoção, que é o nojo. Há muita literatura que não refere a aversão, mas refere o nojo. Elas são muito semelhantes, em termos de comportamento, neurofisiológicos ou cognitivos. Há quem diga até que é a mesma  emoção, no fundo, com uma pequena variação.  

Caracterizam-se por estes indicadores: são identificáveis muito rapidamente - perante as circunstâncias, nós vemos logo o que é que está a acontecer; são inatas - nós já nascemos com estas emoções primárias, elas servem para assegurar a nossa sobrevivência e o nosso bem-estar; e são puras e elementares - as expressões faciais são típicas, vais aprender a identificá-las e as reações são absolutamente previsíveis.  

Eu aqui chamei-lhes as 6 maravilhosas emoções primárias. Porque, de facto, trazem-nos tanta vitalidade e trazem-nos tanta vida, se reparares. 

As emoções primárias têm alguns critérios, algumas características. São elas: um começo súbito; normalmente, a duração é curta - um estado prolongado, mais do que alguns minutos, já deixa de ser uma emoção e começa a ser um sentimento, é o que os distingue; são distintas e são distinguíveis, ou seja, embora nós possamos experimentar várias emoções em simultâneo, e isto ocorre com muita facilidade, podemos distinguir umas da outras, ou seja, podem misturar-se sem deixar de ser bem visíveis ambas; aparecem nos bebés, portanto são fenómenos inatos; provocam-nos agitação no corpo, cada emoção mexe com o nosso corpo, à sua maneira, com diferentes graus de intensidade; a expressão facial é universal, ou seja, perante uma determinada emoção - alegria, tristeza, medo, raiva, etc. -, nós temos sempre os mesmos tipos de expressões faciais - depois à frente, vais descobrir quais são -; ocorrem em situações universais, ou seja, perante determinados estímulos, é normal que surjam determinadas emoções; e a possibilidade de observação nos primatas, aliás, em também muitos outros animais, mas sobretudo nos primatas, que são muito parecidos connosco e partilham destas seis emoções primárias.  

Então, as emoções primárias têm uma função, um nível de alerta e um nível de reação.  

Começando pelo medo: a função do medo é a proteção do corpo e da vida. A mensagem que traz é “Cuidado” e a reação é “Fujo?” ou “Vou em frente!”  

A alegria diz Avança, “Que bom, vamos celebrar!'' - daí a função da reprodução, pois está muito ligada à função reprodutiva. 

A raiva tem uma função de destruição. Alguma coisa de que eu não gosto, então eu quero partir; eu vou acabar com ela; ou vou dar cabo de ti! É esta a mensagem reativa que ela traz. Então, o alerta é Luta. “Vai à luta!” Tem uma energia destruidora.  

A tristeza é uma função de reintegração. No fundo, pretende reintegrar, pedindo ajuda. Ela Pede Ajuda: “Ajuda-me.”, “Estou a sofrer.”, “Preciso de consolo e de conforto!” Essencialmente, é essa a mensagem.  

A aversão traz uma mensagem de rejeição e o que ela diz é Afasta-te. “Não quero!”, “Não suporto!” “Tenho nojo!” ou “Que nojo!” Então, tenho aversão.

E a surpresa traz-nos uma mudança de orientação. No fundo, traz-nos uma mensagem para Prestarmos Atenção, porque alguma coisa, com que não contávamos, está a ocorrer. Desperta-nos muito a curiosidade e o sentido exploratório. 

Depois, as emoções sociais: simpatia; compaixão; embaraço; vergonha; culpa; orgulho; ciúme; inveja; gratidão; admiração; espanto; indignação; desprezo... provavelmente haveria outras. São também comuns a muitos mamíferos, nomeadamente, cães, gatos, chimpanzés e primatas, golfinhos, leões, lobos, cavalos. Portanto, há muitos outros animais que partilham, também, destas emoções sociais, que são emoções que surgem na sequência de interações com outras pessoas. 

Então, não confundir com os fenómenos afetivos, que são outra coisa. O fenómeno afetivo é a experiência da emoção. Há vários e vou-te mostrar alguns fenómenos afetivos que podem acontecer. As emoções, que duram de alguns segundos a alguns minutos; os sentimentos, também são fenómenos afetivos e podem durar longos períodos de tempo ou a vida inteira; um estado de humor, pode durar de algumas horas, até alguns dias; os traços de personalidade, podem durar uma determinada etapa da vida, por exemplo, a adolescência, ou a vida inteira; as perturbações emocionais, que são muito variáveis, consoante os estímulos, e podem durar às vezes alguns dias, até algumas décadas, sobretudo no caso, por exemplo, dos traumas. 

Tenho a certeza de que ficaste muito mais esclarecido em relação ao que são as emoções. À frente, vamos ver questões sobre a inteligência emocional e como é que tu podes, na prática, estimular estas emoções. Além disso, vamos também aprender a identificar as emoções no outro. Muito importante e muito interessante.