Este gráfico é demonstrativo do que é que é isto da assertividade, o que é que é isto de ser assertivo. Tem muito a ver com as questões dos níveis de atitude - podes ter uma atitude mais passiva ou mais agressiva - e se tiveres uma atitude mais passiva perante a vida tu vais ceder muito àquilo que são os desejos dos outros, e se for mais agressiva vais impulsionar-te sobretudo por aquilo que são os teus próprios desejos e ter a tendência de os impor aos outros.
A assertividade está entre estas duas coisas, ou seja, ser capaz de pesar ambas as coisas, os desejos dos outros e os teus desejos e ser capaz, então, de desenvolveres uma reação assertiva.
 Características das pessoas assertivas 

São honestas e comunicam de uma forma transparente. Isto exige muita segurança de si mesmo, muitas pessoas não conseguem ter este nível porque como são inseguras, estão inseguras de si próprias ou em relação às circunstâncias em que estão envolvidas, e assim não são capazes de ter esta comunicação clara, simplesmente porque reagem por impulso, ativam uma atitude mais defensiva e isso às vezes pode tornar-se agressivo. As pessoas assertivas são pessoas que de facto são seguras de si mesmas, são transparentes, têm uma comunicação fluída e impedem que o seu ressentimento crie raízes, ou seja, impedem que os seus ressentimentos, as suas memórias de coisas que aconteceram no passado, ou que até mesmo que os seus medos em relação ao futuro interfiram na sua capacidade de comunicar consigo mesmas e com os outros.

As pessoas assertivas evitam ser manipuladas, são caracterizadas por terem uma boa autoestima e um bom autocontrolo emocional, e uma atitude de respeito em relação às outras pessoas.

Um outro aspeto muito importante para a assertividade é a inteligência emocional e isto tem muito a ver com nós sermos capazes de identificar as nossas necessidades e ser capaz de identificar também as necessidades dos outros, mas, sobretudo, assumir com firmeza e clareza as nossas necessidades e de uma forma neutra reconhecer e aceitar as necessidades dos outros.  

Outro aspeto é a sinceridade, as pessoas não exageram, mas vivem a sua realidade tal como ela é, de uma forma mais transparente. 

Não menos importante, é a questão de obterem muita liberdade para se poderem manifestar, para poderem comunicar e para terem uma atitude realmente ativa, ou até mesmo pró-ativa, perante a vida e é isto que se deseja. Todos nós queremos ser assertivos. Isto também vai influenciar muito a forma como nós comunicamos com os outros, além de condicionar a forma como nós comunicamos connosco próprios, o nosso diálogo interno, também vai permitir, de facto, condicionar a forma como nós comunicamos com os outros.  

Aqui há este aspeto da comunicação assertiva, que eu também queria referir, que tem a ver com a nossa capacidade de aprender a entender o outro, também baseado na empatia, a nossa capacidade de ter embasamento, ou seja, estarmos seguros daquilo que estamos a falar e de conseguirmos refletir de uma forma aprofundada e reunir conhecimentos e de aprender coisas sobre os temas que queremos falar antes de nos pormos a dar palpites.  

Depois, outra questão, é desenvolver esta capacidade de ouvir na essência (princípios que vamos ver mais à frente da escuta ativa). Muitos de nós ouvimos para responder e não para compreender.

Também é preciso aprender a ser um bom intermediador, ou seja, ser capaz de gerir várias expectativas de várias pessoas, por exemplo nas situações de conflito, mas não só. É mesmo a gestão das expectativas de várias pessoas e as expectativas de mim próprio e as expectativas das pessoas que me rodeiam; isto é que é ser um bom intermediador. Depois ter atenção ao que dizemos, claramente buscar a evolução contínua e falar no momento certo e esperar o momento certo para tomar as atitudes certas? Isto é a comunicação assertiva. Temos aqui apresentadas várias características da assertividade que é uma qualidade muito importante, é uma competência muito importante, e cada vez mais importante nos dias de hoje.

Aqui temos este boneco para mostrar um bocadinho sobre como é que se poderia comportar uma pessoa com comportamento assertivo. Essa pessoa vai ficar bem se os outros estiverem bem, vai assumir que não é perfeita, vai assumir aquilo que sente, vai estar à vontade na relação com as outras pessoas, no cara a cara, no diálogo com as outras pessoas, vai manter uma atitude positiva, uma atitude responsável, uma atitude de honestidade e de confiança recíproca, sabes? Porque sem este comportamento assertivo nós não vamos confiar em nós próprios e, por isso, também vamos tender a não confiar nos outros.  

