caminhandoCom alguma frequência me perguntam, qual é a relação entre o coaching e a meditação. Será que são compatíveis?

Obviamente que penso que sim. Mas para compreender a fundo, temos que nos centrar antes demais nos conceitos, amplamente difundidos, mas que caem quase sempre no mal-entendido e na má interpretação.

Há muito quem pense na meditação como algo espiritual, fonte de conexão com outras frequências energéticas, quase metafisico. Outros acreditam que se baseia na ausência de pensamento. E também há muito quem pense no coaching como uma ferramenta de alto desempenho, centrada nos resultados e na alta performance.

Estes conceitos estão errados. 

Afinal, o que é a meditação?

A palavra “meditação” pode assumir diferentes significados, consoante o contexto cultural em que é usada. Para algumas pessoas meditar pode ser “pensar sobre alguma coisa” para outras pode ser uma forma de conexão com o “eu interior” ou com o “divino”. Há quem utilize a meditação para utilizar determinados estados na mente. Para outos ainda, a meditação é um estado de vazio mental ou de ausência de pensamento.

Nas escolas contemplativas, utilizadas em muitas práticas ancestrais, a meditação é um exercício que visa a contemplação da realidade, tal como ela é, num determinado momento, com o objetivo de alcançar um estado de equanimidade, ou seja, um estado em que ultrapassamos a reatividade da nossa mente ao que nos rodeia. Um estado em que é possível ver claramente.

Para alcançar a equanimidade é preciso muito treino. Esse treino começa no relaxamento, segue pela concentração com vista à atenção plena, mergulhada no momento presente. No “aqui” e no “agora”.

É mergulhando no presente que podemos compreender a vida no momento em que ela realmente está a acontecer.

É compreender as nossas sensações, os nossos pensamentos, estar consciente dos processos que desencadeiam a formação de sentimentos e de emoções. É também ter consciência de todas as informações que chegam até nós pelos nossos sentidos.

Para que esta compreensão seja efetiva, precisamos antes de mais de abandonar o julgamento automático que tanto deturpa a nossa perceção. É o exercício de deixar a vida fluir e acontecer, sem vontade de interferir e sem necessidade de controlar. É abandonar o apego e a aversão, pois é neles que reside a reatividade. Alguns bloqueios levam a reatividade a transformar-se em passividade.

Abandonando essa reatividade (ou passividade), estaremos prontos para compreender as coisas como elas de facto são. Para poder observar a realidade tal como ela é, aceitando-a tal como é, sem ter necessidade de criar explicações simplistas ou evasivas, sem nos deixarmos cegar pelos medos, pelas culpas (ou ressentimentos), pela vergonha, pela frustração (de onde deriva a raiva) e sem ignorância.

Esta nova compreensão é abrangente e transparente. Ficará tudo muito mais nítido.

Paradoxalmente é quando aprendemos a lidar com a realidade da vida, tal como ela é, que conseguimos produzir mudanças. E produzir mudanças é território do coaching.

O território do coaching

Uma vez definida a nossa realidade, encontraremos coisas das quais gostamos e coisas das quais não gostamos. E isso é normal. Também encontraremos coisas que dependem de nós e outras que não dependem de nós; e descobriremos que podemos mudar coisas que não podemos aceitar e que teremos que aceitar o que não podemos mudar.

Esta clareza é reforçada pela meditação. Quando maior for a nossa capacidade de olhar de frente para a realidade (sem reagirmos de imediato) maior é a nossa capacidade de produzir mudanças efetivas na nossa vida, em direção ao que desejamos alcançar.

Esse “estado desejado” é composto por objetivos (que terão que ser sempre positivos e pessoais), que podem ser estruturados em pequenas metas. Quando colocamos prazos e métricas nestas metas teremos um plano. E quando temos um plano podemos agir. Esta ação produzirá como resultado uma nova realidade. É a lei do karma. A lei da causa efeito. Determinadas causas, provocam determinados efeitos.

E há sempre um caminho para alcançar qualquer resultado que se queira alcançar. O que ás vezes acontece é que preferimos o comodismo de não descobrir e de não percorrer esse caminho.

A missão do coaching é favorecer estes processos de desenvolvimento das pessoas e das suas vidas, apoiando-se em técnicas definidas e estruturadas e em métricas objetivas. Seja em contexto empresarial ou pessoal e pode ser aplicado a qualquer área da vida.

Os resultados serão melhores se as pessoas tiverem (ou adquirirem) melhores competências e melhores atitudes.

Os pontos em que a meditação e o coaching se complementam

Acima, quando falávamos da meditação, dizíamos que era uma forma de vender a reatividade da mente, que é um determinado nível de atitude.

Existem 4 níveis de atitude: a passiva, a reativa, a activa e a pró-ativa. Evidentemente que é fácil compreender que os resultados que obtemos da vida serão tanto maiores, quando mais desenvolvida é a nossa atitude.

Vencer a passividade e a reatividade é muito mais fácil quando temos consciência delas e as assumimos sem apego nem aversão. Nessa altura poderemos ter uma atitude ativa na construção do nosso futuro, baseado nos nossos valores e nos nossos sonhos.

Construir o teu futuro é uma responsabilidade tua. Só tua.

Numa frase, a meditação é uma ferramenta essencial ao coaching, porque é a via para a definição clara do ponto de partida e para a observação atenda e isenta de todo o processo. Deste modo, o coaching e a meditação não só são compatíveis, como também são complementares.

Além disso, a meditação pode ser também uma forma de visualização prévia do “estado desejado”. Mas isso é assunto para outro artigo.

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