7 pecados capitais que ameaçam a felicidade

      1º pecado: Desvalorizar a Felicidade

Então, o primeiro desses pecados é desvalorizar a felicidade. Bom, às vezes não é bem assim, às vezes até valorizamos, mas acabamos por sacrificá-la em benefício de outras coisas. Porque acabamos por buscar a felicidade naquelas que são as razões da infelicidade, que é o dinheiro e o status.  

Depois, entre a extrínseca e a gratificação intrínseca, ou seja, entre obter uma satisfação interna ou obter uma satisfação externamente, nós procuramos mais facilmente a extrínseca, ou seja, procuramos mais facilmente a satisfação externa. Um exemplo disto é que preferimos trabalhos mais bem pagos, do que fazer aquilo que realmente mais gostamos e isto leva-nos a um certo sentimento de insatisfação. Buscamos o prazer mais imediato e menos a longo prazo. Por outro lado, valorizamos mais aquilo que é valorizado externamente do que aquilo que é a nossa valorização interna, e isto é o primeiro pecado da felicidade, desvalorizar a felicidade.  

Então agora deves estar a perguntar: mas como é que eu me livro disto? Antes de te dizer como te livras disso, deixa-me dizer-te que este pecado é a base daquilo que chamamos o paradoxo fundamental da felicidade. É que nós valorizamos a felicidade em teoria, mas na prática, acabamos por a sacrificar a bem de outras coisas. É por isso que a felicidade muitas vezes não é alcançada, porque nós simplesmente não a valorizamos. Isto é o paradoxo fundamental da felicidade e tem a ver com 3 crenças negativas que existem em relação à felicidade, que nos levam a desvalorizá-la:  

  • A felicidade é a vivência da preguiça; 
  • A felicidade faz das pessoas egoístas; 
  • A felicidade é efêmera, ou seja, é só um momento feliz e acaba por se extinguir automaticamente.  

“A felicidade é a vivência da preguiça”, isto tem a ver com aquelas pessoas que dizem que a felicidade é se não tivessem de fazer nada, ou se ganhassem o Euromilhões e se fizessem só o que lhes apetece. Agora, aquilo que está provado e documentado, é que as pessoas mais felizes trabalham, de facto, com mais afinco, com mais vontade e entregam-se bastante mais ao trabalho e são muito mais produtivas, porque também são muito mais criativas e acabam por atingir patamares de produtividade bastante mais altos.  

Bom, mas é claro que tu podes ver o trabalho como uma coisa má. E se tu estás a viver o trabalho como uma coisa má, é porque tu o estás a ver como uma fonte de suprimir uma necessidade que é a necessidade do dinheiro, com que depois podes comprar outras coisas. Não estás a ver o trabalho como uma fonte de realização pessoal e isto é uma armadilha da nossa mente. Ficamos aí presos, ou seja, trabalhamos simplesmente para pagar as contas e para ganhar dinheiro e, entretanto, não fazemos aquilo que gostamos. Com isto acabamos por não produzir grande coisa, ou seja, também não conseguimos alcançar patamares muito altos de produtividade nem de rentabilidade. Eu tenho a certeza que se tu perguntares ao Cristiano Ronaldo, por exemplo, se ele gosta de trabalhar ele vai-te dizer que adora, por alguma razão é o primeiro a chegar aos treinos e normalmente parece que é o último a sair. Portanto, ele entrega-se com afinco ao trabalho, ele é feliz a fazer aquilo que gosta. Felizmente para ele, é uma profissão bem paga.    

Agora, é possível tu encontrares, de facto, uma forma de tu seres rentabilizado e tu seres bem pago a fazer aquilo que tu gostas. É sempre possível, mas depende muito da forma como tu te posicionas e em que mercado é que te posicionas. É preciso aprenderes a saber valorizar-te e a criar valor para outras pessoas. Eu acho que a grande essência da produtividade, da rentabilidade e da vida em abundância, é nós não querermos só a abundância para nós, mas também compreendermos a necessidade de criar valor para outras pessoas. Acaba sempre por ser de alguma forma proporcional, quanto mais valor tu crias para outras pessoas, mais valor tu recebes para ti. 

