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Causas e consequências emocionais

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Causas e consequências emocionais
 

Para diminuir a procrastinação, não basta gerir melhor o tempo, é preciso descobrir o que te leva a adiar as tarefas, decisões e projetos, ou seja, é preciso compreender a tua angústia, medos e inseguranças.

Neste artigo, vamos falar sobre 3 possíveis causas para a procrastinação, para além da exaustão (de que já falámos na anterior e que pode ser tanto causa, como consequência). 

Assim, outros fatores que originam a procrastinação passam pelo stress, frustração ou medos. Na verdade, as pessoas possuem certas crenças limitantes acerca de si mesmas e das tarefas que têm de realizar, o que as faz ter dificuldade em mudar determinados comportamentos, essenciais para ter um bom desempenho. Essas crenças acabam por provocar um elevado stress e medo de falhar, o que as leva a procrastinar e adiar a realização das tarefas, com medo de não serem capazes de as realizar como seria esperado ou de fazerem má figura e serem criticadas. O adiamento contínuo acaba por provocar uma elevada frustração pois, paradoxalmente, acaba por confirmar a crença de que a pessoa não é capaz, ou seja, a pessoa adia com medo de não ser capaz, acaba por ultrapassar os prazos ou entregar um trabalho menos completo e, por consequência, confirmar a crença de que não ia ser capaz. Esta teoria veio a ser ainda mais reforçada quando foi comprovado cientificamente o fator preditor da preocupação nos níveis de preocupação, ou seja, o nível de procrastinação é justificado e influenciado pelos níveis de preocupação (maior preocupação, maior procrastinação e vice-versa). Toda esta associação entre a procrastinação e as emoções negativas (como medo e frustração) veio a ser reforçada cientificamente por um estudo feito na universidade de Carleton, no Canadá, que confirmou esta correlação. 

Este círculo de stress - medo - frustração acaba por levar as pessoas a atrasar ainda mais as decisões e/ou tarefas, aumentando assim o stress sentido. Muitas das vezes, o que torna este stress ainda mais forte é um outro círculo vicioso em que a pessoa entra e que acaba por afetar diversas áreas da sua vida. Este círculo passa por 7 fases: 

  1. a fase do evento (causa do stress, como por exemplo um trabalho com prazo);
  2. a fase da interpretação (assume-se pensamentos que alimentam este stress, como por exemplo o facto de achar que não vai conseguir entregar o trabalho a tempo);
  3. a fase da resposta emocional (sentimentos de ansiedade e medo);
  4. a fase da resposta física (palpitações, tremores, sudorese); 
  5. a fase da resposta à atitude (onde a pessoa acaba por tomar uma atitude perante os acontecimentos que têm ocorrido, e muitas vezes surge aqui a procrastinação);
  6. a fase do efeito (como consequência desta procrastinação, o trabalho acaba por não ser concluído a tempo, o que despoleta ainda mais emoções negativas);
  7. a fase do evento (onde este permanece como fator de stress).

Para poder lidar com este círculo vicioso, alguns investigadores sugerem as técnicas de gestão de tempo como essenciais. Segundo estes, as exigências quotidianas (profissionais, familiares, sociais) a que a pessoa é submetida originam um elevado stress, sendo que estas técnicas podem ser uma estratégia de coping bastante adequada. A adequada gestão de tempo, muitas vezes, está diretamente ligada com o aumento da produtividade, logo, esta deve ser uma das grandes prioridades para diminuir o nível de stress com que as pessoas lidam diariamente. Para uma boa gestão é preciso pôr em prática algumas estratégias, mas estas têm de ser estratégias adaptáveis a cada pessoa. Por exemplo, a pessoa quer começar a praticar exercício físico todos os dias, mas sabe perfeitamente que vai ser difícil isso acontecer. Perante isto, vem o sentimento de frustração.

A procrastinação pode ainda estar a mascarar problemas mais graves e silenciosos, como a ansiedade ou depressão, sendo bastante frequente nestas situações. 

Quando enfrenta quadros clínicos de ansiedade, a pessoa tende a ter o pensamento mais voltado para o futuro, tendo dificuldade de se focar no aqui e no agora para organizar e executar as suas tarefas diárias. Perante situações que provocam medo, insegurança ou expectativa, a pessoa com ansiedade acaba por ter uma elevada dificuldade em pensar e agir, ficando bloqueada perante a situação. 

Da mesma forma, uma pessoa que está com depressão tende a estar assoberbada por pensamentos negativos, sensação de inutilidade e sentimentos de culpa, o que dificulta ainda mais a execução das tarefas pois qualquer tarefa se torna desafiante e desconfortável. A pessoa com depressão não dispõe de energia ou vontade suficientes para agir, levando-a a protelar os seus objetivos. Em suma, quanto maior o quadro depressivo, maiores os índices de procrastinação da pessoa. Contudo, também a procrastinação influencia o seu nível depressivo, ou seja, é um círculo vicioso.