Neste artigo, vamos falar sobre as questões mais filosóficas, que estão, muitas vezes, relacionadas com o Coaching, que têm a ver com: o propósito, o sentido da vida, a missão da vida. Como é que eu defino, como é que eu encontro a missão da minha vida e o que é que me impede de descobrir qual é o meu propósito de vida?  

Então, a primeira coisa que eu gostava que tu visses, é que a palavra propósito, o sentido da palavra propósito, é muito semelhante ao sentido da palavra findo ou objetivo final. Então, num determinado limite, o propósito da vida, é o fim da vida.  

Uma vez conheci um senhor, que era chefe do Serviço de Cuidados Intensivos da Urgência, de um hospital distrital, aqui perto do Porto. Ele dizia-me: “Epá! Quando eles estão para morrer, eles negoceiam. Tipo, as pessoas não querem morrer. Não querem morrer logo, tipo, negoceiam mais um dia ou mais dois dias” – e é interessante que as pessoas nunca negoceiam para fazer mais um negócio ou para fazer mais uma venda, para comprar um carro, uma casa, para ir de férias ou para fazer uma viagem. As pessoas negoceiam mais um dia, mais uma semana de vida. Por causa de coisas muito mais simples do que isso, porque se zangaram com o irmão, há alguns anos, e estão a tentar encontrar uma forma de se reconciliarem com ele, ainda em vida. Porque há muitos anos que já não vêm um filho, com quem já não falam, que está do outro lado do Mundo e, portanto, está a vir para cá, para lhes dar um último abraço. São coisas sempre muito simples, sabes? O propósito da vida são sempre coisas muito simples, e aquilo que nós vemos, muitas vezes, é que o propósito da vida tem a ver com o que podemos alcançar, com aquilo que podemos ter. 

Esta é uma das grandes dimensões daquilo que me pedem. Muitas vezes, as pessoas chegam até nós, no Coaching, a pedir para ter mais coisas: 
-Emanuel, eu quero ter um carro. Emanuel, eu quero ter uma namorada. Emanuel, eu quero ter um filho! Emanuel, eu quero ter um novo emprego. Eu quero ter mais possibilidades. Eu quero ter. 

- Então, mas porque é que tu queres ter? 

- Para poder fazer, para poder fazer mais coisas, para poder ter liberdade de fazer mais coisas. 

É para isso que as pessoas, normalmente, querem ter mais possibilidades. Para poderem fazer coisas, para poderem fazer uma viagem, para poderem fazer qualquer coisa. 

E é engraçado, porque quase nunca as pessoas vão à pergunta mais essencial, que é: “Então, mas, afinal, o que é que tu queres ser?” 

Peguemos nestas duas coisas, que são estas 3 esferas do ter, do fazer e do ser, e aquilo que é o propósito de vida. Então, vamos conversar um pouco sobre estes temas, para tentar que se faça um pouco de luz na tua mente. Para que possas ser capaz de definir quais são, de facto, as coisas que são realmente importantes para ti.   

A questão, do propósito, então, seria o fim da vida. E, no fim da minha vida, eu vou querer, seguramente, partir tranquilo. No fim da minha vida, eu vou querer partir tranquilo. Eu vou querer olhar para trás e reconciliar-me com o que foi a vida que eu vivi. Vou querer ter uma vida alinhada com os meus valores, os meus princípios, as minhas crenças, e vou querer ter uma vida em que eu tenha construído relações de qualidade e de confiança com pessoas. Porque, acredita, a qualidade da nossa vida, há-de ser sempre proporcional à qualidade das relações que estabelecemos com as pessoas. 

No fim da minha vida, eu vou querer estar orgulhoso da forma como aproveitei esta maravilhosa oportunidade, que a Natureza me deu, que é a de poder estar neste Mundo, durante algum tempo. E, no fim da minha vida, vou querer que a minha vida se transcenda a si própria. Vou querer conquistar a imortalidade simbólica. Vou querer não ser esquecido. Eu vou querer que a minha vida continue. Mais ou menos, todos nós temos uma grande dificuldade em lidar com a finitude da vida e, por isso, criamos, muitas vezes, esta coisa da ressurreição, da reencarnação. Múltiplas vidas, múltiplas oportunidades. Parece quase que um jogo de vídeo. Eu, quando era miúdo, jogava computadores. Descobri uma forma de crackear alguns jogos e, então, eu ficava com vidas ilimitadas. No entanto, quando eu tinha vidas ilimitadas, já não era assim tão importante o que eu fazia com cada uma dessas vidas, não é?  

