Neste artigo vamos falar sobre o processo de construção da realidade e as formas de representação da realidade que é um assunto muito especial e muito importante para o coaching. 

Quando queremos produzir resultados temos sempre que partir de alguma situação atual. Entender a forma como nós observamos a situação atual e como ela se construiu é absolutamente fundamental para compreender a de que modo podemos criar uma nova realidade.

Por outro lado, vamos também abordar uma pirâmide que desenvolvemos na metta.pt para te explicar o processo de formação da realidade e o que é que condiciona a formação das circunstâncias em que as pessoas vivem. 

Em relação à questão da construção da realidade: será que a realidade é mesmo aquilo que nós vemos? Ou será que é um pouco diferente? 

Há uma questão curiosa desenvolvida por Helena Blavatsky, autora russa que viveu no século XIX. Ela dizia que a verdade não existe e se ela existir há-de ser muito parecida com um diamante. O diamante tem muitas faces, então aquela que te parece a face mais brilhante é a face onde está a incidir a luz. 

Por outro lado, também nunca consegues ver todas as faces do diamante em simultâneo, ou seja, a face mais brilhante pode até não ser a mais brilhante, mas apenas é aquela sobre a qual está a incidir a luz. Por outro lado, pelo facto de estares a ver algumas faces do diamante nunca vais conseguir vê-las todas, ou seja, terias de rodar para conseguir ver um diamante na sua totalidade.  

Assim é também com a questão da realidade.  Já te deve ter acontecido, que num determinado momento tinhas uma perceção de uma determinada circunstância, e por alguma razão essa perceção que tu tinhas dessa circunstância alterou-se, passado algum tempo ou num outro momento. Isto acaba por tornar fácil de perceber porque é que as pessoas têm uma diferente perceção da realidade de umas para as outras; é preciso avaliar a partir da posição percetual de cada indivíduo.  

O mapa não é o território 

Para perceber a forma como nós construímos a realidade, e como é que nós construímos também a nossa posição percetual, vamos falar também sobre este princípio, sobre o que é “o mapa não é o território”. 

Trata-se de um princípio da programação neurolinguística que é muito utilizado para explicar os sistemas de representação da realidade. Da mesma forma que não consta do mapa todas as coisas que existem num determinado local - existem só as coisas que estão assinaladas no mapa, normalmente as estradas e pouco mais - quando nós observamos a realidade nós não temos toda a realidade, só vamos escolher alguns pontos que para nós são mais importantes. 

Um mapa, por exemplo, para um mineiro, para um caçador ou para um militar imagino que tenham especificidades diferentes. Porque depende muito do interesse para o qual a pessoa está a direcionar. 

Da mesma forma, então, cada um de nós constrói o seu mapa - o seu mapa mundo, se quiseres - que tem a ver com o seu sistema de representação em que vai identificar aquilo que, de facto, é mais importante consoante os seus interesses. 

Portanto, a observação da realidade depende sempre do ponto de vista do observador e da posição percetual do observador.  

Vamos agora falar sobre o modelo da construção da realidade, ou seja, como é que nós construímos a realidade. 

Este é um exclusivo da metta.pt, no qual temos trabalhado ao longo destes anos para criar uma forma para explicar como é que nós criamos a nossa realidade e depois também podemos desconstruir camada a camada.  

A realidade que nós vemos é sempre uma pequena pontinha de um iceberg. Ela construiu-se através de um processo que teve uma série de condicionamentos.  

Então que condicionamentos serão esses? O que é que precedeu à situação em que tu vives hoje?  

Desde logo precedeu a ação. 

A ação precede a realidade, ou seja, determinados comportamentos e determinadas ações produzem determinados efeitos que depois se consubstanciam naquilo que é a realidade. 

Também podes dizer “há muitas coisas que não dependem de mim, não dependem da minha ação”. Sim, não dependem da tua ação, mas dependem da tua reação àquilo que são as tuas circunstâncias. Ou seja, a forma como tu reages às circunstâncias é que vai criar então esta tua realidade. 

Mas antes da ação houve um processo de decisão racional ou emocional, consciente ou inconsciente.  

Isto quer dizer duas coisas:  

Primeiro, o racional ou emocional. Há quem diga que todas as pessoas tomam decisões emocionalmente e depois justificam-na com razões, ou seja, criam razões para justificar essa decisão que foi tomada por impulso.  

