O que é a felicidade? 

Se tu és um ser humano normal, tu queres alcançar a Felicidade. Tu pensas nisso, pelo menos de vez em quando, ainda que, se calhar, até já tenhas deixado de acreditar que é possível. Mas sim é possível, dependendo daquilo que a felicidade significa para ti. Então antes de tentarmos encontrar um caminho para a felicidade, vamos tentar encontrar uma definição para a felicidade. E isto é o que vamos fazer neste artigo.  

Então o que é que é a felicidade? Parece que todos os seres humanos querem encontrar a felicidade, mas ninguém sabe exatamente o que é que ela significa. Só que enquanto nós não soubermos o que é que significa a felicidade, nós não só não vamos encontrá-la, como corremos o risco de encontrá-la e não saber que a encontramos.  

Vamos então tentar perceber o que é que é a felicidade e tentar perceber o que é que ela significa exatamente para ti. 

Para que tu possas orientar a tua vida para esta construção, porque eu acredito que a felicidade pode ser efetivamente construída, e para que possas perceber o que é se a encontrares ou quando a encontrares, há uma pergunta muito engraçada que é: Quanto feliz tu serias se fosses feliz?  

Da mesma forma, para te ajudar a encontrar a resposta para o que é que é a felicidade, temos de mergulhar nesta pergunta. E a forma como temos para mergulhar nesta pergunta, é fazendo mais perguntas. Então, se calhar, começamos com alguns questionamentos e depois, mais à frente, vou-te dar algumas ideias sobre como é que tu podes encontrar a felicidade, ou pelo menos, como é que outras pessoas a definiram. 

Mas, o grande objetivo deste artigo é que tu possas definir com o máximo de precisão possível, o que é que a felicidade é para ti e quais os ingredientes para essa construção da felicidade.  

Boas perguntas, normalmente, trazem boas respostas. Então, cá temos algumas perguntas sobre o que é que é a felicidade, no sentido então de explorar esta questão, de nos questionarmos, à procura das respostas mais concretas e que façam mais sentido para ti: 

  • Será que a felicidade é a ausência de dor e uma vida só com prazer? 
  • Será que a felicidade é simplesmente o bem-estar? 
  • Será que a felicidade é um estado de alegria permanente? 
  • Será que a felicidade é simplesmente a harmonia e a paz interior? 
  • Será que é um estado de plenitude com a vida? E se for, o que é que seria a plenitude com a vida? O que é que isso significaria na prática? 
  • Será que a felicidade é uma sorte que só acontece a algumas pessoas? 
  • Será que a felicidade é uma atitude? E se for uma atitude, que atitude é essa, que atitude é que faria de nós felizes?  
  • Será que é uma competência? Será que é alguma coisa que nós precisamos de saber e não sabemos? Então, que competências seriam essas que iriam fazer de nós pessoas mais felizes? 
  • Será que a felicidade é ter tudo o que se quer? Ou será que é mais querer tudo o que se tem? 
  • Será que a felicidade é um destino, ou uma forma de ser e uma forma de estar? 

Então, estas são algumas perguntas que eu coloquei aqui no sentido de ajudar a definir o que é que é a felicidade para ti. Mas para te ajudar ainda mais neste questionamento, eu vou-te dar algumas ideias. 

Eu fiz um apanhado de algumas ideias da Religião e da Filosofia para te tentar ajudar a encontrar a tua própria definição. De facto, este tema da felicidade já é pensado pela Humanidade há muito tempo, e os grandes filósofos e líderes religiosos já pensaram sobre isto, e importa saber então a que pensamentos e conclusões é que eles chegaram sobre o que é que é a felicidade para eles.

Então começando pelo princípio, começamos por Zoroastro. Zoroastro é o pensador e filósofo mais antigo que se conhece, e é também o fundador da primeira religião que se conhece. Esta religião chama-se Zoroastrismo e ainda hoje é praticada e seguida por muito poucas pessoas. Sendo a primeira das grandes religiões e o primeiro sistema do pensamento organizado conhecido pela humanidade, o Zoroastrismo acabou por ser também influenciador e impulsionador da criação de outras religiões, nomeadamente o hinduísmo e o judaísmo que depois acabou por se desenvolver na tradição judaico-cristã.  