No fundo, esta questão da reencarnação, esta questão da ressurreição, é um bocadinho tentar que a vida se transcenda a si própria, para que eu não sinta tanto o peso da responsabilidade daquilo que eu tenho para fazer, para transformar esta vida numa experiência, de facto, única. Porque, por muitas vidas que nós tenhamos, cada vida há-de ser sempre uma experiência única. Então, eu quero que esta vida se transcenda a si própria. Sim, eu quero viver para sempre ou, pelo menos, eu quero viver mais tempo. Pelo menos, eu quero viver mais tempo, do que aquela que for a minha idade cronológica. Eu quero que a minha vida se transcenda a si própria, e a forma como tenho para fazer isso, é através daquilo que eu posso deixar; da obra que eu posso construir; da falta que eu posso fazer a pessoas; da memória de pessoas que me amem, que possa fazer com que a minha vida se transcenda a si própria, com que viva, pelo menos, mais alguns anos. A memória da atitude com que eu encarei esta oportunidade da vida; a memória dos conhecimentos que eu fui capaz de gerar; a memória dos conhecimentos que eu fui capaz de perpetuar, dos paradigmas que eu fui capaz de resolver; a memória das minhas ações, a minha obra. Isso falará por mim! 

Então, o propósito da vida, é o fim da vida. E no fim da vida, eu quero que a minha vida não termine; eu quero que a minha vida continue, de alguma forma. Neste sentido, eu penso que este seja o verdadeiro sentido da vida.  

Há pessoas que dizem: “Ah, mas o meu propósito é ter um Porsche”. Ok. E depois? 

Há pessoas que dizem: “Ah, o meu propósito é ter qualquer coisa ou é fazer qualquer coisa” … Ok. E depois? Que sentido é que isso tem? Que significado é que isso tem?  

Quantas pessoas, quer no mundo empresarial, no mundo das finanças, no mundo das artes, no mundo do cinema, cantores.... Quantas pessoas não atingiram o topo das suas carreiras? Carreiras absolutamente invejáveis. Juntaram fortunas, muito maiores do que aquilo que um ser humano pode gastar durante uma vida, por muito excêntrica que seja. Alcançaram todos os títulos, todos os reconhecimentos, e depois, tudo se desfez em nada e acabaram por cometer o suicídio.  

Afinal, o que é que é mesmo importante?  

É ter coisas?  

É mesmo isso, é ter coisas?  

É alcançar resultados?  

O que é que é isso de ser bem-sucedido?  

Então, o propósito de vida não pode ser ter coisas! Não pode ser, sequer, fazer coisas!  

Quando tu pensas nisso, só podes estar a ser dominado pela tua própria ganância ou pela tua própria raiva.  

Um propósito que se baseie em coisas materiais ou que se baseie em experiências físicas, não pode ser mais do que motivado por estas duas energias: a raiva ou a ganância.  

Eu gostava que tu tivesses consciência. É mesmo este o teu propósito? É mesmo isto, que tu queres dizer a ti próprio quando estiveres a partir, desta vida?  

“Ah, eu fiz o que fiz, por causa da minha ganância.” ou “Eu juntei um milhão de euros ou dez milhões de euros ou cem milhões de euros”. “Eu consegui atingir, não sei quantos prémios e, agora, estou aqui a morrer, abandonado e sozinho. Eu não tenho a quem abraçar”. É isto que tu queres dizer a ti próprio? Pensa nisso! Acho que vale a pena pensares nisso.  

Então, eu quero chegar ao fim da minha vida e viver orgulhoso daquilo que construí. Não estar arrependido da forma como gastei a ficha, como gastei esta oportunidade, que foi a minha vida. Eu quero estar orgulhoso da forma como vivi. Eu quero estar seguro de que esta forma foi condizendo com aquilo que são os meus valores. Que eu combati as minhas causas; que eu combati as minhas guerras; que provavelmente, eu juntei o meu próprio exército. E que fiz uma obra, que deixei uma história, que pode ser inspiradora para outras pessoas que aí venham. Isto vai-se transformar, então, na minha imortalidade simbólica. Eu quero ser imortal! Não fisicamente imortal, mas quero que a minha obra seja imortal! Eu quero que a forma como eu viva seja inspiração para, pelo menos, uma pessoa que viva depois de mim. Eu quero que alguma coisa, do que é a minha passagem pela Terra, possa influenciar alguma pessoa, que ainda nem sequer tenha nascido, quando eu partir.  

