Podemos reagir compreendendo outro princípio que é o princípio da impermanência.
 
Quando nós temos alguma situação que nos é desfavorável, nós tendemos a pensar que ela é permanente, que é para sempre, e não é! Todas as coisas da vida são transitórias, são impermanentes, é assim a lei da vida.
 
O sol nasce e põe-se todos os dias, da mesma maneira com a lua, as ondas do mar vão e vêm, e a nossa respiração, agora inspira depois expira, e isto é normal. Portanto, este vai e vem, esta impermanência é normal. O que não é normal, e que nos pode causar algum sofrimento, é nós tentarmos parar estes ciclos da natureza. E tentamos pará-los então através do apego, que são as coisas que nós não queremos que vão de nós, e através da aversão, que são as coisas que nós não queremos que venham até nós, as coisas menos agradáveis.
 
 
Ou seja, agarramo-nos a alguma coisa que não queremos deixar ir, e por outro lado não queremos que venham outras coisas. E é isto que torna a nossa mente muito reativa, e é isto que a faz permanecer na reatividade.
 
O que é que acontece em relação à reatividade? Existem 4 níveis de atitude perante a vida, a atitude passiva, a atitude reativa (que isto até é o estado da vitimização dos estádios do ego), a atitude ativa e a atitude pró-ativa. Quatro estádios de atitude perante a vida. Quando tu estás neste estádio reativo, tu reages a circunstâncias externas. Ou seja, perante alguma coisa que vem ou alguma coisa que tu não queres que vá, tu perdes o controlo sobre a situação, ou seja, tu entras em reação. Nesta cadeia de ação-reação tu estás do lado da reação, não estás do lado que provoca a ação. Assim, a tua atenção e energia estão depositadas sobre coisas que não dependem diretamente de ti e isto é perigoso porque, além de te manter num estado de reação permanente em que tu achas que tens que reagir, e que te sentes impelido a fazer alguma coisa para reagir às circunstâncias que te são externas, mantêm-te preso a um hábito que te vai trazer muita insegurança. Porquê? Porque o teu foco e atenção, vão estar depositadas na verdade, sobre coisas que não dependem de ti, que tu não podes controlar. E é aqui que isto se junta ou une à filosofia estóica da ataraxia.