O segundo aspeto é se a decisão é consciente ou inconsciente, porque há muitas pessoas que dizem: “ah, eu não decidi, não fui eu que tomei essa decisão”. Nós tomamos sempre uma decisão, muitas vezes tomamos a decisão de não decidir e isso é completamente inconsciente e involuntário naturalmente, mas vai produzir o mesmo efeito; conta na mesma como uma escolha, como uma decisão, e por isso, vai produzir o mesmo efeito e os mesmos resultados. Vai originar ou vai desencadear uma ação, um conjunto de ações ou de comportamentos, que depois vão criar determinada realidade.  

Mas então, o que é que precede a estas decisões? Ou seja, como é que nós recolhemos material para tomar estas decisões? Como recolhemos as variáveis da equação na qual depois vamos tomar então essa decisão? Como é que isto se condiciona?  

Meditação -

Este processo nós chamamos de perceção. Esta perceção também é muito influenciada pelo conjunto de crenças que o indivíduo tem. As crenças incluem todos os conhecimentos, todas as experiências. O conjunto de crenças que nós trazemos hoje começaram a ser geradas quando nós ainda éramos crianças, por isso normalmente muitas delas foram criadas antes de nós estarmos conscientes de alguma coisa.  

O que acontece é que as crenças têm esta capacidade de se tornarem verdades absolutas, ou seja, são verdades que nós não questionamos e que tendemos a comprovar. Para nós aquilo em que acreditamos é verdadeiro e aquilo em que nós não acreditamos não é verdadeiro. Aquilo que se opõe àquilo que nós acreditamos é uma coisa para afastar. 

Já reparaste que a grande maioria dos conflitos que existem entre as pessoas e entre os estados, entre os países e entre os grupos têm a ver com a questão das crenças. São as crenças, então, que nos unem ou que nos separam. Portanto, elas fazem parte da nossa identidade cultural coletiva, mas também da nossa identidade individual.  

No aspeto da identidade individual, as crenças podem-nos condicionar de uma forma absolutamente decisiva, (haveremos de distinguir entre o que serão crenças potenciadoras e crenças limitadoras). As crenças fazem parte da nossa personalidade.  

Além disto, criam-se também os valores. Os valores que vamos acumulando ao longo da vida, que nos são transmitidos inicialmente pelos nossos pais e depois pelos processos de socialização. Vamos percebendo o que é que é certo e o que é que é errado. Vamos aprendendo a valorizar determinadas coisas ou determinados comportamentos. Os valores são na realidade um modo de mediação social de forma a ajustar o indivíduo também às sociedades em que vivem, portanto, são muito balizadas também pelos contextos culturais.  

Embora o conjunto de valores seja muito vasto, há valores que são comuns à grande maioria das pessoas, a questão da justiça, a questão da humanidade, a questão da verdade, a questão da liberdade, da independência, são valores que são muito comuns à maioria dos seres humanos. É evidente que a forma como nós ordenamos estes valores é diferente de pessoa para pessoa e isto vai constituir também um pouco da nossa personalidade.  

Depois há outro nível, que é o nível dos desejos. Os desejos do ser humano. Podíamos também chamar-lhe sonhos, porque na verdade os sonhos são apenas desejos que estão a espera de ser concretizados, estão à espera de se manifestar e à espera de uma oportunidade para se transformarem em realidade. Neste nível dos desejos já começamos a entrar num campo muito pessoal e emocional que condiciona todo o nosso comportamento. 

Um outro nível, é o nível das funções da psique e das necessidades da psique. À frente vamos estudar isto em mais profundidade, mas basicamente temos quatro funções elementares da psique: a função sensitiva, a função emocional, a função mental e a função intuitiva. 

Cada uma destas funções traz necessidades associadas. O que quer dizer por exemplo, que as pessoas mais intuitivas têm uma maior necessidade de relevância, de se sentirem relevantes para os outros, de se sentirem importantes para os outros. As pessoas que são mais emocionais têm maior necessidade de ligação, de afeto; as pessoas mais mentais têm maior necessidade de desafio e de segurança; as pessoas mais sensitivas, por seu turno, têm maior necessidade de variedade.  

Todos temos estas quatro funções, por isso é natural que estejas a pensar: “ah, mas eu tenho todas essas necessidades”; todos temos. Da mesma maneira que nos valores, aquilo que vai ser diferente é a forma como nós ordenamos estas funções da psique e, por consequência, as necessidades que elas trazem associadas. 

Mas mais básico ainda do que isto, mais elementar do que isto, está a necessidade de ser amado e de ser aceite. Isto está muito gravado no nosso ADN. Somos seres sociais. Precisamos dos outros. Precisamos da aceitação dos outros e isto acaba por ser a justificação para muitas coisas que fazemos no nosso comportamento?