Este é o meu propósito! E isto é o sentido que eu quero dar à minha vida! 

Eu quero ter uma vida que se transcenda a si própria.  

Sim! Eu quero ser imortal!  

Sim! Eu quero ser eterno!  

Então, em conclusão, sobre a questão do propósito, eu gostaria que tivesses consciência plena daquilo que é a finitude da tua vida. A tua vida vai terminar um dia, e é importante que tu termines de consciência tranquila de que aproveitaste esta oportunidade. Portanto, não tem muito a ver com aquilo que consegues alcançar, mas tem a ver com a forma como tu vives. Sim, não tem a ver com o conteúdo, mas tem a ver sempre com a forma, sabes?  

Se esta fosse mesmo a tua última vida, como é que gostarias de a viver? Como é que tu gostarias de gastar essa oportunidade? Pensa nisso e vive com essa realidade, porque é, de facto, e independentemente de tu acreditares que haja outra vida para a frente desta, ou que vais reencarnar, ou que vais ressuscitar, independentemente disso, tu tens em mãos uma oportunidade! E pensa, claramente, como é que queres gastar esta oportunidade. 

E isto, tem muito a ver, também, com duas outras questões, de que eu te queria falar a seguir, que são: a questão do sentido da vida e a questão da missão. 

Então, o sentido da vida é a própria morte. É a finitude da vida e aquilo que não quero construir, e é preciso ter consciência disto! Que discurso é que eu quero ter, comigo próprio, quando eu estiver pronto para partir? Porque dizem que vamos ter uma retrospetiva, por muito rápida que seja, daquilo que foi a nossa vida. Então, como é que tu queres que seja essa tua retrospetiva? Que imagens é que tu queres lá pôr? Que concretizações é que tu queres lá pôr? Que sons é que tu queres lá pôr? Pensa nisso! Pode parecer um exercício um pouco denso, um pouco pesado, mas isto é a grande definição do que é o grande sentido da tua vida. Se quiseres uma ajuda ou uma dica, é muito viver em função do que são os teus valores. Já fizeste um exercício da identificação dos valores e a ordenação dos teus valores. É, então, viveres em função disto, viveres em função do que são os teus valores.  

Depois, também há muitas pessoas que me perguntam sobre a missão: “Emanuel, eu estou desesperado! Qual é a minha missão? Eu não sei qual é a minha missão nesta vida. Eu sinto. Ah, eu sinto, eu sinto que tenho uma missão, mas eu não sei qual é!”  

Então, porque nós não temos uma, temos várias missões! 

Antes de mais, eu gostava que tu percebesses que todos nós, seres humanos, estamos programados para duas coisas, pelo menos: a primeira é para nos desenvolvermos, a nós próprios, e a segunda é para ajudarmos outras pessoas. A satisfação plena, o último grau, vai surgir, então, quando estas duas pontas se juntarem. Quando te desenvolveres, o mais possível, e quando sentires que ajudaste um número suficiente de pessoas. Isto leva-nos, então, a vários níveis da nossa missão.  

Então, qual é a minha missão?  

A primeira missão é uma missão comigo próprio, é uma missão de ser melhor, de ser melhor a cada dia, de me desenvolver, de crescer. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, o ser humano não nasce pronto para se ir gastando. Ele nasce, não pronto, para se ir construindo. Como dizia, Jean Paul Sartre, no Existencialismo, “a existência precede a essência e não o contrário”. Nós não nascemos com uma missão pré-definida, nós desenvolvemos esta missão, ao longo da nossa vida. Nós não nascemos como essência, nós desenvolvemos esta essência. Claro que isto é filosófico e, portanto, é discutível, mas eu gostaria que tu partisses, pelo menos, ou que me desses o benefício da dúvida, para seguir o pensamento seguinte.

O primeiro grande nível da nossa missão é: Crescer. É, tu próprio, assumires-te! Porque, na realidade, eu vou-te falar um pouco melhor sobre isto. A grande razão da grande agonia, de todos os seres humanos, a grande razão do sofrimento do ser humano – o sofrimento psicológico e intelectual – é de não saber quem ele próprio é. Portanto, nós procuramos esta missão como parte desta definição. Procuramos o propósito como parte desta definição, e ela não existe! Ainda! Porque nós existimos, enquanto corpo e enquanto mente, mas a essência ainda está por construir.  

