...só uma pequena parte é visível (consciente).

Este gráfico mostra que o consciente representa cerca de 10%, mas não é possível saber se são 10% ou 15%. Há pessoas que falam em 5%, há pessoas que falam de 3%, mas não é possível saber isto pois não é possível saber a totalidade do que está inconsciente e o quanto é que isto ocupa no todo. Mas esta imagem serve para explicar que, de facto, nós só vemos a ponta do iceberg, só vemos uma pequena parte. O resto nós desconhecemos: ou desconhecemos em absoluto, ou desconhecemos em grande parte. Então, esta imagem mostra-nos 3 níveis: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente, sendo que, o pré-consciente já faz parte do inconsciente, sendo a sua franja superior. 

O que está consciente é aquilo que nós vemos, é o nosso comportamento, o nosso pensamento, as nossas capacidades e as nossas habilidades. Já o pré-consciente são as crenças e valores, este inconsciente individual: as sensações, as memórias, os conhecimentos, etc. Na camada mais profunda do inconsciente estão os processos de identidade, de afiliação, a questão do legado, os medos, as necessidades, os impulsos, as motivações, as memórias em relação à infância e também os fatores hereditários.  

Aquilo que é certo é que quanto maior o nosso autoconhecimento, maior é a nossa liberdade para conduzir a nossa vida, e isto faz todo o sentido. Se eu não sei que recursos é que tenho dentro de mim, eu não consigo conduzir a minha vida, ainda por cima quando estes recursos partilham parte da gestão do meu ser comigo.  

Ou seja, se eu não trago para a consciência aquilo que são os meus medos, as minhas crenças, os meus valores, as minhas necessidades, etc., como é que é possível que eu possa fazer uma gestão de mim próprio, quando estas coisas - este universo, que no fundo é motivador de toda a questão emocional - vai ter uma influência, quer na minha perceção, quer nas minhas decisões, quer no meu comportamento. 

Se eu não tenho consciência daquilo que está inconsciente, eu não vou conseguir governar-me.  E é por isso que é muito importante nós conhecermo-nos. Só assim é que nós podemos governarmo-nos.  

E atenção: construir esta autoconsciência é uma responsabilidade individual; ou nós o fazemos ou então vamos ceder a este inconsciente coletivo e vamos seguir o efeito manada e as nossas vidas vão ficar ao “Deus-dará” basicamente. Portanto, a construção da autoconsciência - que se faz pela via do autoconhecimento - é uma responsabilidade de cada um de nós. 

É um processo muito complexo o da construção da autoconsciência. Conhecermo-nos a nós próprios, é muito, muito difícil. E é muito difícil porque para construirmos uma ideia fidedigna daquilo que nós somos, nós temos que ter em conta vários aspetos. Posso apresentar aqui uma lista de alguns aspetos que são importantes, mas com certeza, serão mais, nomeadamente: a herança genética, a herança cultural, a personalidade, a história individual de cada um, as experiências que passamos, os conhecimentos que vamos adquirindo, os grupos a que pertencemos, que também têm muita influência sobre nós, as relações atuais e passadas (que também nos deixaram influência), as características físicas de cada um, os nossos pensamentos, os nossos sentimentos, as nossas emoções, as nossas crenças, os nossos valores, os nossos hábitos, os nossos comportamentos, as nossas necessidades, os nossos sonhos, os nossos desejos. 

Portanto, estás a ver que há aqui muitas peças de um gigantesco puzzle para construir uma ideia mais fidedigna daquilo que nós somos. Todas estas peças vão-se agrupar sobretudo, em seis grandes grupos, em seis grandes domínios: 

1) o ambiente que nos rodeia e que nos tem rodeado; 

2) os aspetos cognitivos, que têm a ver com os nossos pensamentos; 

3) as nossas necessidades; 

4) as nossas emoções; 

5) o nosso corpo; 

6) os nossos desejos.  

São estes 6 aspetos que, de uma forma sistemática, é importante nós conhecermos para termos uma ideia, o mais aproximada possível, daquilo que nós somos, ou seja, para termos maior autoconsciência.