Neste artigo quero falar-te sobre o medo do julgamento. Como é que este medo se instala em nós, e como é que nós, nos podemos libertar dele?  

Então, o medo do julgamento, no fundo, é o medo de não sermos aceites, sim, e isso para nós é muito importante, não tem a ver só com a questão da rejeição e, se calhar, às vezes, até da ferida emocional da rejeição, mas tem a ver com a necessidade de nós sermos integrados num grupo, de criarmos ligações e essa é das maiores necessidades que o ser humano tem em termos emocionais, que é a necessidade de criar ligações com outros seres humanos. 

A outra grande necessidade que o ser humano tem, é a necessidade de se poder exprimir tal como ele é, de poder ser tal como ele é, então basicamente, em termos emocionais, nós temos estas duas necessidades fundamentais: a necessidade de sermos aceites, sermos integrados e podermos ligarmo-nos ao outro e, por outro lado, a necessidade de nos podermos manifestar tal como somos.  

Então basicamente o julgamento surge aqui como uma oposição na nossa mente, porque nós ainda estamos “programados”, biologicamente, ainda estamos programados para buscar a aceitação dos outros, buscar a aceitação do grupo. Sim, se é verdade que hoje em dia o ser humano consegue viver independente — não isolado, naturalmente, do resto da sociedade — mas de uma forma independente, sem ter a necessidade direta de outras pessoas, a verdade, é que durante quase toda a nossa evolução, durante 200,000 anos da nossa evolução, enquanto espécie humana, nós dependemos muito da proteção do grupo, do afeto do grupo, da ligação ao grupo, sim até mesmo para construir a nossa própria identidade. Então e, por outro lado, também, se nós não estamos a ser aceites, significa que nós não vamos ter um espaço, não vamos ter um palco para nós manifestarmos quem somos, porque essa também é uma, das outras nossas necessidades fundamentais.  

Então e como é que tu te libertas afinal deste medo do julgamento? 

Compreendido então como funciona este processo em termos mentais, tu vais perceber que basicamente o que está ali a condicionar, é o medo da rejeição, o medo de não poderes ser aceite pelo outro, mas hoje em dia, nós vivemos num mundo de oportunidades, se tu tens a certeza e estás seguro de que o teu comportamento é correto e que está alinhado com as tuas crenças e com os teus valores, tu precisas de encontrar pessoas que valorizem as mesmas coisas, tenham crenças parecidas contigo. Eu chamo a isto, procurar a nossa turma, porque muitas vezes nós nascemos num determinado meio, ou vivemos num determinado meio com o qual não nos identificamos, esse meio não valoriza exatamente as mesmas coisas que nós valorizamos, e por isso, é um meio com preferências diferentes e com valores diferentes, isto significa então que, é um meio que vai ter tendência a estabelecer uma diferença com aquilo que nós somos e por isso vai tender a criticar-nos e a não nos julgamos e portanto, a exporemo-nos mais à questão da rejeição.

Se tu tens a certeza então dos teus valores e estás convicto dos teus ideais, eu convido-te a largar esse medo do julgamento, largar a zona de conforto, largar esses ambientes em que tu te sentes mais constrangida e com  mais medo de ser julgado e procurar a tua turma. Eu gosto também de dar um exemplo, que é o exemplo do patinho feio, que nasceu num determinado ambiente, nasceu numa determinada família, onde era tratado com indiferença, um ser com menos valor, se calhar diferente, se calhar até assustador de alguma forma e ele então partiu numa jornada para encontrar a sua tribo, a sua família e então pôde finalmente ser feliz.  

Então basicamente, a solução para tu te libertares do medo do julgamento, é tu teres confiança naquilo que são os teus valores;  as tuas crenças; os teus ideais e a tua própria personalidade, confia em ti próprio e saí da tua zona de conforto, sai do ambiente onde estás e vai procurar pessoas que valorizem as mesmas coisas, vai procurar então a tua tribo.  

Agora, vou-te propor um exercício de balanço.  

Sabes, quando as lojas ou as empresas fecham para balanço, para fazer uma contagem daquilo que têm e daquilo que supostamente deveriam ter?  

Gostaria, então, que pensasses qual é o balanço que fazes, entre as coisas que te fazem bem e as coisas que te prejudicam, na tua vida, no dia a dia. Ia pedir-te para falares especificamente de pessoas que te fazem bem e de pessoas que te fazem mal, ou seja, que te prejudicam e que, mesmo assim, vivem no teu ambiente.  

Depois, a questão dos hábitos: que hábitos tens, desde que te levantas até que te deitas, passando por todos os momentos do teu dia a dia. Atenção que os hábitos são muitas vezes muito automáticos, nós entramos literalmente em piloto automático. Portanto, tentar compreender exatamente quais são os hábitos que te prejudicam e quais são os hábitos que te estão a beneficiar e a acrescentar valor.  

As tuas atitudes, perante as situações do dia a dia, também são muito importantes para perceberes quais são as que te acrescentam valor e quais são as atitudes que te retiram valor.  

E por último, eu gostava que tu pensasses nas tuas atividades, na forma como geres a tua vida e as atividades a que te propões. Quais são aquelas que te acrescentam valor e quais são aquelas que te retiram valor?  

Então vá! Este balanço de ativos e passivos vai-te permitir ter maior clareza sobre a tua vida e vais ver que, depois deste exercício, vais tomar algumas decisões e algumas conclusões muito facilmente.  

O processo para fazer este exercício é muito fácil, basta que pegues numa folha de papel em branco e que escrevas: pessoas, hábitos, atitudes e atividades que te acrescentam valor e que te retiram valor.  

Vais ver que ficas com um quadro muito fácil de perceber, muito fácil de ler. É muito fácil, depois disto, tomares decisões que possam, de facto, orientar a tua vida para um aumento de valor.  

Estamos juntos. Eu espero que tenhas gostado, comenta e se calhar, partilha algum insight que tenhas tido.