Eu repito esta frase, que também é do Mário Sérgio Cortella "O ser humano não nasce pronto para se ir gastando, ele nasce não pronto para se ir fazendo e para se ir construindo”.  

Portanto, o primeiro nível de missão é, então, tu construíres-te a ti próprio.  

O segundo nível de missão é: o Eu e os meus. O primeiro nível seria o Eu, o segundo seria o “Eu e os meus”. Que é das pessoas que me estão próximas - seja na minha família, os meus colegas, os meus amigos, as pessoas com quem eu me cruzo, no meu dia a dia -, será que eu vivo com elas, em função dos meus valores?  

Se o meu valor é a honestidade, será que eu sou integralmente honesto com elas?  

Se o meu valor é o amor, será que eu promovo, de facto, o amor com todas estas pessoas?  

Se o meu valor é a cooperação, será que eu, de facto, coopero e estímulo a cooperação entre as pessoas, entre eu e os meus, mesmo que seja entre eu e as pessoas que me rodeiam num ciclo mais fechado? Será que eu inspiro as pessoas a viverem, também, alinhadas com os meus valores? Com os meus próprios valores? Então, este será o segundo nível da minha missão: tentar “educar” as pessoas que me rodeiam, que me estão mais próximas. Educá-las para os valores em que eu acredito.  

Podes estar a perguntar: “Emanuel, mas eu pensava que a minha missão era ser uma Madre Teresa ou um Nelson Mandela. Será que não há uma grande causa?”  

Sim, pode haver. Nenhuma pessoa que atingiu uma destas grandes causas – como o Nelson Mandela ou a Madre Teresa, tantos outros exemplos -, grandes missões, chegou a isso sem ter passado, primeiro, pelos dois níveis anteriores: primeiro eu, depois, eu e os meus. 

O terceiro nível será, então: o eu e todos! Eu e o mundo. Eu e as grandes causas. Pela promoção da humanidade; pela promoção da liberdade; pela promoção da democracia; pela luta contra a fome; pela questão ambiental; pelo vegetarianismo. Qualquer que seja a tua causa! 

Depois de cumpridos estes dois primeiros níveis, tu podes, então, procurar uma grande causa. Nessa altura, estás muito perto de um momento em que todas as pontas, todas as peças da tua vida se encaixam. Porque há um momento em que tu, definida a causa à qual te queres dedicar, vais ser convidado a juntar todas as tuas competências; todas as tuas experiências; todos os teus interesses; todos os teus valores; toda a tua energia; todo o teu ser, para mobilizar, em função desta grande causa. É o momento em que as pontas se unem. Parece que toda a tua história acaba por fazer sentido. Todas as peças se encaixam. Todas as tuas dores farão falta ou farão sentido, porque te ajudaram a criar um determinado conhecimento ou uma determinada competência, de que vais necessitar para desempenhar essa tua missão. Mas não desesperes à procura disso! Faz o caminho bem feito, passo por passo.  

A definição da missão tem, então, três níveis. Não consegues começar no nível externo. A mudança é uma porta que só se abre por dentro. A autenticidade só se abre por dentro. Quem vive para fora, veste uma máscara, obrigatoriamente e não é isso que nós queremos! Tu não queres andar com uma máscara, tu não queres escolher uma máscara. Tu queres descobrir quem és e mostrar ao mundo quem és! Esta é a tua missão. É seres tu próprio. É desempenhares a tua vida com todo o teu potencial. É superares-te a ti mesmo. É seres capaz de inspirar as pessoas à tua volta. E é seres capaz de lutar com coragem e com determinação pelas tuas grandes causas, sejam elas quais forem. O mundo precisa disso, o mundo precisa da tua autenticidade; da tua verdade; do teu amor; da tua paixão. De tudo aquilo que te motiva; de tudo aquilo que te apaixona; de todas as tuas competências; de todos os teus conhecimentos.  

