Neste artigo, vamos falar sobre a Lei da Tripla Convergência, que é uma lei que se aplica, sobretudo, quando estamos à procura do propósito de vida, do sentido da vida, da missão de vida. Temas que, hoje em dia, parecem tão importantes para nós. A busca pelo propósito de vida aflige, de facto, cada vez mais pessoas, mas infelizmente, muitas vezes, isso acontece pelas razões erradas. As pessoas, normalmente, não buscam o propósito pela sua verdadeira realização pessoal, mas para obterem determinados resultados, sejam eles financeiros ou de relevância pessoal, o que acaba por não resultar muito bem. Como diria Osho, isto é mais o movimento da ganância do que a vontade de contribuir, quer pessoal ou socialmente. 

Então, o que é que é isto do propósito de vida?  

O propósito de vida, é a própria vida, vivida dentro de um determinado conjunto de causas e de valores. Noutro artigo, falaremos mais detalhadamente sobre isto, mas resumidamente, é isto que é o propósito de vida. Não é preciso uma busca muito prolongada, nem muito profunda, para encontrar, de facto, estas causas e os valores que vão, no fundo, balizar ou marginar a forma como queremos viver. O que é certo é que buscamos, muitas vezes, o propósito, e em relação a isso, procuramos, muitas vezes, o propósito de vida como se fosse uma missão que nos tenha sido confiada por alguém. De uma forma extrínseca, antes do nosso nascimento, por exemplo, alguém decidiu que a nossa missão seria fazer determinada coisa, ou ter determinada coisa, ou algo similar. E não é isso que acontece. O propósito ou a missão não nos é confiada de forma extrínseca, ela tem de ser descoberta e assumida por nós e nunca é orientada àquilo que nós temos de ter. Muito menos o é com aquilo que nós temos de fazer, mas é a nossa forma de estar e de ser. Temos de buscar dentro de nós aquilo que gostaríamos de ser, aquilo que gostaríamos que fosse a nossa forma de estar. É aí que reside a essência da nossa missão. Quando descobrirmos aquilo que queremos ser, a forma como queremos estar, vai ser muito óbvio o que temos de fazer. O que vamos ter vai ser uma consequência do que somos. 

Assim, é muito importante, de facto, buscar a motivação intrínseca, procurar dentro de nós as verdadeiras razões pelas quais gostaríamos de ser aquela pessoa. Ser uma determinada pessoa é, também, acreditar em determinadas coisas: ter um conjunto de valores; de emoções; de desejos; de necessidades; de comportamentos. Isto é que é a nossa identidade. Depois, claro, todas as relações que vamos criar, todas as nossas ações. Portanto, o mais importante é, então, descobrir quem é que nós queremos ser.  

A questão da missão de vida. Para percebermos a missão de vida, temos de compreender que o que não está a crescer, está a morrer.  Logo, a grande missão da nossa vida é, antes de mais, a sobrevivência. Por isso, e por força do princípio que eu indiquei anteriormente, o que não cresce morre, então a nossa missão exige-nos crescimento e desenvolvimento, quer ao nível pessoal, quer ao nível do nosso grupo, quer enquanto espécie. Esta é uma obrigação que temos, de facto, de fazer crescer, evoluir e desenvolver, porque estamos programados, sobretudo, para a sobrevivência, e o que não está a crescer está a morrer. Chamo a atenção, porque isto vai ser importante noutro momento, que existem estes 3 níveis de crescimento e de evolução, que irão originar também 3 níveis de missão. É o pessoal, o grupo a que pertencemos e a espécie humana, como um todo.  

Então, a forma de nós garantirmos a evolução dos outros, quer do nosso grupo, quer da espécie humana, é partilhando o melhor de nós. Por isso, a nossa grande missão de vida é evoluir e partilhar.  

A questão do sentido da vida é: buscar a realização pessoal e a satisfação. Muitas vezes, aquilo que fazemos é uma parte fundamental da nossa identidade, e o sentido da vida é, na realidade, um estado em que aquilo que fazemos é natural para nós e temos a sensação de que a vida flui naturalmente. Também é um estado em que maximizamos todas as nossas possibilidades, ou seja, de uma forma absolutamente natural e espontânea, colocamos o melhor de nós em todas as coisas que fazemos. Por isso é que fazemos aquilo que realmente gostamos. Isto é o sentido da vida. Então, o sentido da vida é encontrar alguma coisa que nós possamos fazer, no sentido que seja assim fluido, natural, que realmente gostemos de fazer e que, por causa disso, vamos maximizar todas as nossas possibilidades. 

