Se segues minimamente o meu trabalho já, de certeza, me ouviste dizer que a qualidade das nossas relações é muito a qualidade da nossa vida. A qualidade da nossa vida é muito a qualidade das nossas relações, é mais assim que eu costumo dizer.  

Para termos melhores relações, o que é que achas que é necessário? 

Vais dizer de certeza que é confiança. Confiança não há dúvida que é muito, muito importante, mas a confiança só vem depois de outra coisa, que muitas vezes nós nos esquecemos, que é o respeito.  

Então, acho que este artigo é muito importante para tu compreenderes quais são os fundamentos do respeito pelo outro e do respeito integral pelo outro, e isto vai ajudar-te a obter a confiança que necessitas para ter um melhor relacionamento. 

O primeiro fundamento do respeito é que não há más intenções. Isto pode parecer muito estranho, até porque com facilidade as pessoas se lembram de quem comete crimes muito graves. Sim, até mesmo essas pessoas não têm, de facto, intenção. Eu sei que é um comportamento anormal e não era nesse comportamento que me queria fixar. No geral, no dia a dia, nós todos agimos de uma forma positiva, toda a nossa intenção é positiva. Basicamente, a nossa ação é resultado de um equilíbrio entre a dor e o prazer. Tendemos a buscar o prazer e evitar a dor, e sim, se calhar, somos um bocadinho egoístas. Outras vezes até, se calhar, um pouco narcisistas, pensamos em nós próprios primeiro e só depois nos outros, mas, acredita, as intenções das pessoas nunca são negativas, a intenção é sempre positiva. Então, o primeiro ponto é que não há más intenções. 

O segundo ponto é que as pessoas não são os seus comportamentos. Para explicar isto, deixa-me falar-te muito genericamente de várias correntes que existem, quer no coaching, quer na psicologia.  

A primeira é a corrente comportamentalista, que se foca muito no comportamento de um determinado indivíduo e baseia-se no teorema de que, mudando o estímulo, mudamos o comportamento.  

A segunda grande teoria, a grande corrente filosófica, de que eu te gostaria de falar é a corrente humanista, preconizada por um senhor chamado Carl Rogers. Esta corrente diz que temos que aceitar as pessoas como elas são na sua totalidade. Cada ser é único, portanto, o comportamento de cada indivíduo é único.  

E depois, há uma terceira que eu acho mais assertiva e mais acertada, pelo menos faz-me mais sentido, que é a abordagem sistémica, ou seja, defende que as pessoas têm determinados comportamentos perante determinados estímulos. Sim, sem dúvida, o comportamentalismo tem razão, o humanismo também tem razão, ao dizer que cada pessoa é única e não pode ser comparada com mais ninguém. Isso também é verdade. Mas depois também temos que perceber o sistema em que a pessoa está envolvida. Nós muitas vezes vemos o sistema, ou os diferentes sistemas, vivemos em vários sistemas - o emprego, a família, os amigos, a sociedade -, tudo isto são vários sistemas que se entrelaçam em cada um de nós, de uma forma única e exclusiva. Convido-te a pensar um pouco nesta abordagem, que é a abordagem sistémica, e ver a pessoa não só pelo seu comportamento, mas por todo o emaranhado de sistemas em que se envolve e que, naturalmente, lhe criam condicionamentos.  

O terceiro passo para este respeito, o terceiro fundamento do respeito, é que nós não sabemos o que não sabemos. E estou a chamar-te à atenção disto porque a maioria de nós, eu próprio inclusive, tende a preencher vazios, ou seja, a pessoa dá-nos algumas informações e nós preenchemos automaticamente os vazios, como se soubéssemos ou como se deduzíssemos que, perante aquele quadro, o que aconteceu ali, foi isto e isto. Então, não partas desse princípio, cuidado com esse julgamento. 

Não partas então deste julgamento e deste bloqueio da nossa mente, deste automatismo da nossa mente, que é: não sabemos o que não sabemos. Percebe isto, não tentes completar os espaços vazios e completar com as informações de que não dispões. Investiga e tenta saber mais, pelo menos aquilo que consideras importante saberes. 

Depois, outra coisa que é muito importante para o respeito, é ser para os outros aquilo que gostarias que os outros fossem para ti. Todos nós já ouvimos falar disto, todos nós sabemos disto, em teoria, mas a verdade é que muitas vezes passamos por pessoas e não as cumprimentamos, quando nós, no lugar delas, gostaríamos de ser cumprimentados. Outras vezes, passamos por pessoas e simplesmente não lhes sorrimos, não somos agradáveis com elas e, se calhar, gostaríamos desse comportamento da parte dos outros. Portanto, sê para os outros, sê tu próprio, a fonte desta forma como gostarias de ser tratado, independentemente da forma como o outro te trata. 

