Neste artigo, vamos falar sobre a construção da autoconfiança. Como é que tu podes desenvolver autoconfiança?  

Antes de te dar algumas dicas para desenvolveres a autoconfiança, deixa-me definir o que é que isto é: o que é a autoconfiança? 

Autoconfiança é uma expectativa positiva sobre o teu comportamento, o teu desempenho ou o resultado que tu vais ter, no teu dia a dia. Essa expectativa pode ser sobre determinados objetivos, sobre determinados estados que tu vais alcançar ou sobre o teu próprio processo de evolução. Se focares a tua atenção num determinado objetivo ou numa determinada expectativa, vais ser escravo destas expectativas. Aquilo que te sugiro é que comeces por lançar o teu futuro sobre o teu processo de evolução, ver o teu futuro como um processo de evolução contínua. Assim, desta maneira não há nada a perder. Qualquer coisa que possa acontecer de certeza que virá em nome dessa evolução. Se te abrires a esse caminho de evolução natural da vida, desde logo ficas com muito mais autoconfiança e com muito melhores expectativas, em relação àquilo que te pode acontecer. 

Prometi que te deixava aqui algumas ideias, sobre como podes desenvolver a autoestima. Então, a primeira coisa que eu acho que tens de fazer é ser otimista. Abrir campo na tua mente para que as coisas corram bem, imaginar cenários em que as coisas corram bem. Muitos de nós passamos muito tempo com preocupações e com receios, em relação ao que pode acontecer no futuro, e inventámos, assim, mil e um filmes sobre coisas negativas que poderiam acontecer, mas que, na verdade, na maioria das vezes não aconteceu. Nós previmos mas não aconteceu. Há uma frase engraçada, que diz que: “Hoje é o amanhã, de que tivemos medo ontem”, mas de facto, parece que é comum em todos os seres humanos, ou na generalidade dos seres humanos, ter receios em relação ao futuro e passamos muito tempo a prever as coisas que podem correr mal. Porém, sê otimista, as coisas podem correr bem e espera, de facto, que corram bem. Isto fica mais fácil quando te focas nesta via da evolução; tudo virá por bem e tudo trará uma mensagem. Tudo fará parte desta imensa viagem, que é a vida, e tudo vai contribuir para que tenhas um melhor desempenho e um melhor resultado no futuro. 

Por outro lado, também é preciso ser pessimista - algumas pessoas diriam que é preciso ser realista. É preciso estar preparado para que as coisas corram mal. Há uma lei, a Lei de Murphy - que é muito conhecida, sobretudo na engenharia, na informática -, que basicamente diz que o que há para correr mal vai correr mal, no pior momento possível, portanto, não há nada a fazer em relação a isso. Há coisas que, de facto, vão correr mal e temos de estar preparados para isso, preparados para superar estas dificuldades que, naturalmente, nos vão surgir. Eu chamo-te só à atenção que, neste contexto, estar preparado para superar dificuldades não tem a ver com fazeres uma lista de todas as coisas que podem correr mal e fazeres um plano sobre o que é que vais fazer em cada uma destas possibilidades. Isso seria alimentar, de facto, o pessimismo de uma forma extrema. Não é isso que te estou a propor, não sobre aquilo que vais fazer se as coisas correrem mal, mas o que é que tu queres ser, como é que tu queres ultrapassar estas dificuldades. Esse sim, é um exercício bastante mais simples, se pensares que queres enfrentar as tuas dificuldades com determinação, com coragem, com foco naquilo que podes aprender e naquilo que podes evoluir com elas. Vai ser muito mais fácil conseguires superar e avançar. “Faz pelo melhor e prepara-te para o pior”, esta grande máxima Estóica que nos ajuda, há mais de 2500 anos, a enfrentar a vida com maior determinação e com maior realismo, se quiseres.  

Nesta jornada para aumentar a autoconfiança, também faz sentido que aprendas a bastar-te a ti próprio. Sabes, uma das grandes razões pelas quais nós não confiamos em nós próprios é porque achamos que estamos dependentes de outras pessoas, seja emocional, financeira ou até mesmo fisicamente. A verdade é que todos os seres humanos estão programados para ser autónomos e para se desenrascarem sozinhos. Nós conseguimos bastar-nos. Isto também é uma forma de evitar o perigo de colocares na mão do outro o que faz diferença para o teu sentimento de autoconfiança. Não importa qual é o teu emprego, o teu nível de rendimento, como é que está o teu relacionamento, etc., tudo isto são questões externas. Muito menos importam as críticas dos outros e os reparos que as pessoas fazem em relação à tua vida. Elas não sabem de facto, quais são as tuas dificuldades, quais são os teus desejos e motivações. Elas não compreendem, de facto, qual é a tua realidade. Portanto, aprende a bastares-te, a completares-te, a não dependeres de ninguém, muito menos dependeres da aprovação externa ou estares sujeito à crítica externa. Desconfia da opinião dos outros.  