“A felicidade faz as pessoas egoístas”, esta crença não é verdade também. É curioso que as pessoas quando são mais felizes têm tendência a serem bastante mais altruístas, mais generosas, acabam por contribuir mais para a vida dos outros, assumem mais a sua responsabilidade social, inscrevem-se em voluntariados, etc. 

“A felicidade é efêmera” e, de facto, se nós definirmos a felicidade como a busca do prazer, sim ela é efêmera, porque o prazer é efêmero, não é possível sentir um prazer contínuo. Mas, se a definição da felicidade for construir uma vida com amor, com ligação, com afeto, com sentido, com propósito e com significado, sim, aí há potencial para que a felicidade dure muito tempo. Depende de quais são as necessidades ou os desejos que tu tens de suprimir para definir a tua felicidade. E como já vimos, isto depende também muito do teu estado de evolução de consciência.  

Então, mas como é que eu me livro deste pecado de desvalorizar a felicidade?  

Duas dicas: primeiro valoriza a felicidade, e segundo, valoriza-a sem a perseguir. Houve alguém que deu um exemplo de que a felicidade é tipo um gato, quando tu o persegues ele tem tendência a fugir e depois quando tu sossegas e estás tranquilo na tua vidinha, a fazer aquilo que tu gostas, ele acaba por se aproximar de ti. Ou seja, esta perseguição da felicidade, muitas vezes, é a razão da infelicidade. E nota que à tua volta há uma série de pessoas que vivem da tua infelicidade, porque o que é que seria da indústria, do consumismo e de tanta publicidade se tu fosses feliz? Se tu te sentisses feliz, provavelmente não irias ceder ao impulso capitalista de comprar coisas que tu achas que te vão fazer feliz, pelo menos momentaneamente. Há pessoas que acham que para ser feliz é preciso ser magro, por isso a indústria do emagrecimento, há pessoas que acham que para serem felizes têm de ser mais bonitos, daí a indústria da beleza, e tantas outras indústrias que vivem à custa da nossa infelicidade. Então, perseguir a felicidade é expormo-nos um pouco à tentação desta indústria que vive à custa da nossa infelicidade. E é preciso, também, estar atento a isto. 

      2º pecado: Perseguir a Superioridade 

O segundo pecado capital da felicidade é perseguirmos a superioridade, esta ideia de que precisamos de ser melhores do que os outros. De facto, a ideia que nós precisamos de ser melhor que os outros está-nos enraizada desde muito cedo: “tens de ser o melhor aluno, tens de ser o mais bonito, tens de ser o mais bem-comportado”.  

Eu acredito que nós humanos já viemos equipados com algum senso de competitividade e depois esta ideia de que temos de competir uns com os outros é-nos muito estimulada na nossa socialização primária, pelos nossos pais e pelos nossos pares. Então é daí que vem esta ideia da superioridade, e é por isso que nós a perseguimos.  

O que acontece é que isto é uma armadilha, porque ao buscarmos esta superioridade, no fundo, vamos permanecer num ambiente de comparação. O problema é que, sobretudo nos dias de hoje, aquilo que nós vamos comparar é o melhor que os outros mostram publicamente, com o pior que nós vemos em nós. Então esta comparação nunca vai ser justa e nunca vai ser igualitária, então tu vais sempre ter a tendência a pensar que precisas de fazer muito mais esforço para atingir o nível que o outro mostra e que se calhar ele também não tem. Portanto, isto é uma armadilha e uma armadilha perigosa.  

A solução para este pecado é encontrares um sentido e deixar a vida fluir. Encontrar um sentido para a vida é muito interessante porque faz-nos anular um pouco aquela sensação de vazio que, em algum momento, todos nós sentimos. Eu estou a falar de encontrar um propósito, encontrar uma missão. 