Zoroastro então dá uma definição da felicidade que é muito alinhada com a questão do desejo, porque basicamente o que ele diz é tudo aquilo que um Homem poderia sonhar e desejar nessa altura: um lugar ao abrigo do fogo e dos animais ferozes, uma mulher, filhos e rebanhos de gado. Portanto, basicamente uma ideia muito simples, mas que se traduz na concretização dos maiores desejos que um Homem poderia ter há 3000 anos atrás.

Lao Tsé é o fundador também de uma grande corrente religiosa e filosófica que é o Taoísmo, uma tradição que se baseia no culto da harmonia com a natureza, diz que Felicidade é a harmonia em si. Então, felicidade é harmonia e a harmonia na vida pode ser alcançada através da união com o Tao, ou seja, com as forças da natureza. O Lao Tsé acreditava que a vida organiza-se segundo determinadas regras e determinadas leis, e se o ser humano se alinhar e organizar a sua própria vida em função destas leis da natureza então ele vai conseguir ter uma vida harmoniosa, e esta harmonia vai então produzir a tal felicidade. É um contributo interessante e sem dúvida a ter em conta.

Depois, contemporâneo do Lao Tsé, viveu Confúcio, que também criou uma religião chamada Confucionismo. Hoje em dia o Confucionismo é a religião mais praticada e com mais seguidores na China. A felicidade segundo Confúcio, pode ser alcançada através do cumprimento do dever, da cortesia, da sabedoria e da generosidade. Então, na prática, o que o Confúcio nos diz é que felicidade é um estilo de vida que pode ser alcançado através destes fatores. Também um ponto de vista interessante, sem dúvida, a ter em conta.

Buda, criou o Budismo que é uma religião que nasceu a partir do reconhecimento de que o ser humano sofre e, portanto, é preciso e urgente encontrar uma via para a cessação do sofrimento. Foi essa a grande tentativa que Buda fez. Para Buda a felicidade é a ausência de sofrimento, e o que causa maior sofrimento ao ser humano é o desejo não satisfeito e, por isso, é que nós devemos superar o desejo. Esta é, pelo menos, a filosofia de Buda. O questionamento que eu coloco aqui é, se o desejo é a nossa grande fonte de vitalidade e de vida, a nossa grande fonte de energia vital, então como é que nós poderemos viver sem o desejo?  

Então para conseguirmos responder a isto, é preciso compreender que há vários tipos de desejo: o desejo físico, o desejo emocional, o desejo cognitivo ou mental e o desejo espiritual. Então, basicamente, é preciso transcender estes desejos, o que não quer dizer rejeitá-los de todo. É preciso tentar compreender quais são estes desejos e quais são os desejos de facto mais importantes, e é engraçado estabelecer um paralelismo entre estes desejos e o estádio da vida em que nós estamos, ou seja, o estádio da evolução de consciência. Aliás, o Budismo fala-nos muito desta questão da evolução da consciência e, sem dúvida, que tem um grande contributo para o estudo da consciência e da sua evolução. Quanto maior for o grau de consciência em que tu estás, mais elevada também será a natureza do teu desejo. A via para a superação do desejo é a via da elevação da consciência.

Dalai Lama, que é o representante vivo do budismo, sobretudo do budismo tibetano, com a sua forma sempre muito própria é um homem muito inteligente e um homem muito mental. Então ele diz que a felicidade é uma questão aritmética, é uma questão mental, no sentido de ser necessário primeiro identificar quais são as razões que nos fazem infelizes e quais são as razões que nos fazem felizes. Então, depois é só uma questão de tentar eliminarmos as razões da infelicidade e promovermos as razões da felicidade. É um exercício mental. Isto também indica algumas coisas sobre o estado de consciência do Dalai Lama, porque efetivamente, para superarmos estes desejos mais físicos que são os que nos dão mais problemas, nós precisamos de evoluir.  