Isto leva-nos, então, ao princípio da Tripla Convergência, que nos fará viver com mais paixão. Se ainda não estás a perceber muito bem, tem calma e espera alguns momentos, que isto vai já ficar muito mais claro para ti. Se reparares, a grande maioria das pessoas pensa no sentido de vida ou na missão como uma questão de rendimento. Não estou a dizer que é o teu caso, vai já com certeza aparecer o teu caso, mas uma boa parte das pessoas acha que quanto mais rendimento tiverem, mais bem-sucedidas vão ser e, portanto, melhor vai estar concretizada a sua missão. Não é de todo verdade, mas também não é de todo falso, como vamos ver à frente.  

Há outras pessoas que acham que o mais importante da vida é viver com paixão. Da mesma maneira, não é de todo verdade, mas também não é de todo falso. Outras há que pensam que o sentido da vida é descobrirem o seu talento e poderem manifestá-lo. E também, mais uma vez, não é de todo verdade, mas também não é de todo, falso. Porque aquilo que é o sentido da vida é este princípio da Tripla Convergência, ou seja, é este ponto em que interceta o talento, a paixão e o rendimento. Vamos explorar ponto por ponto, o que é cada uma destas coisas.  

Começando pelo talento. Então, o talento é uma habilidade, ou um conjunto de habilidades, que te leva a fazer naturalmente alguma coisa, que para os outros é complicada. Durante toda a tua vida, se reparares e se pensares bem, foste educado para melhorar aquilo em que tens mais dificuldades e não tanto para melhorar as aptidões que realmente tens. Se demonstraste algumas aptidões na tua infância, o mais normal é que tenham dito: “Ah, sim. Mas isso não interessa nada, o que tu devias era fazer os trabalhos de casa, ou devias era fazer outras coisas. Esquece lá isso, porque isso não é importante.” Bom, e assim fomos sendo castrados, não é? E isto aconteceu de uma forma ou de outra, com todas as pessoas. Paradoxalmente, isto faz com que tu melhores muito pouco os teus pontos fracos, porque de facto não tens paixão. Faz com que tu melhores muito pouco os pontos fracos e evita que tu melhores ou explores as aptidões que real e naturalmente tens e que seriam, então, o seu talento. E como é a prática que faz o mestre, na verdade, acabas por ser bastante condicionado.  

O que acontece é que durante toda a tua vida foste orientado para melhorar aquilo em que tens mais dificuldades, em vez de explorar as aptidões que realmente tens. O que é que aconteceu? Demonstraste talento para pintar, para desenhar, ou seja, lá o que for, e as pessoas acharam que aquilo não era muito importante, porque o mais importante era que pudesses cumprir com determinadas tarefas, por exemplo. Então, basicamente, foste sendo castrado desta forma e foste melhorando muito pouca coisa, no que são os teus pontos fracos, e este processo acabou por te impedir de valorizar os teus talentos. A boa notícia é que eles ainda estão lá e, portanto, ainda podemos ir à procura deles. Como a prática faz o mestre, os teus talentos acabaram por desaparecer ou simplesmente continuam subdesenvolvidos, permanecem subdesenvolvidos, mas como eu te dizia, é possível recuperar. É possível encontrares os teus talentos. É possível e é desejável, porque são os teus talentos que, na verdade, são a chave essencial para o teu sucesso, por isso, é fundamental que possamos encontrar e desenvolvê-los.  

Por outro lado, a questão da paixão! Há muitas pessoas que simplesmente amam o que fazem. Na maioria das vezes, é porque fazem aquilo que amam. E isto é muito importante: encontrar alguma coisa que possas amar fazer. Portanto, fazes sem esforço e, assim, fica muito fácil fazê-lo de uma forma completamente apaixonada. 
Como é que podemos encontrar a paixão? Então, dentro dos teus talentos há coisas que fazes naturalmente e pelas quais tens um interesse irresistível. Algo que serias capaz de passar a vida a fazer ou, pelo menos, podias passar muito tempo a fazer. Ou então, algo que te entusiasma, que te dá uma energia que te faz vibrar. Por exemplo, eu sinto que tenho um talento para a comunicação e quando estou a comunicar sobre determinadas ideias - por exemplo, a questão do marketing digital, algumas ideias na área do desenvolvimento pessoal -, eu fico tão vibrante, fico tão enérgico, que sinto essa energia, sabes? Então, percebo claramente que é essa a minha paixão, ou seja, dentro da questão da comunicação, eu tenho mais apetência para comunicar sobre determinados temas. Eu sinto ali essa energia, um interesse irresistível, que não consigo ignorar. Por exemplo, se eu vir um vídeo do YouTube de alguns dos autores que me interessa seguir, sobre a questão do marketing digital, simplesmente não consigo ignorar. É mesmo um interesse absolutamente irresistível. Mas imagina que tu és uma pessoa que gosta de escrever. Podes utilizar esse talento para escrever livros, para te tornares jornalista ou para escrever texto publicitário.  
Então, aquilo que a pessoa vai escolher, é o que lhe provocar um interesse mais irresistível, ou seja, aquilo que ela gostar mesmo mais de fazer. E isto acaba por ser notório e bastante natural.  