Então para te ilustrar um pouco isto, eu vou-te falar de um médico judeu austríaco, que foi preso em Auschwitz, em campos de concentração nazis, durante a segunda grande guerra, e conseguiu sobreviver. Durante o tempo que ele lá esteve, além de trabalhar nos campos de concentração e estar sujeito aos trabalhos forçados como todos os outros prisioneiros, no fundo ele acabou por tentar observar porque é que algumas pessoas sobreviviam àquelas condições de tanta dificuldade e outras não. Aquilo que ele concluiu é que o que faz as pessoas superarem essas dificuldades é a visão de algo que venha mais além.  

Portanto, ver as coisas a longo prazo, ver o sentido da vida, e não focar apenas no passo a seguir, ajuda-nos a relativizar as dificuldades do dia-a-dia. Esta é uma forma de facto de nós conseguirmos vencer este hábito de tentar perseguir a superioridade que, no fundo, é tentar ser melhor que o outro já, já amanhã.  

Não importa se és melhor que o outro, não importa tu comparares-te com ninguém, importa que tu sigas o teu próprio caminho, e que sigas o sentido que queres que a tua vida leve. Para isso é preciso que tu descubras e que tenhas consciência desse sentido. Este é o primeiro sentido.  

O outro sentido é praticares a gratidão, é observares mais as coisas que tens de positivo. Como eu te dizia há pouco, nós temos a tendência de olhar para dentro e ver ou sobrevalorizar as coisas negativas que há em nós. Isto é normal porque, de facto, as coisas que são negativas são as coisas que podem representar eventualmente algum perigo. Mas, na verdade, nós podemos agradecer muitas coisas: 

  • Conseguimos respirar; 
  • O nosso coração continuar a bater; 
  • Temos um abrigo, um teto; 
  • Temos alimentação e podermos tomar e escolher o que comemos ao pequeno-almoço todos os dias; 
  • Podermos escolher a roupa que vestimos todos os dias, 
  • Na maioria dos casos, temos água quente em casa, eletricidade, TV cabo, Netflix (tantas vezes), internet; 
  • E tantos outros confortos que a vida de hoje nos proporciona. 

Portanto, vamos tentar praticar a gratidão, que é prestar mais atenção ao muito que temos em vez de prestar ao pouco que nos falta e que muitas vezes nós nem sequer sabemos o que é que é. Então é isto, é mudar o mindset e praticar a gratidão, agradecer as coisas positivas que a vida nos oferece.  

Em seguida, praticar a autocompaixão. No fundo a autocompaixão não é a autocomiseração nem é termos pena de nós. Autocompaixão é a autoaceitação, ou seja, é aceitarmo-nos como somos, com todas as condições que temos, é aceitarmos a nossa história e a nossa condição. Mas atenção, que aceitar não significa resignar, pelo contrário. Aceitar significa que nós somos capazes de olhar de frente para nós mesmos, sem que isso nos cause um conjunto de emoções negativas que nos faça afastar a visão daí.  

Portanto, podemos observar-nos com mais nitidez, com mais clareza e, com base nesta observação e deste diagnóstico da realidade, nós podemos implementar medidas que nos façam melhorar mais no sentido da nossa própria vida, no sentido de alcançarmos então o nosso propósito e cumprirmos aquilo que nós sentimos que é a nossa missão. Então a autocompaixão é também muito interessante e é uma via alternativa para o conceito clássico da autoestima que quanto a mim, está perfeitamente desatualizado.  

3º pecado: A necessidade de ser amado ou, pelo contrário, a necessidade de estar sozinho

Então, o outro pecado é a necessidade de ser amado, ou, pelo contrário, a necessidade de estar sozinho. A necessidade de ser amado demonstra dependência emocional, e nós temos tendência a rejeitar ou até a desrespeitar quem tem este tipo de tendência. São as chamadas pessoas pegajosas que nós não queremos assim muito. Por causa desta dependência colocamo-nos muitas vezes em situações de relacionamentos errados.  