Seguindo esta jornada para aumentarmos a autoestima, igualmente faz sentido observarmos o nosso diálogo interior. Todos nós temos, no nosso interior, duas vozes: uma voz que nos empodera, que nos dá força, que acredita em nós; e a outra voz, que é uma voz sabotadora, que diz que não somos capazes e que tu não podemos ou que, se calhar, nem merecemos. Todos nós temos estas duas vozes, dentro de nós, e neste diálogo interior vai ganhar ou vai falar mais alto a voz que for mais alimentada. Quem decide qual é a voz que alimenta és tu, dentro da tua mente. Somos nós que decidimos qual é a voz interna que vamos alimentar: a voz que nos dá poder e que nos faz acreditar ou a voz que nos faz duvidar e que nos sabota dia após dia. A escolha é mesmo nossa. Muitas vezes nós decidimos não decidir, ou seja, deixamos que as coisas sejam simplesmente resolvidas por si próprias, acabamos por tomar uma decisão inconsciente de dar mais valor ou mais voz, mais força, à voz sabotadora. É importante que tenhas consciência deste diálogo interior, para manteres um equilíbrio, um balanço positivo. Dar força àquilo que te faz acreditar, àquilo que te faz, de facto, mover e avançar.  

Continuando esta jornada para a obtenção da maior autoconfiança, é importante também que cada um de nós seja capaz de cultivar emoções positivas. As emoções positivas podem vir através de: elogios que fazemos a nós próprios; de celebração de pequenas conquistas, que nós vamos alcançando ao longo do nosso dia a dia - todos nós alcançamos, de uma forma ou de outra, pequenos objetivos e pequenas conquistas todos os dias -; do sentimento de gratidão, que tanto reposiciona a nossa mente em termos positivos. Há uma frase que diz que ”prestamos mais atenção ao pouco que nos falta, do que ao muito que temos”. Então, ser justo e também prestar atenção e ser grato por tanto que temos, pela vida extraordinária que, muitas vezes, nós já temos. De facto, há coisas a melhorar, mas começar por ser gratos por esta oportunidade de estarmos vivos e de continuarmos com esta maravilhosa experiência, que é a vida.  

Por fim, não menos importante, diverte-te, liga-te às pessoas de quem gostas, faz as coisas que gostas de fazer. É uma forma, também, de celebrares a vida pela positiva. Tu mereces tempo para ti e tempo para te dedicares às coisas que te fazem sentir bem e mais divertido.  

Ainda nesta grande caminhada para aumentar a nossa autoconfiança, é importante também que nós sejamos capazes de prestar atenção à nossa postura física. Ela determina muito a geração das nossas emoções. Se nós andamos cabisbaixos, deprimidos e sem energia, o corpo vai perceber esta falta de energia, esta falta de prontidão para a vida e vai, então, fazer com que te descaias e a tua autoconfiança não vai ser muito grande. Neste estado, não vais confiar muito nos recursos que tens disponíveis. Por outro lado, se ergueres a cabeça - não para cima, não te estou a sugerir que andes com o nariz empinado, mas o queixo paralelo ao solo -, os ombros ligeiramente recuados para trás, o peito aberto para fora; se calhar, até treinar, alguns minutos por dia, a posição do super-homem, que eu recomendo tantas vezes, aos meus clientes de coaching, e entretanto, enquanto isso, rever sentimentos positivos. Isto pode ser importante para nós desenvolvermos, uma postura física que seja mais combativa, que seja mais confiante e a criar mais  recursos físicos e psicológicos, para enfrentar o nosso dia a dia, com mais autoestima.  

Continuando esta caminhada para criarmos mais autoconfiança, é importante também compreenderes que o contrário de confiança ou de autoconfiança é a insegurança. Então, tenta compreender em que situações é que te achas inseguro, em que situações é que essa insegurança se manifesta: o que é que estás a fazer; em que situações; em que grupos; seja nos relacionamentos; seja com amigos; seja profissionalmente; seja nos diálogos internos. Em que situações e o que é que te faz sentir inseguro?  

Por outro lado, pensa também naquilo que te dá confiança, naqueles momentos em que te sentes de facto, determinado, objetivo, que sentes que és capaz, que consegues e que podes alcançar o que desejas. Faz este balanço, é um exercício até interessante para se fazer: numa folha de papel, dividindo a meio, fazer o balanço daquilo que me deixa inseguro, daquilo que me dá confiança.  

Seguindo neste caminho para a geração de autoconfiança, é importante agora, também, remover as interferências. O que é que faz com que nos sintamos menos confiantes. Será o cansaço? Serão os hábitos, os padrões? Os comentários externos? Os medos? As incertezas? Tenta perceber o que é que, no teu dia a dia, interfere com a tua autoconfiança e te retira autoconfiança.  

Como é que tu podes reduzir estas interferências?  

Imagina que te sentes cansado, se calhar, podes-te deitar mais cedo. Se te sentes com pouca energia, se calhar, podes rever a tua alimentação. Se te sentes com pouco tempo, se calhar, podes rever as tuas tarefas. Então, como é que podes reduzir estas interferências, que te retiram a autoconfiança. 