Esta é a grande fórmula mágica para a vida apaixonada. É quando somas a tua paixão ao teu talento e multiplicas pela prática. É a prática que faz o mestre! Então é isto que vai originar um resultado. Mas este resultado não é completo se, entretanto, não surgir, também, a questão do dinheiro. E se é verdade que o dinheiro não faz felicidade, também é verdade que a falta dele complica bastante a nossa vida. Há muitas pessoas que se entregam aos seus interesses, às suas paixões e à manifestação dos seus talentos de uma forma desinteressada, sem pensarem em dinheiro e sem pensarem em rentabilidade. Essas pessoas, na verdade, não têm uma missão, ou seja, não podem encontrar aí uma missão, não podem encontrar aí um sentido para a sua vida. Elas não estão a encontrar uma profissão, quanto muito, elas estão a escolher um hobby.

Escolher a profissão seria um bocadinho diferente. Infelizmente, a maioria de nós escolhe a profissão pelo rendimento expectável, ou seja, nós não escolhemos a profissão pelo nosso talento nem pela nossa paixão, mas por aquilo que pode ser o nosso rendimento. Claro que é compreensível, porque de facto a vida sem rendimento é completamente impossível. Sem recursos financeiros, simplesmente não conseguimos fazer uso do nosso talento, da nossa paixão. Simplesmente, iríamos entrar em modo de sobrevivência. Como eu te dizia, as pessoas escolhem, muitas vezes, a profissão pelo rendimento expectável, sem quererem saber do talento e, muito menos, da paixão. Consequentemente, não conseguem um grande rendimento, porque no fundo, na prática, vão viver vidas desapaixonadas, vão correr o risco de entrar em burnout, de andarem stressadas, contrariadas com aquilo que fazem e com a forma como fazem. Vão ter tendência para implicar com muitas coisas à sua volta, quando a verdadeira razão é que não estão a utilizar o seu talento, não estão a explorar a sua paixão, e portanto, estão orientadas simplesmente para a questão do rendimento. Mas como eu dizia, o rendimento é absolutamente essencial para a nossa sobrevivência, como é evidente. Aliás, também é uma métrica para sabermos se a nossa vida está a ser bem orientada ou não. Portanto, é muito importante obter rendimento, mas então coloca-se esta pergunta: qual é a forma, como obter rendimento?  

Então, a forma honesta de criar um rendimento é pela criação de valor. Pensa assim, se queres ter algum rendimento, ou seja, se queres que o dinheiro venha até ti, ele tem de vir de algum lado. A pessoa que te vai entregar esse dinheiro não se vai importar de fazer, natural e voluntariamente, se criares valor para ela, isto é, se lhe acrescentares valor. E este acrescentar valor vem através da oferta de produtos ou serviços, que tenham por objetivo resolver problemas da pessoa, ou então, fazê-las alcançar determinados desejos.  

Este princípio é muito, muito interessante. É que o sucesso não é consequência do dinheiro, o dinheiro é que é consequência do sucesso, porque sucesso mesmo é poderes trabalhar naquilo que tu gostas, de uma forma apaixonada. É fazeres aquilo que tu queres e usares todos os teus talentos, todos os teus interesses para isso. E é por isto que eu costumo dizer que o dinheiro nunca é um problema, ele é sempre uma consequência. Para o bem e para o mal, o dinheiro é sempre uma consequência e a falta de dinheiro também. Quando uma pessoa não tem dinheiro, então eu percebo que ela não utiliza os seus talentos de forma apaixonada, para gerar um valor real para outras pessoas, e é na consequência disso que ela não tem dinheiro. Se ela utilizasse o seu talento de uma forma apaixonada para gerar valor real para outras pessoas, naturalmente iria ter rendimento.