Como nós somos tão dependentes de relacionamentos com os outros, tornamo-nos menos seletivos no processo de escolha dos nossos relacionamentos e por isso é que nos colocamos tantas vezes em relacionamentos errados. Isto acontece com bastante frequência e vai-se tornando num padrão repetitivo na tua vida, quase que andar a mendigar o apoio dos outros. Depois colocamo-nos na dependência de relacionamentos errados, muitas vezes até verdadeiramente tóxicos, até acabarmos por perder o respeito por nós próprios. Então cuidado com isto, cuidado com este perigo, que é a necessidade excessiva de ser amado.  

Por outro lado, ficar sozinho pode parecer tentador em teoria, porque favorece a autonomia e a liberdade. Contudo, muitas vezes, isto é um estilo de comportamento que nos permite apenas sermos evasivos, onde evitamos compromissos duradouros. Isto tem muito a ver com o estilo de vinculação que vamos estudar a seguir. Pode até parecer que as pessoas que são mais solitárias são mentalmente mais fortes, mas, acredites ou não, isto é uma máscara que as pessoas põem para esconder este estilo de vinculação evasivo que é menos saudável e com o qual as pessoas sofrem, e sofrem bastante. Elas simplesmente não conseguem confiar nas pessoas. A realidade é que nós, seres humanos, somos animais sociais e para estarmos completos nós precisamos do contacto social e de promover a interação social com os outros. Então, estas pessoas não conseguem obter a ajuda das outras pessoas ou, mesmo que consigam obter a ajuda dos outros, não conseguem valorizar essa ajuda. Isto vai resultar numa grande insatisfação, e esta é uma das razões pelas quais as pessoas tendem a estar permanentemente insatisfeitas, pois simplesmente não conseguem apreciar nada, não conseguem apreciar os outros e muito menos conseguem reconhecer que precisam deles.  

Então, o antídoto para resolver este pecado duplo – a necessidade de ser amado ou a necessidade de estar sozinho – é criar um estilo de vinculação segura. Mais à frente neste programa vamos falar bastante sobre os estilos de vinculação, para que tu possas, de facto, alcançar este estilo de vinculação segura com o qual tu vais produzir melhores relacionamentos e também muito mais bem-estar para ti.  

Outro mecanismo que nós podemos utilizar para nos livrarmos destes pecados é o altruísmo, ou seja pormos as outras pessoas à frente, dar-lhes prioridade, aprendermos a valorizar os outros e orientarmos a nossa vida para gerar valor para as outras pessoas. Isto é bonito e resulta para nós próprios, porque resulta numa sensação de uma grande ligação. E é muito interessante, que tu quando começas a ligar-te a outras pessoas, acabas por suprir uma das grandes necessidades do ser humano que é a necessidade de pertença e a necessidade de ligação, uma vez que nós somos animais sociais e, de facto, não conseguimos viver sozinhos. Então, quando deixamos de ser a nossa prioridade e começamos a acrescentar valor nas outras pessoas de forma consciente, nós vamos conseguir então criar estas ligações mais consistentes.  

 

      4º pecado: Ser controlador 

Então o 4º pecado é ser controlador, e ser controlador é uma coisa que origina a rejeição por parte do outro. Ninguém gosta de ser controlado, tal como eu penso que tu não gostarias de ser controlado. Eu estou a falar do comportamento, por exemplo, do ciúme excessivo, daquele comportamento obsessivo-compulsivo de vigiar tudo o que a pessoa faz, as horas a que chega, as horas a que sai, o que é que veste, etc. Pronto, com mais ou menos exagero, isto vai acabar por destruir os nossos relacionamentos, porque as pessoas vão ficar de pé atrás em relação a nós. E isto é uma das razões pelas quais este pecado de ser controlador acaba por contribuir para a nossa infelicidade, porque de imediato vamos ter tendência a ser rejeitados por parte dos outros que não gostam de ser controlados. Por outro lado, ainda, causa-nos um certo stress, que chamamos de stress de poder, ou a ilusão de que temos de ser responsáveis por tudo e por todos. Assim, nós como somos controladores assumimos esta posição de poder e isto traz-nos a responsabilidade de cuidar de tudo e de toda a gente, e depois não conseguimos lidar com isso. Por último, este hábito de ser controlador também nos impede de conseguirmos partilhar decisões com outras pessoas e, por isso, vamos ter de assumir estas decisões e estas responsabilidades sozinhos.  

