Um outro termo que é muito utilizado, é o do autoconceito. Agora, este autoconceito, há-de ser sempre um construto hipotético, ele nunca é 100% realista, porque é muito condicionado por muitas coisas.  

Aliás, tudo o que é verdade nunca é absoluto. Eu costumo dizer que a verdade é como um diamante, ela tem várias faces. E o facto de uma face estar mais brilhante, não significa que ela seja mais brilhante de facto, ou seja, o facto de uma face do diamante estar a brilhar mais num determinado momento não significa que ela seja a face mais brilhante, significa que é aquela face sobre a qual está a incidir a luz, e, portanto, se nós rodarmos o diamante outras faces vão manifestar este brilho. 

Por isso, é fundamental, que nós não nos deixemos ofuscar pelo lado que mais brilha e tentemos ver vários aspetos da realidade, só assim é que podemos construir uma realidade de uma forma fidedigna. 

Este autoconceito é, então, a imagem que temos de nós próprios, e que vai ser construída, sobretudo, através dessas 4 coisas:

- Da forma como os outros nos observam e como os outros nos vêm; 

- Do desempenho que nós temos em situações específicas; 

- Da comparação que fazemos com outras pessoas; 

- E do alinhamento com aquilo que são as normas sociais; 

Portanto, estes 4 aspetos vão influenciar de sobremaneira a construção deste autoconceito e isto leva-nos aqui a outro tema, que é o tema da Janela de Johari, que é um tema muito interessante da psicologia.  

Os 4 pontos da Janela de Johari, ferramenta conceitual, criada por Joseph Luft e Harrington Ingham em 1955.

  • Um que é aquilo que eu conheço e que os outros conhecem, ou seja, o eu público. 
  • O outro que é o que eu desconheço, mas que o outro conhece, ou seja, o “eu cego”, onde eu não sou capaz de ver esta parte de mim. 
  • Um outro quadrado que é o que eu conheço e que os outros desconhecem, ou seja, o “eu secreto”. 
  • E por fim, há também um “eu desconhecido”, que é o que eu não conheço e que os outros também não conhecem. 

Portanto, é preciso contar sempre com esta nossa incapacidade de ver a totalidade, porque de facto há uma zona que há-de ser sempre desconhecida. Teremos sempre de nos contentar com aquilo que nos é possível conhecer.  

Então, a construção da autoconsciência é um exercício complexo, que tem de ser feito de uma forma consciente e permanente. Nós estamos em permanente evolução, e, portanto, temos de fazer este exercício de uma forma permanente, de maneira a termos clareza do que é que somos em cada momento. Eu relembro uma frase do Mário Cortella, que diz que “o homem não nasce pronto para se ir gastando, ele nasce não pronto para se ir fazendo”. 

E este processo de autoconstrução é permanente, assim como tem que ser, então, o processo da autoconsciência. Esta autoconsciência é uma forma de nós condicionarmos este auto-crescimento em direção àquilo que nós queremos ser.  

Quanto maior for a nossa autoconsciência, melhores vão ser também estes aspetos da nossa vida, que são tão importantes. 

Em suma, quanto maior for a nossa autoconsciência, maior é a nossa liberdade, a liberdade de sermos quem nós de facto somos, e assumirmos quem somos, porque como nós andamos sempre aqui a compararmo-nos uns com os outros, parece que até somos cegos, que andamos a tentar guiarmo-nos pelas pessoas que estão à nossa volta. Se nós não temos consciência do nosso universo interior, nós vamos tender a confiar nos outros e a pensar que os outros são mais certos do que nós. 

E isto não é verdade, porque o que importa para a construção da tua felicidade e do teu próprio bem-estar é aquilo que é certo para ti num determinado momento.