A Natureza faz um grande esforço para te ter vivo. Tu não és insignificante! Tu podes fazer a diferença! Agora, essa existência não nasce feita, tem de ser uma construção tua. Porque é assim que vais conseguir compreender a resposta a este grande dilema, que tanto tem inspirado os filósofos, os pensadores e a humanidade em geral, ao longo de muitos e muitos séculos: Afinal, quem sou eu e qual é o meu papel aqui? E, na verdade, tu nunca vais ter uma resposta definitiva a esta pergunta, a não ser no momento em que estiveres pronto para partir. Dificilmente vais ser capaz de responder à pergunta: quem sou eu? Porque, no momento em que formulares essa resposta, no momento em que terminares de responder, já te transformaste. Tu estás em processo de evolução constante. Nós somos evolução constante. Então, se calhar, algum dia, alguém pode dizer quem tu foste, mas nunca poderás dizer quem és. Tu és a tua construção. Tu és o que tu quiseres ser, tu és o teu potencial. Tu és aquilo em que acreditas; tu és aquilo que valorizas; tu és o teu desejo; o teu sonho; a tua paixão. Tu és um ser capaz de crescer; capaz de amar; capaz de melhorar este mundo. Sim? Então, quando descobrires alguma coisa, a que valha a pena entregares-te, com paixão, com alma e coração, e quando tu compreenderes que, de facto, todas as experiências da tua vida, todas as coisas por que passaste, todas as coisas que aprendeste, todas as coisas que te apaixonam, todas as coisas de que gostas, todas as coisas que tu gostarias de aprende; todas as coisas que até nem gostarias de ter aprendido, mas aprendeste na mesma. Tudo isso faz sentido! E tudo isso faz falta, para que tu possas viver essa tua missão. Nesse momento, tu vais saber qual é! Mas não te precipites. Faz este caminho! Primeiro eu, depois, eu e os meus, depois, eu e todos. Para te dar um exemplo prático, pessoalmente, eu tenho uma causa e a minha causa é aquela coisa que mais me incomoda no mundo. Eu descobri que a maioria dos seres humanos sofre muito. Pelo menos, no Ocidente, as pessoas sofrem muito, por não saberem quem são, e como não sabem quem são, não sabem lidar consigo próprias. Depois o sistema, seja o que for, acaba por nos conduzir para a busca de soluções exotéricas, dogmáticas ou medicamentosas. Soluções que não solucionam nada, que apenas te ajudam a deixar andar mais algum tempo, e com isto, as pessoas não vivem, as pessoas simplesmente sobrevivem. Com falsos diagnósticos a seguir as suas crenças, coisas que as limitam, que não as potenciam, que não as ajudam a libertar o seu potencial. E por causa disto, as pessoas sentem uma sensação de insatisfação permanente, uma sensação de desadequação permanente. E não me digas que não sentes isso, porque se não sentes isso, é porque estás dessensibilizado, todos os seres humanos sentem isso. Sentem-no porque não sabem quem são e não sabem lidar consigo próprios. Isto incomoda-me bastante. Então, a minha causa, a minha grande causa, é esta: combater o sofrimento causado pela ignorância do ser humano, em relação àquilo que ele próprio é e em relação ao que ele próprio é capaz. Naturalmente também, em como lidar comigo próprio e como lidar com o mundo que me rodeia, com os limites que me são impostos e com as oportunidades que me são dadas. E há respostas para isto! Então, a minha missão é: ajudar as pessoas a encontrarem estas respostas. Por isso, eu reúno várias áreas de conhecimento. Tenho-me dedicado a estudar, aprofundadamente, estas questões. Estou a fazer este curso no sentido, também, de dar corpo à minha missão, de transmitir esta minha paixão. Isto não é o que eu sou, é uma parte da minha construção, porque é assim que eu me construo, desempenhando esta minha missão.  

Então, à pergunta que colocávamos, no início, aliás, no ciclo de que falávamos no início: ter; fazer, para então, definir quem eu sou. Não! Eu faço ao contrário. Eu sei que sou um ser humano em crescimento e, para crescer, eu sei o que é que tenho de fazer! O que eu tenho, e acredita que eu não me posso queixar, é uma consequência daquilo que faço e daquilo que sou. O que nós recebemos é sempre proporcional ao valor que damos, ao valor que geramos.  

Depois, outro nível de perguntas. Vou-te aconselhar um vídeo, a seguir, do Simon Sinek, sobre: O Círculo Dourado. Uma ideia muito interessante, que se baseia neste princípio: “Todas as pessoas querem saber o que é que fazem, algumas preocupam-se em saber como é que fazem, mas poucas querem saber porque é que realmente querem fazer alguma coisa.”  