Então, como antídoto a este pecado capital da felicidade o que se sugere é que tu assumas a responsabilidade pela tua própria felicidade, que aprendas a dar espaço aos outros para assumirem o mesmo e que os ajudes quando os outros precisam ou quando te pedem ajuda.  

Um segundo antídoto é o desenvolvimento e prática de ferramentas de inteligência emocional. Assim, é importante reconhecer as emoções e os desejos que originam estas emoções, bem como aprenderes a lidar com as tuas emoções. Quando tu aprendes a reconhecer e a lidar com as tuas emoções tu também vais aprender automaticamente a reconhecer as necessidades emocionais dos outros, e isto é então aquilo que chamamos de inteligência emocional, fundamental para abandonares este hábito de seres controlador.  

Por último, deves assumir a liderança pela tua própria vida na construção de um estilo de vida que seja saudável para ti. Preocupa-te com a tua vida. Não raramente, estas pessoas que são excessivamente controladoras acabam por se esquecer delas próprias, são aquilo que se chama pessoas hétero diretivas, ou seja, elas dirigem os outros, mas esquecem-se de se dirigir a elas mesmas. Então, a sugestão aqui é que essas pessoas possam assumir a liderança da sua própria vida e que possam construir um estilo de vida saudável para elas mesmas. 

       5º pecado: Desconfiar dos outros 

Um outro pecado capital é desconfiar dos outros, e a confiança é muito importante para as nossas relações interpessoais.  

O QUE É QUE É ISTO DA CONFIANÇA? 

A confiança é nós sermos capazes de acreditar que o comportamento dos outros nos será favorável ou, pelo menos, não nos será desfavorável. Por outro lado, a desconfiança, que é a falta de confiança, vai ser uma fonte de stress, de medo e de isolamento. Então, as pessoas que estão mais desconfiadas perante a vida são aquelas pessoas que vivem em completa catástrofe, que estão sempre à espera que alguma coisa de muito má lhes aconteça, estão sempre assustadas com alguma coisa.  

Então, qualquer tipo de comportamento, qualquer tipo de movimento à sua volta vão interpretá-lo imediatamente como um ataque ou como um perigo. E isto conduz muitas vezes ao isolamento porque estas pessoas acabam por agredir, defensivamente, pessoas à sua volta que estão claramente inocentes. Estas pessoas inocentes não fizeram nada para não merecerem a sua confiança, mas como estas pessoas desconfiadas estão permanentemente à espera que algo de muito grave lhes aconteça, qualquer movimento das outras pessoas vai ser interpretado como um ataque. Estes ataques defensivos levam os outros a afastar-se e, portanto, as pessoas que são desconfiadas acabam por se ver frequentemente sozinhas e isoladas, e continuam assustadas e a stressar com isso.  

Portanto, este é um pecado capital que nos impede de alcançar a felicidade e que também tem um antídoto, aliás, também tem aqui um conjunto de antídotos. O primeiro dos antídotos é minimizarmos os riscos, ou seja, é confiarmos desconfiando. Raj Raghunathan fala-nos da confiança inteligente, ou seja, confiar desconfiando, minimizar os riscos, confiar, mas de uma forma controlada.  