Depois, tenta compreender se é mesmo preciso remover essas interferências. É mesmo necessário? Elas impedem-te realmente? Quanto é que elas te impedem? E faz outro exercício, também, que é tentar perceber quais são os pequenos benefícios, os pequenos luxos de que tu vais beneficiando, ao manter estas inferências. Imagina que és das pessoas que chega a casa, muito cansada e que se senta no sofá, durante 1h30m, a fazer zapping no Netflix. O que é que tu ganhas com isto? Que pequenos prazeres, que pequeno colinho é que tu ganhas com isto. Será que isto é importante, ou será que é mais importante que tu tenhas mais autoconfiança? Este balanço vai-te ajudar a tomar decisões mais claras.  

Continuando, então, este caminho para criares mais autoconfiança, eu sugiro que agora, faças uma lista dos teus recursos, das coisas que tu gostas de fazer, de coisas que gostas de aprender, de coisas que gostarias de fazer e não fazes, que gostarias de aprender e não aprende,s e de experiências que gostarias de ter e não tens. E dedica-te a isto, dedica tempo aos teus interesses, àquilo que realmente te importa,. Dedica tempo a ti próprio, isto vai ajudar de uma forma decisiva, para que tu sintas, não só mais autoestima, mas também bastante mais autoconfiança. 

Continuando esta maratona para aumentar a nossa autoconfiança, eu sugeria-te agora que te abrisses à aprendizagem. A vida é um processo contínuo de aprendizagem, de evolução, de novas experiências e, de facto, são estas novas experiências que nos trazem a sabedoria, para irmos fazendo cada vez melhores escolhas. Fica preparado para as circunstâncias do dia a dia e para as coisas que vais enfrentar. Tenta planear também, com alguma antecedência, as dificuldades que vais enfrentar e utiliza as dificuldades que vais encontrando, e que não sabes muitas vezes como superar, para aprenderes como oportunidades, para aprenderes a lidar com elas, de uma forma mais eficiente. Abre-te à aprendizagem, abre-te ao desenvolvimento, abre-te à evolução. É muito importante isto, para que possas construir sucessivamente mais autoconfiança.  

Avançando nesta jornada para alcançar mais autoconfiança, o que eu te sugeria agora era que confiasses na Natureza e se observares na Natureza, tudo acaba por acontecer de uma forma positiva, não é? A Natureza acaba sempre por transformar qualquer caos numa ordem. O normal é que as coisas corram bem e se componham. Nada é definitivo, mas tudo tem o seu tempo, portanto, sê paciente também, para esperar pela Natureza e dedica-te a fazer a tua parte, a parte que tu podes fazer para catalisar e impulsionar as mudanças que são necessárias, enquanto confias que a vida te trará as respostas, que tu muitas vezes ainda não tens.  

Talvez a dica mais importante deste processo de construção de autoconfiança seja esta: entrar em ação - evita esta paralisação por excesso de análise, este ruminar de pensamentos, esta tentativa de tentar prever tudo aquilo que pode correr mal e de que formas podíamos reagir, se a coisa corresse mal; fazer estes filmes, que todos nós fazemos. Evita isto, evita esta paralisação e faz, toma a iniciativa, faz acontecer.  

Curiosamente, passamos muito tempo a prever coisas que podem correr mal, que normalmente não correm assim tão mal, porque fazemos esta previsão, ainda sem metermos a mão na massa. Nós, de facto, não conhecemos o processo, não conhecemos o caminho e só poderemos entrar nele quando partirmos para a iniciativa e começarmos a entrar em ação. Exercitando a nossa postura, alimentando também os nossos pensamentos, as nossas emoções positivas, criando novos hábitos e novas rotinas, que nos possam levar a um caminho de superação contínua e de crescimento. Quando estamos alinhados com isto e quando sentimos que este crescimento está a ser, de facto, uma evolução contínua e crescente, nós desenvolvemos uma fonte imensa de autoconfiança.  

Então, em resumo, alguns pontos a que deves prestar atenção, para desenvolveres a autoconfiança: ser otimista; ser pessimista; aprender a bastares-te a ti próprio; observar o teu diálogo interior; cultivar emoções positivas; atenção à tua postura física; identificar, com clareza, o que te dá confiança e o que te faz sentir mais inseguro; remover as interferências e os pequenos confortos que estão associados a elas; valorizar as tuas forças e os teus recursos; abrires-te à aprendizagem e, finalmente, mais importante de tudo, entrar em ação 

Aproveita, entra na ação agora, começa hoje, não deixes para amanhã. Começa hoje, já, a questionar as tuas rotinas, a questionar os novos hábitos e compromete-te que amanhã vais ser diferente. Faz uma lista de pontos, como tu gostarias de fazer e vai introduzindo progressivamente estas pequenas mudanças, porque é isto que te gera, na verdade, grande autoconfiança.  

Espero que este artigo tenha sido útil. Desculpa, que talvez tenha sido um pouco longo, mas senti que era necessário, para te dar mais recursos, mais ferramentas, para tu poderes, de facto, alimentar ou criar, gerar, este sentimento tão importante para a vida humana e para o ser humano, que é a autoconfiança.