Então, começa pelas causas, nós juntamo-nos a pessoas que têm as mesmas causas que nós e vamos ter melhores relações com pessoas que têm causas semelhantes às nossas, que acreditam nas mesmas coisas, que têm os mesmos valores. É com estas pessoas que podemos crescer, com que nos podemos valorizar. Quando encontrarmos as nossas causas, vamos encontrar os processos; vamos encontrar como fazer as coisas; como encarar a vida; como estar perante cada circunstância do dia a dia e, com base nestes dois pilares anteriores, aquilo que temos de fazer na prática, vai ser muito, muito fácil de compreender. Acredita! Vão florescer listas de tarefas, alinhadas com as tuas causas, com os teus valores, com as tuas crenças e com os processos com que tu acreditas poder ter o máximo de desempenho.  

E, depois, há pessoas que me falam sobre os sonhos. “Ah Emanuel! E os sonhos? Eu tenho um sonho”. Sim! Os teus sonhos são muito, muito importantes, mas toma cuidado! Porque, por definição, um sonho é apenas um desejo que está encapotado, que está reprimido à espera de uma oportunidade. Sim! Eles são para concretizar, mas não a qualquer preço. Até porque, quando tu satisfizeres um desejo, vais perceber que afinal esse desejo não era assim tão importante e logo vais desenvolver outro desejo, e outro desejo, e outro desejo. Então, o que vais fazer, em concreto, que desejos é que tu vais satisfazer, é uma questão. A outra questão é “Como vais fazer?”, mas a grande questão, a grande questão essencial é “Porquê?” Esta é a grande questão! Qual é a tua causa? E há muitas pessoas que me dizem: “Ah e tal, porque eu quero atingir os objetivos”. Honestamente, nos meus processos de coaching, digo muitas vezes aos meus clientes: “Não é importante, para mim, que tu atinjas este objetivo! Mais do que isso. Para mim, é importante que tu te tornes na pessoa capaz de alcançar este objetivo porque, quando eu for capaz de te transformar na pessoa capaz de alcançar este, eu vou ser capaz de te ajudar a alcançar o próximo, e o próximo, e o próximo!”  

Gostava, também, de te fazer perceber a diferença entre objetivos e expectativas. Os objetivos não são coisas que esperas que te aconteçam! As expectativas são a fonte das frustrações! Quando tu tens uma determinada expectativa, que depois não se realiza, uma expectativa de que alguma coisa te aconteça; de que determinada pessoa seja de determinada forma; de que sejas capaz de ter uma determinada situação; de estar numa determinada circunstância e isto, depois, não se verifica, isto é a fonte da frustração. E a fonte da frustração é o caminho da raiva porque, quando tu acumulas várias frustrações, tu vais gerar um processo de raiva, e esta raiva pode virar-se contra ti mesmo ou contra as outras pessoas. E claro que tu não queres isso! Eu sei que tu não queres isso. A forma de ultrapassares este problema é não teres expectativas. Transforma as tuas expectativas. Pensa no princípio do Estoicismo: há coisas que tu podes controlar e há coisas que tu não podes controlar. Foca a tua atenção, toda a tua energia, naquilo que podes controlar. “Prepara-te para o pior e espera pelo melhor”, mas faz com que aconteça o melhor! Transforma as coisas em objetivos. 

O objetivo tem uma coisa interessante, é que tu podes atingir 10% do objetivo. 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90, 100% do objetivo. Portanto, tu podes dividir este objetivo em vários degraus. A expectativa, como é uma coisa de que estás à espera que te aconteça, não podes dividi-la, ou ela te acontece ou não te acontece. Portanto, além de te demitires da responsabilidade da execução, tu também te expões a um risco de falhanço, e esse falhanço vai representar uma frustração, que depois te vai levar no sentido da raiva. E isto captura-te! Vai ser difícil evitares isso! A não ser que faças o caminho contrário. Então, é como te estou a sugerir! Encara as coisas desta forma prática, inspirado na filosofia de Epicteto e de Sêneca e o imperador Marco Aurélio, que era o Estoicismo. Não há nenhuma filosofia mais prática do que esta. Há coisas que tu podes controlar, há coisas que tu não podes controlar! E que se lixem as coisas que tu não podes controlar, é só cenário, porque tu podes sempre controlar qual é a tua reação às coisas que não podes controlar. Assume a responsabilidade! Assume os teus objetivos!  

Este artigo é absolutamente essencial, para falarmos sobre coisas que são absolutamente estruturantes na mente do ser humano e na experiência da vida do ser humano, que tem a ver com esta questão do propósito, da missão, do sentido da vida e dos objetivos ou das metas. 

Vamos meter a mão na massa, começar a trabalhar para objetivos concretos, que se possam transformar em realidade.