Depois, compreender que as pessoas normalmente são confiáveis, e para demonstrar isto Raj Raghunathan refere um estudo científico que foi feito, onde carteiras que foram propositadamente abandonadas, e a maioria das pessoas que encontraram essas carteiras devolveram-nas ainda com dinheiro dentro. Portanto, a maioria das pessoas, acredites ou não, são confiáveis.  

A próxima dica é uma máxima estoica, ou seja, é “espera o melhor, mas prepara-te para o pior”. Assim, prepara-te para o pior que te possa acontecer, mas sem colocares isso como uma condição permanente pois tu estás preparado. E esta preparação não tem a ver com bloqueios ou barreiras de segurança à tua volta. Tem a ver com a tua capacidade de reagires positivamente caso alguma coisa te aconteça. Começa a confiar na tua capacidade de ser resiliente e de recuperares caso as pessoas traiam a tua confiança. E o que é certo é que isso às vezes vai acontecer, vai haver alturas na tua vida em que tu vais ser enganado e isso não tem nada a ver contigo. Não te sintas culpado porque a outra pessoa te enganou. Quando as pessoas te enganam tem a ver com a supressão de necessidades delas que tu, muitas vezes, não conseguiste compreender. E portanto, o primeiro passo para te conseguires libertar disto é tentares compreender por que é que a pessoa te enganou, perceber quais foram os valores, quais foram as necessidades da pessoa, que são necessariamente diferentes dos teus, mas que levaram a pessoa a este comportamento que traiu a tua confiança ou que não te foi favorável.  

E por último, perdoa, deixa ir, não alimentes um ressentimento dentro de ti. Muitas vezes as pessoas são enganadas e alimentam um ressentimento e uma raiva para toda a vida. É normal que se crie raiva, pois esta surge na sequência da frustração de uma expectativa e é evidente que todos nós temos a expectativa de sermos respeitados, de não sermos enganados pelas pessoas que estão à nossa volta e, sobretudo, pelas pessoas de quem gostamos e que achamos que gostam de nós. Mas o que é certo, é que isso às vezes acontece.  

Contudo, se isso acontecer tenta compreender e perdoar, não deixes que esse ressentimento fique no teu coração. Este ressentimento significa, mais ou menos, tu tomares um veneno e ficares à espera que o outro morra. Sim, depois de tu seres enganado, já te fizeram mal, tu não mereces fazer esse mal a ti próprio também pois o ressentimento é um veneno altamente corrosivo do qual tu tens de te libertar, portanto, deixa ir, perdoa.  

Mas não te esqueças, uma pessoa que trai ou engana uma vez, na presença dos mesmos estímulos, poderá voltar a enganar-te. Contudo, isso não quer dizer que tu não possas dar-lhe uma segunda oportunidade, isso é uma escolha e decisão tua, mas não te esqueças que essa pessoa te enganou e que teve este comportamento para contigo. Uma pessoa que faz uma coisa uma vez, na mesma presença dos mesmos estímulos, pode voltar a repetir o mesmo comportamento. Teres consciência disso é estares preparado para o que possa acontecer.  

6º pecado: Desconfiar da vida

O 6º e penúltimo pecado é o de desconfiar da vida. É acharmos que a vida é muito difícil e complicada, que tem muitos problemas, que é só trabalhar e pagar contas, e que qualquer coisa muito má pode acontecer a qualquer momento e que se calhar não vamos estar preparados. Assim acabas por viver nesta desconfiança da vida, viver na iminência de uma catástrofe, e deves libertar-te disto.  

E a dica para te libertares deste pecado é encontrares uma paixão real para tu viveres. Quando tu vives desconfiado da vida é porque tu não encontraste a paixão verdadeira pela vida, não encontraste aquilo que torna a vida maravilhosa, que é esta paixão. Tem muito a ver também com a questão do sentido de propósito.  

