9 atitudes para a prática da meditação mindfulness 

Existe um grupo de 9 atitudes que devemos seguir na prática da meditação mindfulness. Curiosamente, são uma série de atitudes que já devemos trazer previamente para a meditação, mas que nos vão ajudar depois a ter melhores resultados, e a beneficiar mais ainda da meditação.  

      1ª atitude: Não julgamento  

A primeira destas atitudes é a atitude do não julgamento. Nós temos o hábito de catalogar automaticamente tudo o que vemos. Isto é bom, isto é mau, isto é neutro, isto não interessa, eu gosto, não gosto, não me importo. E fazemos isto tão rapidamente, que nunca chegamos a compreender outras possibilidades de percepção daquilo que estamos a observar ou das circunstâncias em que estamos a viver. O que acontece é que ficamos reféns deste julgamento e deste processo que é absolutamente automático e inconsciente, e com isto acabamos por não conseguir encontrar outras possibilidades da perceção daquele momento, que ficam assim desperdiçadas. Por isso, convém começar por cultivar esta atitude de não julgamento. Ser simplesmente uma testemunha, um observador daquilo que está a acontecer em cada momento.  

      2ª atitude: Paciência  

A outra atitude importante para a prática da meditação é a paciência. Paciência é uma forma de sabedoria, é saber compreender que as coisas acontecem ao seu próprio ritmo e no seu próprio tempo. E no tempo certo tudo adquire muito mais sabor. Se como eu, tu tens a sorte de ter uma avó que cozinhava em fogão de lenha, sabes que aquela comida tinha um sabor muito especial apesar de demorar muito mais tempo a ser cozinhada. Era preciso ter paciência, era preciso esperar, era preciso saber esperar pelo momento certo para que as coisas adquirissem aquele sabor.  

3ª atitude: Mente de principiante 

O outro princípio que é importante para a prática da meditação é aquilo que chamamos a mente de principiante. Nenhum momento é igual ao outro, podem ser parecidos, mas todos os momentos são integralmente novos. Então, é preciso manter uma mente aberta, receptiva a novas experiências, a novas formas de perceber as experiências que são semelhantes, mas que não são iguais. Com isto vamos contrariar a rotina dos nossos pensamentos e das nossas percepções automáticas e isso permite explorar novas possibilidades de percepção. Uma mente aberta, receptiva e disponível para descobrir novas perspetivas é muito importante para a prática de meditação, para que possas então entrar no momento e mergulhar no momento e compreendê-lo tal como ele é. 

4ª atitude: Confiança  

Uma outra atitude muito importante para a prática da meditação é a confiança. É importante desenvolvermos uma confiança em nós próprios, confiar na nossa intuição, nas nossas possibilidades, nas nossas capacidades. Mesmo que possamos cometer erros, estes são sempre uma grande fonte de novas aprendizagens e isso é insubstituível. Então, confiar em nós mesmos é fundamental para que possamos assumir a responsabilidade de sermos nós próprios.  

5ª atitude: Não esforço 

Outra coisa que é muito importante na prática da meditação é o não esforço. É importante largar o hábito de fazer tudo com um objetivo. Na meditação perseguir um objetivo, na realidade, é distanciarmo-nos dele. Pode parecer paradoxal, mas é verdade.  

Então, deixa que as coisas aconteçam, deixa que se manifestem sem fazer nenhum esforço para as alterar ou até mesmo para as compreender. Trata-se de, simplesmente, observar as coisas tal como são, tal como estão, e isto é muito importante porque permite-nos parar esta habitual atitude de esforço, de impor um ritmo de querer sempre mais e de querer sempre mais, em menos tempo. 

6ª atitude: Aceitação

Outra atitude muito importante para a prática da meditação é a aceitação, aceitar as coisas como elas são. Não significa que gostemos delas ou que tenhamos de aprender a gostar delas, mas, por outro lado, também não adianta lutar contra tudo. Não há problemas sem solução, problemas sem solução não são problemas, são factos. Portanto, não vale a pena lutar contra os factos. Aceitar abre caminho à compreensão das coisas como elas realmente são, em vez de nos levar de imediato a sugerir como achamos que deviam ser. Até porque, muito dificilmente, teremos a certeza que as coisas seriam melhores, se fossem como nós gostaríamos que fossem. 

7ª atitude: Desapego 

Deixar ir é a prática do desapego, do desapego das coisas, das pessoas ou das ideias. Na verdade, sem deixar ir o velho não podemos abrir espaço para o novo, e observamos isso quando estamos a respirar. Quando eu inspiro vou precisar de expirar, não é? E expirar é necessário para que eu possa voltar a inspirar, porque enquanto eu não largar o ar que está nos meus pulmões, eu não vou conseguir voltar a inspirar. Então, tudo na vida acaba por obedecer a esta ciclo de vai e vem, como as ondas do mar, a chuva, o vento, a noite, o dia, o sol, a lua. Tudo está em movimento, tudo vai e vem, tudo obedece a um determinado conjunto de ciclos. E o apego é uma forma de tentarmos contrariar a natureza e os seus ciclos. Sabemos que a natureza é sempre mais forte, e qualquer criança sabe que quem se mete com os mais fortes acaba sempre por se meter em sarilhos. 

8ª atitude: Gratidão  

Uma outra atitude muito importante para a prática da meditação é a gratidão. Passamos tanto tempo a pensar no pouco que nos falta, que quase sempre esquecemos o muito que temos. Na verdade, estamos em dívida para com a vida, para com a natureza que nos sustenta. Por outro lado, está comprovado que a gratidão nos ajuda a formar uma sensação de bem-estar, porque ajuda a ter presente que temos uma série de aspetos positivos na nossa vida. 

9ª atitude: Generosidade 

Uma outra atitude muito importante para prática da meditação é a generosidade. Nós temos o hábito de pensar sempre no que vamos ganhar ou no que vamos perder, e pensamos sempre mais naquilo que vamos receber no que aquilo que vamos dar. Na meditação não é muito diferente, e o problema é que se pensarmos muito nos benefícios acabamos por não nos entregar à prática e depois os benefícios nunca mais vêm. Quanto mais damos de nós, mais recebemos em troca. Então, é importante desenvolver a bondade, o hábito de dar, de querer bem, a nós mesmos e aos outros, isto vai fazer com que sejamos muito mais gentis e que possamos nós próprios beneficiar dessa nossa gentileza.