O quinto fundamento é oriundo da programação neurolinguística. É um fundamento que diz que o mapa não é o território. Aquilo que vês, aquilo que vemos no mapa são determinados pontos, outras vezes as estradas, alguns sítios de interesse, mas se pegares no mapa - agora com o Google Maps isto até é muito interessante -, fazes o mapa, vês os pontos principais e depois, se calhar, vais à rua ver que lá existem muitas outras informações.  

Então, o mapa não é o território. O que é que isto quer dizer?  

Aquilo que nós representamos é muito individual, é muito único e não é a totalidade daquilo que existe, mas simplesmente aquilo que consideramos relevante. Há informações a que, eventualmente, o teu interlocutor não está a atribuir relevância, que são relevantes para ti, e há algumas informações que seriam relevantes para ti e não são relevantes para o teu interlocutor. Isto é normal, porque o mapa não é o território! 

O passo seguinte é procurar compreender a generalidade, o tal sistema, primeiro e depois tentar as especificações. Vou-te dar um exemplo que, se calhar, não vais gostar porque tem a ver com política. Quando debatem, por exemplo, o orçamento na Assembleia da República, é votada uma na generalidade e depois desce às Comissões, para ser estudado e votado nas diferentes especialidades. É esta a abordagem que devemos ter, também, quando estamos numa relação com o outro de uma forma respeitosa. Tentar primeiro compreender a totalidade e depois perceber as diferentes especialidades.  

Por último, a forma como somos recebidos é sempre uma resposta que obtemos do outro, é um feedback. Ou seja, é uma cadeia de ação-reação. A tua atitude, o teu comportamento, vai desencadear um comportamento no outro e, portanto, vais ser recebido de uma determinada forma que tem a ver, simplesmente, com a atitude que tiveste. É tudo uma ação-reação, então está atento a isto, ok? 

Então, 7 fundamentos do respeito: primeiro, não há más intenções; as pessoas não são os seus comportamentos; não sabemos o que não sabemos; ser para os outros o que gostaríamos que os outros fossem para nós; o mapa não é o território; procurar compreender a generalidade primeiro e depois as diferentes especialidades; e a forma como nós somos recebidos é uma resposta que obtemos à forma como nos apresentamos.  

Por último, deixo mais algumas notas que tu já deves saber, mas só para relembrar. O respeito não pode ser exigido, ele tem de ser conquistado, e estes passos ou estes fundamentos vão-te ajudar a conquistar esse respeito das outras pessoas. A atitude com que tratamos os outros determina a qualidade das nossas relações e por isso, tão importante, a qualidade da nossa vida. As pessoas devem ser aceites tal como são. É normal que tenhas as tuas preferências e os teus valores, mas não tens que impor as tuas preferências nem os teus valores às outras pessoas. 

Portanto, evita fazer estes julgamentos, quer os julgamentos de preferências, quer os julgamentos de valor.  

Temos que compreender as pessoas isoladamente dos seus comportamentos. Acredita que muitas, muitas vezes, por trás de um comportamento menos próprio, há pessoas muito boas que estão simplesmente em sofrimento. 

Todos estamos em evolução, todos mesmo, por isso fica atento também ao espelhamento. Esta é uma dica muito interessante para mim. Fica atento porque aquilo que tu vês no outro, muitas, muitas vezes, não é sempre, mas muitas, muitas vezes são coisas que existem em ti mesmo.  

Depois, dizer que o que nós vemos não é o que existe, é a nossa perceção do que existe. A realidade não é o que nós vemos, aquilo que vemos é só a perceção da realidade que temos, então tenta enriquecer esta perceção da realidade.  

Ajudar os outros e respeitar os outros não é complicado, não tem de ser complicado. Ajudar é uma arte, o respeito é uma arte, não é uma ciência. Estes passos podem-te ajudar, de facto, a obter melhores resultados. Estes fundamentos podem ajudar-te a ter melhores resultados, mas os melhores ajudadores, as pessoas mais respeitadas, são aquelas que sabem adaptar os seus conhecimentos e os seus conteúdos a cada pessoa específica e a cada situação específica. Não te esqueças, foco no outro, respeito no outro, a qualidade das nossas relações depende muito da atitude com que nós entramos nelas e a qualidade das nossas relações origina a qualidade da nossa vida. Portanto, a atitude que tu tens perante as relações, quer seja com os teus familiares, com os teus amigos, com os teus colegas ou com outras pessoas que se cruzam contigo, no teu dia-a-dia, é absolutamente determinante para a qualidade da tua vida.  

Portanto, respeita se queres ser respeitado, se queres merecer o respeito dos outros.