Todos os seres humanos acabam, de uma forma ou de outra, por encontrar a felicidade na satisfação dos seus desejos. O que acontece é que alguns desejos, sobretudo, aqueles mais primários, os mais físicos, acabam por nos meter em problemas. Nós pela satisfação destes desejos acabamos por nos meter em problemas. Com isto quero dizer que, se calhar, estamos à procura da felicidade naquelas que são as razões para a infelicidade. Então, é preciso evoluir em termos de consciência para percebermos quais são os desejos mais importantes.  

À medida que a tua consciência vai evoluindo, vai evoluindo também a natureza dos desejos que são mais prioritários para ti. Esta organização vai-te permitir ter maior clareza daquilo que, de facto, te faz feliz ou daquilo que te faz infeliz, e então vais conseguir fazer esta operação quase aritmética que o Dalai Lama te propõe.

Um outro pensador a ter em conta é Aristóteles, o pai da ciência moderna e do questionamento, que originou a ciência tal como ela se conhece hoje em dia. Então, o Aristóteles diz que a felicidade é um estado durável de emoções positivas e a via que ele propõe para a criação destas emoções positivas é através da vivência das virtudes, nomeadamente as 11 virtudes aristotélicas para uma vida melhor. Aristóteles também nos trás um princípio da justa medida, ou seja, o excesso de virtude também é pecado.

Epicuro, o fundador de uma filosofia que se chama Epicurismo, que é a vivência dos prazeres mundanos, diz que a melhor maneira de alcançar a felicidade é através da satisfação dos desejos de uma forma equilibrada, que não perturbe a tranquilidade. É interessante a atualidade deste pensamento, com mais de 2600 anos, e a pertinência que este pensamento continua a ter nos dias de hoje. De facto, alcançamos a felicidade através da satisfação dos desejos, mas com equilíbrio. Uma vez mais, a questão da justa medida ou do caminho do bem que propunha Buda, é o tal 8 e 80 que é tradicional na nossa cultura. Então, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra” como costumamos dizer. Epicuro diz que vamos viver orientados para a satisfação dos desejos, mas de uma forma equilibrada para que isto não nos tire a tranquilidade. Sem dúvida que é um contributo que pode ser interessante para a construção da tua definição do que é que é a felicidade para ti. 

Zenão de Cítio, contemporâneo do Epicuro, é o fundador do Estoicismo, corrente filosófica que inspirou Roma e que a fez crescer de uma forma tão acelerada. Esta corrente baseia-se num princípio de que não importa quais são as circunstâncias, importa a tua reação perante as circunstâncias. Assim, segundo Zenão de Cítio, a tranquilidade é o meio para se alcançar a felicidade, e esta pode ser alcançada através do autocontrolo e da aceitação da vida, ou seja, aceitar as circunstâncias e controlar a tua reação. E isto vai-te fazer gerar tranquilidade, e esta tranquilidade é a felicidade. 

Por sua vez, Jesus Cristo, claramente outro grande pensador e que deixou o seu testemunho na Humanidade, é o grande fundador da sociedade Ocidental tal como ela se conhece, tão influenciada pela religião Cristã. Ele diz que o amor é o elemento fundamental para se atingir a harmonia que é a felicidade. Ou seja, a felicidade também é a harmonia para Jesus Cristo, e esta harmonia é alcançável através do amor. Infelizmente não há muita definição daquilo que é o amor, mas o amor Cristão parece ser a fraternidade, a bondade, a compaixão e a aceitação dos outros.  

Estes são alguns dos indicadores que de facto inspiram o estilo de vida de Jesus Cristo e que depois inspiram também o estilo de vida de, pelo menos, os primeiros Cristãos, que constituem aquilo que é o amor para Jesus Cristo. Isto vai trazer então harmonia, e esta harmonia vai gerar felicidade. Também sem dúvida, um contributo indispensável. 

Quem já não ouviu falar também de Sigmund Freud? Esse grande fundador da psicanálise. Se calhar um dos grandes impulsionadores da psicologia moderna, a psicologia seguramente não seria o que é hoje sem o Freud. Então ele diz que a felicidade total não é possível porque ela resultaria da satisfação plena de todos os desejos.   

