1.Autonomia

Então o primeiro aspeto que Carol Ryff refere é a autonomia. E nesta autonomia vai incluir-se a autodeterminação, a independência, a capacidade de nos autorregularmos. Portanto esta autorregulação é uma coisa que é muito importante que é o funcionamento desvinculado da aprovação externa.

A autonomia é, portanto, um condimento muito importante para a construção da liberdade pessoal, mas nós só somos verdadeiramente autónomos e independentes e livres, quando deixamos de depender da aprovação das outras pessoas e daquilo que são as expectativas das outras pessoas.

No desenvolvimento da autonomia, é fundamental que cada indivíduo consiga estabelecer uma relação positiva consigo mesmo. Claro que esta relação vai depender da construção do autoconceito e da autoestima. O que é perigoso em relação a estes termos, é que o ser humano os estabelece por contraste e por comparação com outras pessoas; quando dessa comparação resulta uma avaliação positiva, a autoestima vai ser elevada, quando a comparação for desfavorável, a autoestima será diminuída. 

A psicóloga norte americana Kristin Neff propõe a autocompaixão como alternativa à autoestima. Deste modo cada indivíduo começa a aceitar-se exatamente como é e deixa de necessitar da aprovação externa. Assim, liberta-se dessa comparação, que é sempre desfavorável. (Se reparares, comparamos sempre o melhor que o outro projeta com o pior de nós próprios, e isso nunca nos pode ser favorável).

A razão pela qual estou a introduzir estes termos é porque o nosso bem-estar e a nossa felicidade dependem da nossa regulação emocional e da gestão que fazemos das nossas emoções

Importa reter a relevância do autoconceito na produção do discurso interior, porque deste dependem as emoções que criamos.

Outro tema que não podemos deixar de referir é a solidão. Vemos frequentemente o estar só como algo de indesejável e de negativo. Osho refletiu sobre esta questão e propõe o desenvolvimento da solitude. Na verdade, enquanto não desenvolvermos o prazer da nossa própria companhia, nunca estaremos habilitados nem para sermos felizes nem para termos relações positivas.

"A melhor maneira de ser feliz com alguém é aprender a ser feliz sozinho. Daí a companhia será questão de escolha e não de necessidade." Jô Soares

Como já deves ter compreendido, a autonomia conquista-se com o autoconhecimento. É fundamental.

Então a forma como tu tens para desenvolver a tua autonomia é conheceres-te melhor a ti próprio e passares mais tempo contigo e olhar para dentro. Isto inclui observar e compreender, sem julgamentos, aquilo que são os teus pensamentos, as tuas emoções, os teus sentimentos, os teus desejos, as tuas necessidades, as tuas paixões, os teus sonhos. Tudo isto faz parte da tua identidade. Quando tu a conheces e a aceitas, vais poder estar a colocar-te em movimento, agindo no sentido do que queres alcançar, vencendo o medo daquilo que queres evitar.

    2.Crescimento pessoal

Essa sensação de desenvolvimento contínuo, esta procura de novas vivências, novas oportunidades de aprendizagem, esta realização do potencial próprio, este autoconhecimento, esta eficácia, este conseguir pôr em prática também é de facto muito importante para que te possas sentir feliz e realizado(a).

Na natureza, tudo o que não cresce, morre. É por isso que é importante a sensação de estares a crescer em termos pessoais, ou seja, seres continuamente a melhor versão de ti próprio. E a melhor coisa que tu podes fazer para desenvolver este crescimento pessoal é conheceres as ferramentas do coaching, porque te dão uma abordagem muito prática daquilo que tu tens que fazer e como é que tu podes de facto crescer no sentido que tu queres crescer e avançar, bem mais rápido do que aquilo, que tu se calhar imaginas possível. Isto vai te dar uma grande sensação de segurança e de bem-estar, o facto de tu perceberes que estás a evoluir.

    3.Autoaceitação

 A aceitação daquilo que nós somos, da nossa personalidade, das nossas emoções, das nossas necessidades, dos nossos pensamentos, das nossas crenças, dos nossos valores, das relações sociais que temos, do patamar em termos de desenvolvimento pessoal em que estamos, a aceitação plena de tudo o que é o nosso cenário de vida. Quer no presente, quer também em relação ao passado; à tua história, à construção da tua personalidade. Estes aspetos são vitais o desenvolvimento do bem-estar.

Se tu não te aceitas a ti mesmo, estarás a criar uma guerra contra a tua própria sombra.

Se tu não tiveres consciência do teu diálogo interior e da confluência das energias, da emoção de um lado, da razão do outro, a falarem-te uma em cada ouvido, estas vozes interiores vão acabar por te dividir e por te fragmentar e vais te sentir se calhar inadequado porque aquilo que tu desejas não é aquilo que tu deves fazer. Isto destrói qualquer autoconfiança.

DEIXA DE TE COMPARAR

Começa por deixar de te compares em relação aos outros, se és melhor ou pior, se tens mais ou menos, se fazes melhor ou pior, o que quer que seja. Deixa este quadro de comparação, esta escravatura da comparação para começares a perceber exatamente aquilo que tu gostas, aquilo que tu preferes, aquilo que são as tuas preferências, aquilo que é a tua forma de estar.

Quanto mais te conheces de uma forma racional, melhor vais perceber que não tem mal se tu encontrares em ti alguma coisa que não gostes, ou que receies ser julgado pelos outros. Abdica desse autojulgamento. Começa a confiar naquilo que são os pilares da tua própria essência, da tua própria personalidade que são os teus pensamentos, as tuas crenças, os teus valores, Não precisas da validação externa.

