Se já acompanhas o meu trabalho, de certeza que, em algum momento, já me ouviste dizer que a qualidade da nossa vida depende da qualidade das nossas relações.  

As nossas relações são muito dinâmicas e dependem muito da nossa atitude. Noutro artigo, explico-te alguns princípios sobre o respeito, mas, aqui, vou explicar-te os 7 estádios do desenvolvimento das relações. As relações não nascem prontas, elas vão-se construindo. 

Então o primeiro passo de qualquer relação é o primeiro momento. A primeira impressão dura para sempre, acredita nisto, não há duas oportunidades para causar uma primeira boa impressão. Portanto, esta apresentação deve ser o melhor de ti, com a maior cordialidade, com maior atenção, com a tua melhor atitude. Lembra-te, da tua atitude depende a resposta da outra pessoa, e isso vai condicionar para sempre a qualidade desse relacionamento.  

Depois, o segundo estádio deste desenvolvimento da relação é a atração. É encontrar algo em comum, encontrar o interesse comum, fazer com que o outro se sinta igual, se sinta integrado, se sinta entendido, se sinta compreendido. Nós somos iguais, nós tendemos a ter medo, a ter receio daquilo que não conhecemos e tendemos a gostar sobretudo das pessoas que são como nós ou das pessoas que são como nós gostaríamos de ser. Por isso, tenta encontrar aqui interesses em comum, fazer com que a outra pessoa se sinta igual a ti. 

Depois, espelhamento, modelagem e calibração são várias ferramentas da programação neurolinguística que eu, mais tarde, te vou ensinar a utilizar e que podes utilizar para otimizar o nível de empatia que existe. Isto logo, também, na fase da atração. Vai-te permitir calibrar o carácter, calibrar competências, calibrar paixões, assim como a postura, a forma como falas à pessoa, a forma como gesticulas. Isto pode-te ajudar também a ganhar uma maior ligação, e a pessoa, sem perceber que tu estás a usar estas técnicas, vai sentir-se mais ligada a ti, mais atraída por ti.  

Então, o terceiro estádio é um conhecimento, um entendimento. Esta abertura para conhecer o outro, para compreender o outro, para perceber valores comuns. Para perceber perspetivas comuns sobre a mesma realidade e quando há diferenças. Esta flexibilidade e esta capacidade para negociar posições. Não há nenhum problema em teres uma opinião que é diferente da minha, não há nenhum problema nisso. Tu podes dar-me o teu ponto de vista, eu posso dar-te o meu e tudo isto é, então, esta fase do conhecimento.   

Cuidado com a armadilha do julgamento! Que é quando tentas impor ao outro a tua preferência ou os teus valores. Cuidado com isso. É legítimo que tenhas as tuas preferências, ninguém pode meter-se com isso, é legítimo que tenhas os teus valores, ninguém deve interferir com isso, da mesma forma que deves respeitar estas preferências e os valores da outra pessoa. Para que não tenhas, então, tendência ao julgamento.  

O quarto passo pode-te parecer muito estúpido, muito estranho, mas é evitar uma luta do poder. Há uma pergunta que alguém me fez, muitas vezes, durante um bom período da minha vida e que é:  Queres ser feliz ou queres ter razão? 

Muitas vezes, nós entramos nas relações ou, em algum momento das nossas relações, nós queremos impor a nossa razão ao outro. Nota que isto já vem também do julgamento. Queremos impor a nossa razão ao outro e estamos ali numa espécie de luta de poder, como se o outro copiar e aceitar a minha opinião mais válida ou a minha razão mais válida fosse importante para mim. Na maioria dos casos não é, nós temos de ter, de facto, respeito pelas diferenças e, acredita, são sempre as diferenças que nos unem.  

Nesta fase, vamos para o quinto passo, o quinto estádio do desenvolvimento da relação, que é uma determinada estabilidade, uma determinada confiança mútua. É quando já conheces os valores da outra pessoa, as preferências da outra pessoa e respeitas isso. Da mesma forma, também és respeitado nos teus valores e nas tuas preferências. Então aí, a comunicação pode fluir de uma forma confiável mutuamente. Claro, na transparência, honestidade, naturalmente.  

O sexto estádio seria, então, estabelecer compromissos. Não tem mal nenhum reconhecer as expectativas que tens em relação ao outro. Se calhar até a convidar o outro a verbalizar as expectativas que ele tem em relação a ti. Esta negociação das expectativas vai-nos permitir, então, estabelecer compromissos realistas, com os quais depois não nos vai custar lidar.  

Então por último,  deixa-me dizer-te que, quando temos uma visão clara sobre aquilo que queremos, qualquer coisa da vida, mas sobretudo agora neste caso, no que respeita às relações, quando temos uma visão clara daquilo que queremos, é mais fácil alcançarmos aquilo que desejamos. Portanto, o sétimo passo é: tem clareza de quais são as tuas expectativas, reconhece-as, reconhece quais são as expectativas dos outros. Percebe, nestas relações, também o jogo entre limites e oportunidades; fica com uma visão mais clara possível sobre aquilo que desejarias ter para uma determinada situação e sobre o que é que acontece se as tuas expectativas não forem atendidas.   

Se tiveres isso em conta, vais ter relações muito maduras e muito profundas.