Então, é um erro absoluto criar um foco exclusivo no rendimento, como é evidente, mas é importante compreender que ele é essencial para a sobrevivência. Quando as nossas necessidades de sobrevivência estão cobertas, e começamos a apostar no desenvolvimento apaixonado dos nossos talentos, para gerar valor real para outras pessoas - nomeadamente, disponibilizando produtos ou serviços que resolvam problemas ou que satisfaçam desejos e necessidades das pessoas -, o dinheiro vai fluir de uma forma absolutamente natural. Portanto, é este o princípio que eu gostava de te convidar a fazer. Desenvolve os teus talentos, não te preocupes tanto com o rendimento. Desenvolve os teus talentos, encontra as tuas paixões, desenvolve-te, entrega-te a esta paixão de uma forma apaixonada e o dinheiro vai fluir, é só uma questão de tempo. Quanto mais paixão e mais talento colocares, para gerar mais valor, mais facilmente o dinheiro vai começar a fluir naturalmente até ti. Da mesma maneira que é um erro focar exclusivamente no rendimento, também é um erro ignorar o rendimento. Mais uma vez, sem rendimento, a vida não é sustentável. Sem rendimento, tendemos a não gerar nenhum valor real e, portanto, nenhum modo de vida desta forma é sustentável. Até podes ser o melhor do mundo a fazer alguma coisa, até podes fazê-lo de uma forma absolutamente apaixonada, mas se utilizares esses talentos para coisas que não têm valor para os outros, vai chegar um momento em que vais ter de abandonar essa atividade, trocar por outra de que não gostas, simplesmente para sobreviveres. 

Então, eu convido-te a esquecer, por enquanto, as questões financeiras e concentrar o teu esforço a pensar como podes transformar o teu talento e a tua paixão numa proposta de valor. Numa atividade, ou numa oferta de um produto, ou de um serviço que tenha um valor real para outra pessoa. Este valor vai surgir na sequência de resolver alguma dor que a outra pessoa tem, de poder satisfazer algum desejo ou alguma necessidade que a pessoa tenha. Isto é que pode ter um valor para o outro. Então, pensa nisto! Como podes transformar o teu talento e a tua paixão numa proposta de valor? Quando tu perceberes isto, garanto-te que a vida vai começar a fluir, de uma forma natural, e o dinheiro vai deixar de ser problema. A verdade, e isto está mais que documentado e comprovado, é que quanto mais exercitares o teu talento com paixão, desde que seja no sentido de gerar e acrescentar valor para outras pessoas, maior vai ser o teu rendimento. 

E então, faz sentido procurarmos a nossa grande vantagem competitiva. Atenção que a vantagem competitiva é aquilo em que és realmente bom. É muito diferente de outro princípio que é a análise comparativa, e já vamos falar sobre isso então. 

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No momento de buscar a nossa paixão, muitas vezes tendemos a deixar de lado os nossos talentos e, mesmo até, as nossas paixões e colocar os olhos nos outros, porque estamos mais preocupados com a questão da rentabilidade do que com outra coisa. Sendo assim, vamos concentrar-nos naquilo que os outros estão a fazer, nos resultados que os outros estão a obter e vamos acabar por fazer as nossas escolhas, as nossas decisões, em função dessa análise comparativa com os outros. Isto, em vez de utilizarmos a comparação para descobrir em que é que somos de facto melhores e naturalmente melhores. Acabamos por procurar uma forma de clonar ou copiar as atividades que os outros fazem, esperando os mesmos resultados, mas isso não vai funcionar. O que faz alguma coisa funcionar é a paixão e o talento que lhe empenhamos, e isto não se pode copiar. Por outro lado, se fizeres esta análise da vantagem competitiva, compreendes claramente em que é que te podes diferenciar, em relação às outras pessoas. Recorda que a vida não é uma competição, ela pode ser uma cooperação e, de facto, podemos ficar todos a ganhar.  

Uma última questão é: será que é possível alcançar o sucesso sem utilizar a lei da convergência?  

Depende do que consideras ser o sucesso. Se considerares que o sucesso é poder ser quem realmente és, fazer aquilo que realmente gostas e alcançar a excelência de resultado e de rendimento, por via disso, eu creio que não será possível. Mas nunca vamos conseguir alcançar a excelência, sem utilizar os 3 fatores. Apenas um bom nível de desempenho. Há pessoas que conseguem um grau relativo de sucesso, sem utilizarem os 3 componentes desta fórmula, mas com certeza conseguiriam um sucesso muito maior se conjugassem todos os três princípios desta lei da tripla convergência: talento, paixão, vai originar rendimento. 

Estamos juntos, para evoluir e partilhar. Espero que tenhas gostado deste artigo e que tenha feito sentido para ti, para te ajudar a encontrar o sentido da tua vida.