Em resumo, aceita-te.  Aceita a tua história e a tua circunstância de vida, mas valoriza também o teu potencial de crescimento e de evolução. Isto fará com que desenvolvas uma atitude positiva, empática e compassiva contigo mesmo(a), e dado esse passo, poderás caminhar firmemente em direção ao futuro que desejas, com liberdade e confiança.

     4.Objetivos de vida

Quando não temos uma direção, ou estamos perdidos ou não vamos a lado nenhum. Se nós não sabemos para onde queremos ir, não temos nenhum propósito nem nenhum sentido na vida.

Esta questão do propósito da vida, está intimamente ligada ao significado que atribuímos à vida e que gostaríamos que a vida tivesse.  Descobrir este propósito e este significado vai ajudar-te a construir um certo sentimento de missão. Essa missão tem que ser inicialmente contigo mesmo, depois com os teus e depois com o mundo. Se calhar gostarias de te dedicar a uma grande causa e te apaixonar por ela e de dar uma parte da tua vida por essa grande causa. 

Este é o sentimento de missão. Com base nisto nós podemos então criar objetivos claros e metas bastante definidas. 

Só o processo de descoberta daquilo que são os objetivos já é bastante ambicioso. Então nós podemos descobrir quais são os nossos objetivos e hierarquizá-los, ou seja, perceber quais são os prioritários e também distribuí-los ao longo do tempo da nossa vida.

Se participares num dos meus cursos ou se fizeres um processo de coaching individual comigo, eu vou te convidar e ajudar a fazer esta definição dos objetivos de uma forma tão específica, tão mensurável, tão relevante e tão alcançável, e com um tempo tão bem definido, que vai ser mais fácil para ti colocares os teus objetivos em prática.

Além disso, estes objetivos devem ser também colocados de uma forma positiva, portanto tem que ser sempre colocados e orientados aquilo que tu queres alcançar e não em relação aquilo que tu queres evitar; têm que ser sempre pessoais (os objetivos têm que ser os teus objetivos, não de agradar aos outros ou não de fazer alguma coisa porque o outro te disse ou te indicou, mas têm que ser então os teus objetivos pessoais) e têm que ser coisas que começam agora, no presente. O primeiro passo é já. É agora.

A sensação de estarmos a caminhar em direção aos nossos objetivos também é algo que nos traz muito bem-estar.

Então, aquilo que eu te sugiro - para melhorar esta questão do propósito, do significado é criares então metas e objetivos específicos para a tua vida - são, uma vez mais, as ferramentas do coaching uma vez mais.

Criar uma visão prática, organizada e mensurável do que queres alcançar, fará com que tu tenhas uma clareza do teu caminho e de como é que podes alcançar cada uma destas coisas que são importantes para ti. Isto vai te ajudar a ter maior motivação, e vai ser mais fácil para ti superares-te a ti próprio. Quando nós nos superamos a nós próprios há uma profunda sensação de bem-estar. E isso também é felicidade.

    5. Domínio do meio

Não adianta nós sermos muito crescidos e muito desenvolvidos em termos pessoais e conhecemo-nos muito a nós próprios se a nossa reação, a nossa interação com o meio nos é desfavorável.

Claro que há meios mais exigentes e outros menos exigentes, mas de qualquer forma há sempre oportunidades, mesmo onde parecer só existirem limites. A forma como encontramos essas oportunidades, como superamos os teus problemas e geramos novas possibilidades, vai criar o domínio do meio. 

Nós podemos escolher o meio em que vivemos, pelo menos parcialmente

Digo muitas vezes para pessoas, que tem por exemplo um universo familiar complicado: "encontra outro tipo de relacionamentos; algum clube, algum grupo, uma tertúlia, um grupo de meditação, um grupo de pessoas que converse sobre um tema que te interesse. Cria outras ligações a outras pessoas?

Não podes limitar-te aos horizontes que conheces; há muito mundo por explorar. Portanto não te limites ao grupo ou aos grupos em que já pertences e ao ambiente em que vives. Escolhe de uma forma específica, orientada àquilo que são as tuas necessidades, o(s) grupo(s) onde tu queres estar. Podes escolher o grupo do futebol, do vólei, do teatro, da música, da tertúlia, do yoga, da meditação, o grupo do crossfit ou o grupo da zumba.

Escolhe o teu grupo, escolhe a turma de pessoas com quem queres estar e interage com elas?  Sai do teu ambiente. Explora. Encontra os teus ambientes. Isto é uma forma assertiva de começares a sentir mais integrado no meio.

O ser humano precisa de ligações com outros seres humanos. Do mesmo modo, necessita de gerar um certo sentimento de pertença.

Por isso, não te isoles. Faz-te rodear de pessoas que acreditam nas mesmas coisas e que valorizam as mesmas coisas que tu. Garanto-te que terás experiências maravilhosas.

    6. Relações positivas

A qualidade da nossa vida é muito a qualidade das nossas relações. E o contrário também é uma verdade.  Por isso é fundamental criar relações positivas. E nessas, vai-se incluir a capacidade de amar, a capacidade de sentir empatia, de sentir intimidade, de sentir ligação, afeto e de manter relações de amizade. 

Quando me refiro a relações, não estou a falar só de relações conjugais, mas de todo o tipo de relações afetivas; as amizades, as relações familiares, profissionais, etc. A capacidade de gerar e de manter relações positivas implica também a capacidade de nos afastarmos das relações tóxicas e negativas.

Então em resumo ficam os 6 aspetos essenciais para a criação da sensação de bem-estar: a autonomia, o desenvolvimento pessoal, a autoaceitação, os objetivos de vida, o domínio do meio e as relações positivas.