Há muitas pessoas que me perguntam como fazem para controlar as emoções, e como é que fazem para lidar com a impulsividade. Neste artigo vamos abordar esse assunto.  

As emoções são, antes de mais, reações do nosso corpo aos nossos pensamentos. Os nossos pensamentos, por sua vez, como já vimos, são duvidosos, eles não são a realidade.  

Os nossos pensamentos são muito influenciados pelas nossas crenças, pelos nossos valores e pelas nossas necessidades. Portanto, a nossa perceção é sempre condicionada por estes fatores que são diversos. E também tem muito a ver com a questão das nossas experiências que, no fundo, também acabam por contribuir para o desenvolvimento das nossas crenças. Então, o nosso pensamento é questionável e saber disto é uma grande porta para conseguirmos depois controlar as emoções. Mas chamo a atenção para a importância da prática do condicionamento do nosso pensamento, e sobretudo do condicionamento da nossa atenção e do depósito da nossa atenção sobre o momento presente. Distanciarmo-nos do pensamento é muito útil por várias razões, desde logo, porque nós vamos conseguir observar o nosso pensamento com uma abordagem mais crítica e mais atenta, vamos conseguir desmontar o pensamento e vamos conseguir perceber, em cada momento, o que é que este pensamento nos quer dizer e que influências é que ele tem, que crenças é que estão a alimentar aquela perceção, que valores, que necessidades ou que vícios da nossa mente é que estão ali presentes. E à medida que vamos questionando o nosso pensamento vamos, no fundo, criando um distanciamento em relação a ele. 

 

Há vários autores que referem que é como que se estivemos a ver uma projeção de “slides” em que o teu pensamento são várias imagens que vão passando e se vão atravessando. No fundo, se tu estás a ver aqueles “slides”, tu não és o “slide”. Então o que é que isto quer dizer? Quer dizer que podes partir à descoberta, antes de mais, daquilo que tu és, porque afinal não és o pensamento, como nós tantas vezes nos identificamos com aquilo que pensamos, mas afinal não somos. Criando este distanciamento, criamos também um espaço de liberdade para tomar ações, porque os nossos impulsos nascem dos nossos pensamentos. Então se nós nos distanciamos do nosso pensamento, há um espaço de manobra no qual podemos recondicionar e podemos optar e fazer outra escolha.  

O pensamento vai alterar sobretudo a tua perceção da realidade. Mas se for questionado, podes ter então uma visão mais transparente daquilo que está a acontecer e perceber que, se calhar, a tua perceção pode estar errada e que merece um segundo olhar e que merece um pouco de mais atenção. Isto vai-te dar um espaço de manobra para poderes percecionar a realidade de uma outra forma.  

Uma vez munido de várias possíveis perceções da realidade, no fundo, vais poder tomar melhores decisões. Então, as emoções são, antes demais, reações do nosso corpo aos nossos pensamentos. Se tu tens a perceção de que alguma das tuas crenças, valores ou necessidades está posta em causa, ou está ameaçada, o teu corpo agita-se e mobiliza-se para reagir e para defender aquilo que acha que tu precisas. Aí surgem as emoções. Normalmente a nossa reação é impulsiva e acaba por ser automática. Muitas vezes temos comportamentos impulsivos e automáticos que são instantâneos e, portanto, são comportamentos muito rápidos que nós temos, sem pensar neles e que depois somos obrigados a lidar com as consequências. Muitas vezes, o pensamento de um segundo e uma emoção muito rápida, leva-nos a um impulso e a uma reação com a qual depois pode ser difícil de lidar, porque às vezes é difícil tu compreenderes, e as pessoas à tua volta compreenderem, a razão daquela tua emoção que, aparentemente, até pode ser absolutamente descontrolada.  

Alguns autores falam de 7 degraus para controlar as emoções. 7 degraus para o equilíbrio emocional.  

Os 7 degraus são:  

  • parar; 
  • respirar fundo; 
  • ter consciência da emoção; 
  • aceitar; 
  • permitir a emoção; 
  • ter autocompaixão; 
  • libertar a emoção; 
  • agir ou não conforme a circunstância.

 

Então é de facto importante parar, respirar fundo e ter calma. Depois, ter consciência da tua emoção, não a rejeitar, mas antes pelo contrário, aceitá-la tal como ela é. Assim, permite que a emoção se manifeste e reconhece-a. Contudo, perante emoções menos positivas, não fiques a culpar-te por estares a ter aquela emoção, é normal. A emoção em si não tem nada de negativo, o que pode ser negativo é a reação que tu podes ter mediante isso. Por fim, liberta a emoção, pois as emoções são picos muito rápidos, e normalmente nunca duram mais do que 7 a 10 segundos. Uma vez libertada a emoção, quando a deixares ir, então tu ficas livre para, sem esse condicionamento ou pico de emoção, poder decidir se ages ou se não ages em função das circunstâncias.