A questão aqui é que o desejo é insaciável para Freud pois o ser humano não é capaz de saciar o seu desejo. E ainda bem que não é, porque o desejo é a fonte de vida, é o nosso combustível interno, é a nossa fonte de querer mais, de querer evoluir, de querer viver, de querer alcançar coisas, de querer alcançar estádios diferentes, de esperar coisas diferentes, de fazer por coisas diferentes. O desejo é a nossa maior fonte de motivação e, sobretudo, também de motivação para a própria vida. Sem o desejo, sem a supressão do desejo o ser humano não vive, simplesmente sobrevive. O que acontece então em relação ao desejo é que o desejo é insaciável porque nós queremos sempre mais e é isto que nos faz evoluir, é isto que nos faz crescer, mas também é isto que nos faz ter vontade de viver. Lá está, uma vez mais, com a tal justa medida, com o tal caminho do meio, o ponto intermédio entre o mar e a terra, ou entre o 8 e 80, podia estar então aqui a solução para este enigma do que é que é a felicidade.  

 

Mais recentemente outra corrente filosófica, que é a Psicologia Positiva, vem dizer que a felicidade é a predominância de emoções positivas que podem ser alcançadas através de condicionamento interno. Aqui temos um dado novo. A Felicidade é a predominância de emoções positivas, como já tínhamos visto outras pessoas a pensarem no passado, mas estas emoções positivas podem ser alcançadas através do condicionamento interno, ou seja, nós podemos nos condicionar para criar emoções positivas. E a via que a psicologia positiva nos indica é, então, a criação de pensamentos positivos dos quais a gratidão assume um papel fundamental e, além disto, também a atitude de fazer o bem, de fazer bem feito, e de fazer bem para as outras pessoas.  

Isto vai ser muito gratificante para nós, vai ser uma fonte de emoções positivas, e esta predominância das emoções positivas, vão gerar então o tal estado que nós chamamos de felicidade. A Psicologia Positiva propõe uma via rápida para nós alcançarmos este condicionamento, que é fingir ser feliz. Pode soar a falso, mas uma vez ouvi um mestre de yoga do riso, a dizer: “finja, finja, finja, até que atinja”, e é um pouco isto.  

Fingir ser feliz é uma forma de nos condicionarmos para sermos felizes. Uma das razões pelas quais nós não somos felizes é porque nós, de facto, passamos muito tempo com a ideia de que não somos felizes e por isso temos que procurar e encontrar a felicidade, temos que suprimir determinado desejo, muitas vezes sem sequer reconhecermos esse desejo ou sabermos exatamente do que é que estamos à procura ou o que é que estamos a querer encontrar. Contudo, ficamos um pouco agoniados e um pouco desesperados porque queremos alguma coisa que não sabemos bem o que é, e então queixamo-nos, reclamamos, e acabamos por entrar num ciclo de condicionamento negativo, que condiciona a nossa mente para a criação de estados de emoções negativas, de tristeza, e de angústia.  

Esta proposta que pode soar a falso, mas que resulta e que tem um resultado bastante rápido, é começar a fingir que és feliz. A proposta é parar de reclamar e começa a observar as coisas boas que existem. 

Nós passamos muito tempo a pensar no pouco que nos falta e esquecemo-n

os, muitas vezes, de agradecer o muito que temos. Então, finge que és feliz! E isto vai ser uma forma de tu condicionares a tua mente, para criar então o tal estado de felicidade. 

Então, estes são alguns contributos, pensamentos e questionamentos para te ajudar a construir a resposta a esta pergunta:  

O QUE É QUE É A FELICIDADE? 

E esta resposta deve ser construída individualmente, é uma resposta que tu tens de encontrar em ti mesmo.  

O que é que é a felicidade para ti? O que é que seria para ti ser feliz? Quando tu souberes a resposta a estas perguntas, tu vais ter o caminho facilitado para a construção então da felicidade. Se nós não a conseguimos definir é difícil que a possamos alcançar. E como disse no início, se calhar, quando a alcançarmos se calhar nem vamos dar conta que a alcançamos.  

Então eu convido-te a questionar: o que é que é a felicidade para ti?