Já todos nós fomos magoados por várias pessoas ao longo da vida, inclusivamente por pessoas que amamos e a quem queremos bem.
 
Pode ser na sequência de um mal entendido, de uma disputa ou de uma discussão, mas há mágoas que ficam profundamente marcadas no nosso coração e na nossa mente.
 
Além da raiva, do ódio, da separação, surge muitas vezes o ressentimento e o prolongamento da dor parece não ter um fim. Até pode ficar adormecido, mas pronto a causar intenso sofrimento se despertado por uma simples recordação. Alguns teóricos especulam que este ressentimento pode somatizar-se no organismo e estar na origem de doenças e patologias graves, que muitas vezes causam a morte após um período lento e doloroso. 
 
Há ainda situações em que respondemos à falta do outro com uma nova falta - como se esta fosse desculpável e legítima - criando uma violenta espiral de dor e de sofrimento com resultados inevitavelmente catastróficos.
 
Perdoar surge como necessidade inalienável, não apenas para libertar o outro da falta cometida para connosco ou para alguém que nos está próximo, mas sobretudo para nos libertarmos a nós próprios do ciclo de dor, de sofrimento e de vingança. E é uma necessidade absoluta, independentemente de quem nos magoou, do seu eventual arrependimento e da falta praticada.
Nos últimos anos temos assistido ao aparecimento de um vasto conjunto de métodos e terapias que prometem um caminho para a felicidade e a promoção do bem estar.
Desde o renascimento de antigos rituais pagãos, até uma nova roupagem de práticas religiosas milenares, passando pela reutilização do oculto, há um crescente interesse pela espiritualidade.
 
Este interesse existe na humanidade há milhares de anos e é motivado pelo facto de termos necessidade de nos compreendermos a nós próprios, compreender o nosso papel no mundo e a nossa missão nesta vida. Por outro lado, buscamos incessantemente respostas para o sofrimento quotidiano, a que, em maior ou menor grau, todos estamos sujeitos em alguns momentos da vida.

O passado da minha vida mistura-se cronologicamente. Ultimamente, quando consigo recordar algum acontecimento, não consigo localiza-lo por data. Isso contribui para uma distância (saudável?) em relação a ele.

Por outro lado, sinto o tempo a acelerar de tal forma que fico com a sensação de que tenho dez ou mais vidas incluídas nesta. Tudo isto me obriga a viver mais Agora. Porque se não fosse assim, a agarrar o presente, ficaria sem identidade. E isso poderia ser a loucura impossível de viver aqui.

Mas confesso que essa possibilidade de loucura é uma tentação.

Pauso nesta reflexão: sem identidade, desprovida do compasso temporal, teria de despedir-me da realidade tridimensional, de todos e tudo o que criei até agora.

Mesmo sabendo que posso REcriar tudo mais perfeito, não pretendo extrapolar desejos da minha Alma, na intenção de fugir da minha humanidade, escolhida no Grande Amor em parceria com o Universo.

A minha mente insiste em explicar estes fenómenos temporais, como se de um jogo de xadrez se tratasse, num desafio à própria inevitabilidade da morte e do xeque-mate.

Mas não me demoro na espera das respostas, sintetizo o que vou sentindo, em palavras soltas de uma filosofia incompreensível, mas doce.

Afinal, o tempo é uma criação humana, uma forma engenhosa de dar a volta à eternidade da nossa natureza divina, numa necessidade redundante de agarrar o inominável.

É incrível como nos colocamos em caixinhas limitadoras, só para criar o desafio de sair delas e nos maravilharmos outra, e outra vez, com a grandeza da nossa dimensão.

E o Tempo é um dos vértices dessa caixinha, ou mesmo a tampa que é preciso empurrar com toda a força da consciência.

O Tempo acelera-nos a Vida, não precisamos correr, pelo contrário, precisamos pausar para degustar AGORA todo o privilégio de viver. 

Perguntaram-me: - E quando é que percebes que é mesmo Paixão o que te move?

Eu respondi: - Quando sentes que, através dela, tudo flui, tudo é natural e ressonante com quem és.

E continuaram: - Mas sempre me disseram que era preciso Lutar por aquilo que queremos!

E eu digo:

Talvez esteja na hora de percebermos que afinal o valor da VIDA não é proporcional ao esforço que lhe dedicamos, mas à capacidade de estarmos recetivos ao que nos acontece.

Quando sentimos A PAIXÃO, sabemos, simplesmente, que ela reflete quem somos. Senti-la e vivê-la é privilégio de quem se permite SER íntegro. Somos íntegros quando respeitamos a nossa Essência, a nossa Verdade. E só a respeitaremos na medida em que lhe dedicamos a nossa vida, num amor-próprio que inevitavelmente abraça o mundo inteiro.

Fica feliz por te sentires frágil.

É o resultado de escavar a alma dos medos que ela ainda retém.

É o sinal de que te desfizeste da couraça que te escondia dos outros.

A fragilidade que tu sentes é a sensação de leveza, quase insustentável, do teu SER… é a aceitação total de quem és.

Fica feliz, porque este é o sinal de que estás a ficar INTEIRO.