O comportamento assertivo também é caracterizado pela sinceridade, pelo controlo, capacidade então de nós percebermos que os outros têm direito de ser eles próprios independentemente de serem ou não parecidos connosco, de terem ou não valores parecidos com os nossos, terem ou não crenças parecidas com as nossas, e percebem que a sua vida é da sua responsabilidade e assumem correr os riscos que são necessários para alcançar os seus objetivos, de facto, de uma forma também ela própria assertiva.  

 Então, isto leva-nos novamente ao conceito da maturidade, e a maturidade é sobretudo a vontade de assumir a responsabilidade por nós próprios e pela construção da nossa própria vida.  

Maturidade também é ter uma vontade contínua de crescer, de aprender, de nos desenvolvermos, porque o que não está a crescer está a morrer, ou seja, quando nós achamos que já sabemos o suficiente, que já não precisamos de nos desenvolver, que já somos perfeitos, que como há muitas pessoas que dizem: “Ah quem gosta de mim gosta, quem não gosta que ponha na beirinha do prato” ou então “que vá andando”, é rejeitar esta necessidade de continuar a crescer e, portanto, quando deixamos de continuar a crescer. 

Isto não só não é um comportamento assertivo, mas é uma demonstração de falta de maturidade e é de facto um bloqueio ao nosso desenvolvimento pessoal porque, efetivamente, o que não está a crescer está a morrer.  

A questão da maturidade, há muitos séculos que é discutida em várias matrizes filosóficas. Na filosofia clássica, Aristóteles dizia que a perfeição é o meio-termo entre dois vícios; um por excesso, e o outro por falta - o ter aqui o tal “happy medium”. Aristóteles falava num termo que era “a justa medida”. A justa medida, então, é uma demonstração de maturidade.  

No estoicismo que é uma corrente filosófica um pouco mais tardia, mais ou menos contemporânea de Jesus Cristo, mas que nasce na antiga Grécia e que depois se vai disseminar pela Roma, eles defendiam também este princípio: “O que importa não é o que acontece, mas a forma como tu reages àquilo que te acontece”.  

E finalmente no budismo, também outra corrente filosófica que hoje nos entra no Ocidente, mas também alinhado com várias correntes Orientais, fala-se no princípio da equanimidade, a capacidade de não reagir perante as situações ou reagir de uma forma imparcial, neutra, isenta, sem alterar a situação em si, sem tomar partido da situação em si.  

A equanimidade é também o quarto estádio da meditação e é basicamente um estádio de pré-iluminação. No budismo também existe outro princípio que é o caminho do meio, que é muito paralelo à questão aristotélica da justa medida, e nós dizemos em bom português “nem tanto ao mar nem tanto à terra”, “nem 8 nem 80”; tentar encontrar aqui um caminho do meio.  

Sem esta maturidade, sem esta equanimidade, ou sem esta justa medida, se quiseres, nós não vamos conseguir amarmo-nos a nós próprios nem poderemos ser compassivos connosco próprios, aceitarmo-nos a nós próprios. 

E a condição essencial para que nós possamos evoluir e crescer é que aceitemos o ponto de partida. 

Dalai Lama tem esta frase, que é lindíssima:  

“Sem um sentido de equanimidade, amor e compaixão imparcial não pode sequer começar”  Dalai Lama 

Ou seja, não é possível haver amor, haver compaixão enquanto houver este julgamento, esta reatividade.  

Estes são alguns princípios que eu gostaria de deixar claros sobre a questão do crescimento. O crescimento é uma constante da vida, quando nós deixamos de crescer, começamos a morrer.  

E crescemos então neste sentido da maturidade, com esta capacidade de reagir com uma atitude mais isenta, não neutra, mas isenta e transparente e não tomarmos o nosso próprio partido, muitas vezes, nas situações que nos vão acontecendo na nossa vida. 

Só assim é que podemos ver as coisas de uma forma mais abrangente e só assim é que podemos então evoluir no sentido do amor e no sentido da compaixão.