Depois, lembra-te de construir a resiliência. Quer tu queiras quer não, vão acontecer coisas más na tua vida, é inevitável. O que importa não são as coisas más que te acontecem, pois se tu reagires positivamente estas coisas negativas normalmente tornam-se fontes de oportunidade. Por isso tenta encarar as coisas com resiliência, com esta atitude de compreender que tu podes controlar a tua reação perante o que te acontece. Isso é uma responsabilidade tua, mas não podes controlar aquilo que te acontece. Desenvolve esta resiliência, esta capacidade de recuperar o teu caminho. Isto consegues mais facilmente quando tens uma visão de propósito, uma visão do sentido e da missão para a tua vida.  

Por último, constrói autoconfiança, e a autoconfiança é muito fácil de construir. A autoconfiança basicamente constrói-se quando tu vais cumprindo com as promessas que fazes a ti próprio. Portanto, fala a verdade a ti próprio, não te enganes a ti mesmo. Esta é a minha grande dica para tu não desconfiares da vida.  

Às vezes, nós temos a tendência a minimizar as dificuldades ou a ter excesso de expectativas e, claro, isto vai tornar a vida muito difícil, não te enganes a ti próprio. Constrói autoconfiança, e a autoconfiança resulta de cumprires com as promessas que fazes a ti próprio. 

       7º pecado: Ignorar a voz interior 

O 7º pecado é ignorar a voz interior, ou seja, ignorar a nossa intuição, os nossos desejos, as nossas necessidades, as nossas emoções e ignorar uma certa sabedoria interior ou um inconsciente coletivo que nos toca e que sabe mais ou menos para onde é que nós nos deveríamos orientar e aquilo que realmente é importante para nós. Nós temos tanta tendência a ignorar.  

E, por outro lado, muitas vezes fazemos coisas que vão contra a nossa consciência, os nossos valores e os nossos princípios. Depois acabamos por ser perseguidos por estas ideias e por este arrependimento. O arrependimento é um sentimento muito mau para o ser humano, talvez dos piores sentimentos que um ser humano possa experimentar.  

Então, a dica é não ignores a tua voz interior e a forma como tu tens para fazeres isto, é tu compreenderes e tu estares atento à tua voz interior. Aqui há algumas estratégias. Primeiro, alinha-te pelos teus valores, pelos teus princípios, por aquilo que é a tua ética. Isto é, basicamente, as definições do terreno de jogo do qual tu nunca deves sair.  

Se tu és honesto nunca faças nada que vai contra a honestidade. Por muito que o resultado disso seja imediatamente, aparentemente favorável, a médio longo-prazo essa consciência vai-te perseguir. Portanto, nunca faças as coisas fora deste limite dos teus valores. Alinha-te por este teu conjunto de valores e pela tua ética. Esta conduta e estas normas de conduta já estão dentro de ti e não são questionáveis, são coisas muito próprias. Os valores pessoais não são, simplesmente, questionáveis.  

Depois, para conheceres melhor estes teus valores e necessidades, tens de conhecer-te melhor a ti próprio. Estuda-te, fica atento a ti mesmo, percebe-te a ti mesmo. Estares neste programa também já é uma demonstração de que tu estás nesse caminho de te conheceres a ti mesmo e de quereres mais de ti, queres resolver as tuas situações/questões internas, queres potenciar as tuas capacidades.

Por último temos o mindfulness. Vou-te falar das técnicas de atenção plena. Basicamente o mindfulness é um estado de atenção ou até um treino da atenção para podermos depositar a atenção no aqui e no agora, naquilo que está a acontecer neste momento. Se tu reparares, grande parte dos teus medos e receios são em relação ao teu futuro, e em relação ao teu passado o que existe são culpas e ressentimentos. Estas culpas manifestam-se sob a forma de ressentimentos, se calhar algumas vergonhas. Mas isto não importa. Não importa estarmos a pensar no passado e no futuro. Portanto, a forma como tu tens para esvaziar o lixo da tua mente e para te concentrares naquilo que é essencial, é centrares a tua atenção no momento presente. A partir desta observação vai ser mais límpido, tu vais poder olhar para dentro, tu vais compreender com mais clareza o que é que é realmente importante para ti.